sábado, 9 de fevereiro de 2013

Volta às aulas: Menininha menor! 07/02/2013



07 de fevereiro: volta às aulas da menininha menor (4 anos). Ah, o jeito de ser de cada criança. Ela não fica à vontade com estranhos a princípio. Ela demora a soltar de minha mão ou de sair de perto da irmã quando chegamos em um local estranho (mesmo em festas infantis).
Ela é desconfiada de pessoas que não conhece. Ela demorou duas semanas para olhar nos olhos da primeira professora porque sabia que no momento que olhasse talvez fosse o momento de deixar a mamãe ir embora da classe. Resultado: em 2011, fiquei duas semanas com ela em sala e foi a melhor coisa que fiz por ela já que quando nos deixamos, ela estava bem e feliz com toda aquela novidade. Sei que se não tivesse feito isso, ela não iria querer voltar depois. Com a segunda professora já em 2012, levei para conhecer na semana anterior às aulas e tudo foi razoavelmente tranquilo. Não tive que ficar em sala com ela. Mas agora no terceiro ano que frequenta a escola, não a levei antes para conhecer a professora achando que como ela já está bem mais sociável mesmo em primeiros momentos, tudo estaria mais tranquilo. Ah, não foi nada assim. Mas vamos por partes:

a) Ela queria ter ido para a escola no dia que a irmã foi. Não tinha aula para ela e então ela ficou comigo esses três dias que a irmã foi para a escola (no meu trabalho, em casa ou na rua). Humm, ela gostou desse momento só eu e ela (ou sem a irmã dela comigo, pode ser). Resultado: não queria mais ir para a escola. Queria ficar comigo. 

b) Chegou na sala e tinha um movimento de pais, de alunos, de tanta coisa comum a primeiros dias que ela agarrou minha mão e não soltou mais. Alunos que ela conhecia, mas também muitos alunos que eram de uma outra turma (mais alunos juntos nesse nível). E aí, uma professora nova, uma auxiliar nova e até uma coordenadora nova. Alguns já eram da escola, mas não da convivência dela, então isso não valia de nada para o tipo de personalidade dela. Um menino chorando no colo da professora, então a professora nem pode e nem viu que ela estava precisando de atenção especial para se acostumar. Auxiliar entrando e saindo da sala com alunos chegando que também nem pode e nem viu que ela poderia estar segurando minha mão apertada, mas também precisava da atenção delas para começar a querer se soltar. Enfim, os pais sairam e a professora veio, deu oi, tentou dar a mão para ela e chamá-la, mas em menos de 1 minuto é impossível uma criança introvertida se familiarizar. Como ela não foi e nem deu a mão para a professora, a professora foi fazer uma atividade de acolhida e apresentação com os alunos. Circulo formado, lá vamos nós, eu e a menininha menor me arrastando junto com ela. Fui com ela. Afinal, ela não ia ficar se eu não ficasse. Terminada esta parte fomos para as carteiras e aí veio a professora e disse para ela que era uma sala de crianças e que a mamãe não poderia ficar, que ela deveria soltar a mão da mamãe e deixar a mamãe ir. Ah, tá, que ela ia ouvir isso de uma estranha e dizer: "Tchau, mamãe, beijo, te amo!" e ficar ali feliz da vida. O que aconteceu? Ela não queria ficar mais. Nem comigo, nem sem mim. E lá vamos nós embora da sala sem uma palavra da professora. Se eu fosse a professora, eu teria ter dito: "Tchau meu anjo, eu vou ficar triste e você não ficar, mas eu entendo. Volta daqui a pouco, tá?" ou  "Eu queria tanto que você ficasse. Vai ser tão legal. Vai ter isso, aquilo e mais outra coisa. Na hora que você quiser, eu vou estar aqui te esperando, tá?" Ou qualquer coisa que demonstrasse carinho e compreensão. E não julgamento. Eu tentei explicar para ela que não adiantaria eu obrigá-la a ficar que ela choraria e não iria ficar (principalmente sem alguém ao lado dela. Não precisava ser eu, mas tratá-la como o que "esperam de alunos de 4 anos" e não dar o que ela precisa para se acostumar ou alguém para fazer esse processo com ela, não iria adiantar).        
Ou que me dissesse algo para nos acalmar ou nos encaminhasse para a coordenação para alguém se aproximar dela e tentar esse contato. Não me disseram nada. Mas o olhar foi de desaprovação. Eu sinto olhares, eu sei ler nas entrelinhas ou na linguagem corporal e me senti julgada nesta hora.

E lá vamos nós atrás de ajuda. De verdade, neste momento eu fiquei com vontade de levá-la embora e não voltar mais. De ser permitido no Brasil o "homeschool". Meus olhos se encheram de lágrimas e eu só não levei embora porque tive muitas boas acolhidas no passado e sou de dar segundas chances para as pessoas e situações. Mas foi uma sensação horrível que ainda não tinha passado com ela no passado ali naquela escola.

E assim fomos na Coordenação tentar falar com a antiga Coordendora (que minha menininha já conhecia e confiava). Ela não estava e nem a atual (esta última estava nos corredores da Educação Infantil ajudando por lá), mas outra coordenadora estava e foi muito gentil conosco. A Secretária de lá deu a ideia de procuramos uma auxiliar que minha menininha já conhecia e lá fomos nós atrás dela. Mas ela estava com uma criança e não pode nos ajudar naquele momento (mas seu olhar por minha filha foi lindo e tranquilizador). Voltamos  e aquela coordenadora que estava na sala nos aconselhou a sentar do lado de fora da porta para que ela olhasse as atividades e quem sabe quisesse entrar. A professora não foi lá nos dar oi porque não nos viu (a melhor hipótese que quero imaginar) e a auxiliar quando voltou para a sala após levar duas meninas ao banheiro fechou a porta. E lá ficamos nós sentada do lado de fora com a porta fechada. Ai que vontade de sair correndo dali. Poxa vida! Mas aí veio a coordenadora da turma dela e começou a convidá-la para ir levar uns papéis para alguma outra professora. Ela não queria ir sozinha com uma estranha que ela tinha visto apenas uma vez. Aí, a coordenadora começou a dizer que a mamãe não poderia ficar em sala com ela e quis chamá-la para ir à sua sala que tinha umas coisas legais, uma bala para ela, etc. Mas sua voz era firme para minha sensivelzinha mor. Não tinha a suavidade nem na voz, nem no olhar que iria fazê-la se sentir menos assustada com tudo aquilo que sua timidez tinha provocado. A coordenadora me disse que se eu não fosse firme, que se eu não passasse segurança para ela, ela não iria querer ficar. Ah, tá? Então eu não sou firme, não passo segurança para ela? Não, não é não! Não é bem assim. Eu conheço minha filha, eu conheço seu jeito. Eu sei o que vai funcionar para ela e o que não vai funcionar. A ferro e fogo jamais com essa menininha. Mal sabia a coordenadora que o que eu mais queria era sair dali e ir tomar um banho sozinha como há muito não tomava sem ninguém me incomodando ou ficando dentro do banheiro comigo. Que eu queria que ela ficasse, que eu precisava que ela ficasse para eu ficar 4 horas à toa já que eu não iria trabalhar aquele dia. Que eu havia sonhado com esse dia desde o final de janeiro. Mas infelizmente não fizeram com ela o processo certinho para uma menininha introvertida e que demora para se acostumar com situações novas e por isso eu estava ali presa com ela. A todos os envolvidos: Não adianta bater de frente com ela quando ela está se sentindo assim. Não adianta explicar as coisas racionalmente quando ela assustada com uma nova situação . Não adianta falar sério com ela, não adianta ser firme assim com ela. Ela faz tudo que se deve contanto que ela se sinta acolhida e amada. Com jeitinho e após ela conhecer e sentir-se à vontade com uma nova situação. Com jeitinho, com voz e olhar de afeto verdadeiro. E sem pressa, com calma e atenção. Criança percebe essas coisas. E mamães também. Não disse quase nada para o coordenadora sobre tudo isso que penso, mas disse que não era bem assim, que eu a conhecia e sabia como agir com ela para obter o melhor resultado a curto e longo prazo. Fora isso, (não disse, mas queria ter dito) na escola que sou sócia, mamães podem assistir aulas com os filhos sempre que estes quiserem porque é o melhor jeito de deixar as crianças à vontade e com confiança conosco. Fora isso, tentamos abrir os braços e entender estas crianças como minha filha. Não é fácil lidar, mas é nossa função tentar entender e acolher do jeitinho que eles são ou estão. Com paciência e compreensão não só em palavras, mas no olhar.        

Aí, nos disseram que havia uma sala para as mamães ficarem e que era lá que eu ficaria enquanto ela tivesse em sala e que se ela.tivesse saudade, poderia ir visitar Aí queria levá-la sozinha para pegar a chave da sala aonde eu ficaria. Não deu certo. Nunca daria certo isso com minha menininha. Lembrei daquela auxiliar que minha menininha conhecia e que tinha sido tão acolhedora com ela antes e a coordenadora nos levou até ela. Ela saiu da sala, mas após ter sido dito a minha menininha tantas vezes que a mamãe dela não poderia ficar, ela não quis ficar com essa auxiliar. Mas ela não desistiu e com afeto disse: "Ah, mas você não quer dar a mão para mim? Eu queria tanto, mas tanto pegar na sua mão? Ah, olha como eu estou triste!" Aí, eu disse para ela: "Meu anjo, a mamãe não vai largar da sua mão, eu vou ficar com você até a hora que você quiser, mas pega na mão desta tia que quer tanto pegar na sua mão." Aí como ela já a conhecia e estava sendo tão gentil, ela pegou na mão dela e ficou com nós duas. Aí, essa tia foi conversando com ela, eu fui conversando, e a gente chegou no pátio. Eu disse que iria pegar o dinheiro do lanche (ah, a correria de volta às aulas que não deu tempo de preparar o lanche delas)que estava no carro e que voltaria. Esta tia disse para ela várias coisas que elas poderiam fazer ou ir e que ia ser bem legal. Eu fui, peguei o dinheiro, comprei as fichas do lanche, encontrei elas no pátio (se eu digo que vou voltar, eu volto. Não sou a favor de dizer algo só para conseguir algo de crianças). Aí, a tia a chamou para levar a ficha para a irmã mais velha e disse que depois iriam fazer não sei o que. Aí, me abaixei, disse que eu iria embora, ms que aquela tia tinha meu número e que se ela não estivesse bem por la, poderia me ligar que eu a buscaria na hora. Ela concordou, dei um beijo e fui.

Voltei no horário de saída, ela estava em sala e a professora disse que foi tudo bem (não sei bem como foi o processo, mas após um tempo ela foi para a sala feliz da vida). Viram só o que o tempo e atenção fazem? Fiquei um pouco por lá esperando a irmã mais velha sair, perguntei para a professora se ela seria a professora de sexta-feira (neste nível  eles vão ter 04 professoras) e ela disse que sim. A vida estava tranquila de novo...

P.S.:
Apesar deste primeiro dia desastroso, sinto que as coisas já voltaram a ser como sempre por lá. Nos sentimos em casa como antes. Não sei o que aconteceu neste primeiro dia que parecia não condizer com a filosofia da escola, mas estamos em casa novamente! E é só isso que importa! Minhas menininhas amadas e respeitadas como sempre por lá!

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