segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

As tragédias dos outros (?) 28/01/2013

                                                        (Foto tirada em maio de 2012)

Ah, nem sei mais o que fazer para fugir da realidade desta triste notícia que tivemos ontem e que é só o que as pessoas estão falando e comentando no Brasil: a tragédia da boate no RS.

Preciso desabafar:

Não quero saber, não quero ver, não quero me envolver, não aguento estas coisas. Há um mês e pouco atrás, eu estava assistindo a CNN e vi sem querer a tragédia daquelas crianças nos EUA, a do tiroteio na escola. Não pensei e quando vi já estava acompanhando tudo, me sensibilizando com tudo, com as crianças, com as famílias, com   tudo e qualquer possibilidade de sofrimento. Vivi aquele inferno por dias seguidos e não conseguia me separar daquilo tudo. Fiquei anestesiada com a brutalidade do ser humano, com a possibilidade de um bebê tão fofo, tão frágil, tão delicado como somos todos nós ao nascer, um dia crescer e matar tantas vidas inocentes e se matar.

Procurei os porquês, tentei entender e fiquei imaginando o que teria levado um ser a não ter o discernimento do que aquele ato realmente significa para tantas pessoas, de não ter dentro de si uma das mais importantes qualidades que um ser humano precisa: a empatia.

Na minha humilde opinião, não consigo culpá-lo. Não acredito que um ser humano que faça isso não esteja ele mesmo precisando de ajuda de algum tipo. Ah, mas vão dizer que a culpa é da cultura americana, dos remédios que ele devia tomar para sua condição (dizem que tinha um certo tipo de autismo, mas o que não transforma por isso só e de maneira alguma em perigo para a sociedade), da política de armamento daquele país, que era um louco e tanta coisa mais, mas a verdade é: NÃO SABEMOS! Não podemos rotular alguém sem saber de todos os fatos. Sei que existem psicopatas que pela sua própria condição não conseguem se colocar no lugar do outro e aí machucam, ferem, matam. Sei que existe muita medicalização equivocada. Sei que existe bullying na vida. Sei que não deveria existir armas na minha opinião. Sei de tanta coisa, mas na verdade, não sei nada. Ninguém sabe a fundo o que realmente aconteceu na vida dele, na cabeça dele e os motivos ou não motivos que o levaram a deixar tanta tristeza para trás. E eu fiquei muito triste por ele, por sua família, pelas vidas ceifadas de modo trágico, por suas famílias.  

Sou o que se pode chamar de "Pessoa Esponja". Não consigo simplesmente ouvir algo, me separar disso e viver minha vida como se nada tivesse acontecido. Penso, me coloco no lugar das pessoas, sofro muito! Sofro por dias, acordo a noite pensando, fico triste, brava, incomodada, indignada e estou em um processo contra isso porque ao mesmo tempo que é uma qualidade, é também algo negativo para o meu eu. Por isso minha decisão: NÃO QUERO SABER DESSA NOSSA TRAGÉDIA! Não quero buscar culpados, não quero me revoltar contra órgãos públicos ou contra pessoas que por bobeira contribuíram para essa tragédia.  As pessoas são tão inconsequentes mesmo que não saibam disso. Só o pouco que li já me deixou meio vazia por dentro, anestesiada, com dó de suas vidas tão jovens se encerrar desta forma e com dó e compaixão por seus familiares e amigos.

Não preciso ver o noticiário da TV para me solidarizar, então não ligo a TV. Não preciso ver as postagens de meus amigos no FB para que meus pensamentos e orações estejam com seus familiares, então não vejo

Mas não entendo como a mídia faz esse circo todo e depois de um tempo não fala mais nisso (na verdade entendo, não concordo, mas entendo seus reais motivos) e sinceramente não entendo as pessoas ficarem falando disso repetidamente no FB. Para que? Por que? Se temos a mídia toda já fazendo isso. Desde ontem cedo, falando, repetindo, dando notícias como se fossemos repórteres, falando de novo e de novo e de novo. Será que essa é a forma de lidarem com a tragédia, falando disso? Não estou julgando. Cada um faz o que quer e sente vontade, só fiquei curiosa sobre o comportamento humano, em saber se essa é uma forma diferente da minha em lidar com o sofrimento. Não sei! MAS o que sei: eu não quero mais saber disso, eu não posso mais ouvir isso. Estou triste, muito triste, imensamente triste por eles, por suas famílias e pensando:

1) Poderia ter sido comigo quando eu era jovem? SIM! NUNCA pensei na saída de emergência quando estava em algum lugar me divertido.

2) Poderia acontecer com minhas menininhas no futuro? NÃO!!!! É isso que quero gritar. Elas não vão em lugares assim quando crescerem. Elas vão crescer, mas não vão frequentar esses lugares, nem teatros, nem cinemas. Elas vão crescer, vão para a faculdade, mas vão morar comigo até casarem e não vão gostar dessas coisas de se divertir dançando, assistindo shows, indo ao cinema, etc. Vou comprar uma bolha, vou ensinar em minha casa e elas nunca vão a lugar algum sem mim. Nunca!

Pronto! Está decidido! Elas vão ficar para sempre embaixo de minhas asas. E ai daquele que se atrever a chegar perto delas!

Ah, gente, queria voltar àquela fase da vida quando imaginava que adultos sabiam o que estavam fazendo e que eram todos pessoas responsáveis de verdade. Quando achava que se algo existia é porque era seguro e confiável. Quando achava que se existisse uma lei, todos obedeciam.    

Ah, o mundo podia ser um lugar sempre seguro. A vida poderia só acabar aos 100 anos em nosso sono tranquilo. Acho que com tragédias como essas duas, é perfeitamente compreensível sonhar e desejar estas coisas.

Que Deus nos abençoe  nos guarde e ampare todos os que estão sofrendo aqui e em qualquer lugar deste mundo!  
  
PS: Ana Luisa e Ana Julia, a mamãe já falou hoje o quanto ama vocês duas? Vocês estão aqui em frente de casa agora brincando livremente com os coleguinhas em nossa calçada. É a última semana de férias. Vocês são tão felizes, tão inocentes, tão conectadas no momento presente que eu só tenho a agradecer a Deus pelo privilégio de ter vocês duas em nossas vidas e dizer que tenho muito o que aprender (ou reaprender) com vocês sobre esse jeito lindo de ver e viver a vida. Principalmente em um dia como hoje. Vocês não estão me vendo, mas eu vejo e escuto vocês rindo, conversando, gritando, brincando. É, a vida é mesmo feita de momentos que não voltam mais! Vou lá fora aproveitar com vocês! Beijos!

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