quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Encerrando ciclos! A eterna volta e a explicação (ou melhor, o desabafo)! 24/01/2013

                                        (Foto: 2012 em viagem a Guia Lopes da Laguna/MS)

Este blog foi criado não para outros lerem, não para ter seguidores, não para contar para os outros sobre minha vida e de minha família. Quando criei este blog, minha intenção foi de um "diário" de minha vida como mamãe. Queria ter registrado para mim e principalmente para elas o nosso dia a dia, para que quando o tempo passasse, nós pudéssemos ler e recordar e principalmente para elas poderem dimensionar nossa vida juntas quando ainda não entendiam muita coisa dessa nossa jornada. Queria que tivessem a certeza de nosso amor em atos, mas também em palavras já que gosto tanto de escrever e a memória pode falhar.

Criei o blog em maio de 2008 e ...
comecei descrevendo as coisas que estávamos sentindo deste fevereiro de 2008 quando descobrimos que estávamos grávidos de novo. Nessa época já tínhamos a Ana Luisa, a menininha linda e ativa com 1 ano e 7 meses e a minha vida ainda era a dita "vida perfeita": marido companheiro, uma filha linda e amada, pai e mãe pertinhos (sou filha única, mesmo independente sou apegada mesmo), trabalho árduo, mas que eu gostava muito, dinheiro no banco, não muito, mas que nos deixava um pouco tranquilos, casa, carro, muitos amigos, eu alegre, otimista, feliz, esperançosa, crente no ser humano e em Deus. A gente passa uma parte da vida sendo feliz, mas sabendo que falta ainda algo e eu estava na fase de sentir que o círculo havia se fechado: ter minha menininha e minha família e a condição citada acima e ainda grávida de novo, me fazia serena e feliz, muito feliz!

Não sou aquele tipo de pessoa que procura a felicidade, sei que a vida é feita de altos e baixos e apesar de estar feliz, tinhas dias bons, outros nem tantos, outros de raiva, tristeza, fragilidade, de otimismo, de alegria sem fim ou de estar mais triste. Apesar de ter pintado minha vida como "perfeita", é importante ficar claro que considero que para haver perfeição não é necessário que a vida seja todo dia daquele jeito que parece linda e perfeita, sem problemas ou quando somos só sorrisos, é necessário ter o suporte para isso (nós mesmos (principalmente), família, amigos, trabalho estimulante, não só emprego etc e ter  algo dentro da gente que diz que essas coisas fazem parte da vida e que amanhã vai ser um dia melhor. Eu era assim!

Mas aí, uma madrugada em agosto mudou tudo e eu demorei alguns anos para perceber e tentar fazer algo a respeito: minha mãe faleceu quando eu estava grávida de oito meses de nossa segunda menininha, a Ana Julia, e sua irmãzinha mais velha com dois anos e um mês. 

Ah, alguém (ou eu mesma, sei lá) pode dizer: Mas de novo com esse papo do falecimento de sua mãe? SIM e SIM e SIM. A mãe é minha, o sentimento é meu e só eu sei o que eu sofri e sofro com isso. 

Sempre soube que mortes existem, claro. Sempre soube que ciclos terminam. Sempre soube que haverá invernos na vida. Perdi meu vô, minha vó querida, meu outro avô, minha outra vó. Perdi minha chefe, perdi uma sócia. Mas eu nunca soube lidar com perdas direito. Nunca havia sofrido como foi com minha mãe, mas eu nunca fui daquele tipo que supera facilmente as coisas. Eu sofro calada, eu sinto a dor dos outros, eu fico imaginando como seria. E para mim esse seria, deveria durar até que as pessoas estivessem com cem anos e só assim morreriam em seus sonhos, dormindo tranquilamente.  Mas não é assim. Às vezes, a vida arranca pessoas da gente quando a gente ainda precisa delas, ou por egoísmo, ou por amor, ou por necessidade, ou por tudo isso junto.

Eu não estava preparada para não ter minha mãe em nossas vidas, por mim, por ela, por meu pai, pelos parentes, pelos amigos dela, e também por minhas menininhas. Elas teriam gostado da vovó delas. Ela teria gostado de minhas menininhas. Ela amava a Ana Luisa desde o dia que estava na minha barriga, ela se dava bem, muito bem com ela nesses dois anos e um mês que elas conviveram. Ela amava a Ana Julia já. Não chegou a conhecê-la, mas a Ana Julia já conhecia sua voz, minha mãe já conversava com ela. Mesmo já doente, mesmo já acamada, mesmo já tão debilitada. 

Eu sei que ela estava sofrendo bastante e já há alguns anos, mas há sempre duas soluções: ou morre ou fica boa. E eu queria que ela tivesse ficado boa. Queria poder continuar a discutir com ela sobre coisas bobas, sobre coisas banais, sobre algo mais sério. Éramos tão diferentes, mas ela era minha mãe e apesar dela não ser de tanto carinho e palavras carinhosas, sei que me amava. Ela não me entendia em muitos aspectos, ela já havia me magoado tanto com certas atitudes, certas ausências, certas palavras, certos humores durante minha infância e crescimento, mas sei também que podia contar com ela quando precisasse de ajuda real. Sei que aos sábados a gente poderia ir ao centro da cidade olhar as vitrines de mãos dadas, sei que na época de Natal poderíamos sair juntas, planejar e sonhar com um Natal perfeito. Sei tanta coisa e agora não posso querer mais, não posso ter mais, não posso sonhar mais. A gente ainda não conseguia conversar plenamente sobre certas mágoas minhas e dela, mas sei que com o passar dos anos isso seria possível, quem sabe, nunca vou saber. Mas isso não é o mais importante, o mais importante é que vivemos bem, com todas as nossas qualidades e defeitos. Houve brigas, mágoas que ainda não dava para conversar plenamente (mas tentávamos), mas quem não tem essas coisas, não é? Mas nada que afetasse nosso bom convívio. Nada ficou sem dizer, nada ficou sem ser feito, nada! Tenho consciência tranquila com relação a isso. Mas queria mais, queria que ela tivesse a oportunidade de conviver com minhas menininhas, de vê-las crescendo, de vê-las tão lindas, tão alegres, tão plenas, tão inteiras por dentro. Queria que visse também suas birras, suas teimosias, suas bagunças. Queria trocar idéia com ela sobre minhas convicções como mãe e também minhas dúvidas. Queria ouvir sua opinião, seu comentário para eu refletir ou discordar, mas pelo menos compartilhar com alguém que as amaria como eu as amo. 

Mas eu não tenho isso e muita gente pode não dizer (ou até diz educadamente), mas sei que muitos pensam que eu já deveria ter "superado" esta perda. Tá, eu deveria, eu sei, mas não superei e sei lá se vou superar ou quando vou superar. Sinto falta sim! Queria ter minha vidinha "perfeita" de volta, mas não tenho e não tem como ter e estou achando caminhos para não me deixar abater. 

Já melhorei muito, já não sofro mais diariamente, já sofro menos em datas especiais, mas sinto saudades e vontade de tê-la comigo. E não entendo como alguém pode se recuperar totalmente após a perda de alguém essencial. Será que escondem ou superam mesmo? Um dia vou descobrir. Com o passar dos anos.

Mas porque estou falando de minha mãe na postagem de volta ao blog? 

Primeiro porque esse evento mudou minha vida e a maneira que vejo o mundo. E ainda estou no processo de voltar a ser mais o que era antes (igual nunca será, eu sei). 

Segundo porque me abriu mais ainda os olhos com relação a viver bem o momento e não deixar certas coisas pra depois porque isto pode não existir.

Terceiro porque a junção da maternidade, da perda da minha mãe e da mudança e o acumulo de funções no trabalho me levaram a ficar o ano de 2010, 2011 e metade de 2012 praticamente inexistente neste blog e em "crise" com a vida que estava levando. 

Na verdade, acredito de coração que a mudança e o acumulo de coisas no trabalho é que já não se encaixavam mais na vida que acreditava que devia estar vivendo após a morte de minha mãe e a maternidade.  Antes da morte dela e das minhas menininhas, trabalhava noite e dia em prol de meu negócio e estava satisfeita com minha vida como coloquei antes, mas se demorei tanto a ter filhos, eu deveria estar vivendo a vida com elas do jeito que sonhava antes e enquanto meu trabalho não influenciava meu humor, minha disposição e meu tempo com elas, tudo estava bem, mas a partir do momento que minhas energias não estavam bastando em casa, comecei a ficar infeliz. 

Então porque demorei dois anos e meio para tomar uma atitude?

Bem, vamos por partes:

1) Eu só fui viver de fato o luto em 2010. Antes como estava grávida, com recém-nascido, com bebê e criança pequena em casa, acho que meu sub-consciente não me deixou. Chorei, sofri, mas sem perceber, com moderação. Em 2010, sofri muito com a saudade. Procurei ajuda por quatro meses, mas como não estava dando para pagar mais, parei. Mas agradeço a Deus por ter me dado coragem para admitir para mim mesma que precisava de ajuda.

2) Em 2010, estávamos com outro negócio e aí começou minha correria e maior entrega de energia já que era algo novo, precisava de muita atenção aos detalhes e planejamento e dedicação. Comecei a ficar não feliz com minha vida do jeito que as coisas estavam caminhando, mas ainda acreditava que podia passar. Mas em setembro e outubro de 2010, tive também uma decepção muito grande com funcionários de confiança e comecei a  desconfiar das pessoas que aparentemente me queriam bem. Aí, as coisas ampliaram para o lado pessoal da vida: Será que as pessoas me querem bem mesmo e entendem o que estou passando? Ou nem percebem? Ou fingem? Ou falam pelas costas? Antes não tinha este tipo de preocupação. Acreditava nas pessoas ao meu redor.

Agora junte o ítem 01 e 02 (e outros fatores) e o que temos? O item 3.

3) 2011 foi um ano de cão. Daqueles ruins. Daqueles de começar a querer jogar tudo para o alto. Nada encaixava perfeitamente e comecei a entender que não conseguia conciliar tudo: dois projetos de trabalho (duas empresas diferentes), pensar em uma, esquecer de uma, pensar na outra, esquecer da outra, pensar em uma. Foi difícil. E ainda por cima, sem ter tempo de novo de "curtir" meu luto, de ficar sozinha, de colocar meus pensamentos em ordem, de saber como agir, como pensar, como encaminhar essas coisas. 

Soma-se a isso os seguintes ítens:

4)
- As coisas corridas normais do dia a dia (casa, marido, obrigações, amizades, sonhos, projetos) 

5)
- Fases mais corridas e de maior atenção da menininha maior (início da alfabetização mais sistemática e mais tarefas)

6)
- Ter percebido que se eu tinha muitos amigos e muitos gostavam de mim era porque eu procurava, eu ia atrás, eu me doava, eu dava um jeito de tê-los perto de mim, etc. Quando estava nesse processo de tudo (morte de minha mãe, bebê pequeno, menininha maior, correria no serviço), eu acabei não sendo como eu sempre fui e acabei meio que sozinha, com poucas pessoas ao meu redor, seja amigos ou familiares. Pra se ter uma idéia, quando a Ana Luisa nasceu (2006) muitas pessoas vieram nos visitar. Quando a Ana Julia nasceu (2008) um mês e pouco após o falecimento de minha mãe, poucas, muito poucas pessoas nos visitaram. Ou ligaram. Ou ligaram com frequência. E justo quando mais precisávamos. As pessoas têm um certo receio de incomodar, de atrapalhar e de não saber o que fazer quando alguém morre que pecam por escassez. Não culpo, mas senti falta de contato humano nesta época. É melhor chorar querendo solidão do que perceber que de uma certa forma você está sozinha.     

7)
- E um cansaço sem fim. Exaustão. 

Nesse processo, comecei a ter coragem de querer viver como acho que merecia e deveria  e comecei a querer certas mudanças para isso, mas quando se tem sociedade, é difícil achar o meio termo, achar o que pode ser considerado como certo, ainda mais quando já se está há tanto tempo nessa sociedade. Sempre fomos diferentes, sempre nos respeitamos, mas certas coisas precisavam ser mudadas para minha sanidade, mas o outro lado da sociedade também estava no olho do furacão, então ficava difícil conseguir nos enxergar de fato e achar um meio termo. Um lado é razão e praticidade ao extremo (sob minha perspectiva de vida) e o meu lado é daqueles que age, mas na hora certa, pensando, ponderando para procurar não cometer erros. Os dois estão certos, mas eu não aguentava mais tanta correria em minha vida por todo lado, necessitava simplificar certas coisas: no trabalho, no outro trabalho, com os funcionários, em casa, com as meninas, com tudo. 

Assim, cheguei ao ponto de querer e precisar me isolar para me reerguer (é só assim que eu funciono, fazer o que), mas não podia. Então comecei a usar máscaras porque várias vezes tentei conversar com várias pessoas e só me mandavam agradecer pelo que tinha, focar no positivo, que a vida é assim mesmo, que morrer faz parte da vida, que se a gente pensa muito nisto, piora, etc, etc, etc. Fora que na maturidade as pessoas não têm tempo para o drama dos outros de tão corrido que vivemos hoje em dia. 

Então já que eu não conseguia desabafar de fato com quase ninguém fora de casa e com o tempo que precisaria para colocar estas coisas para fora, comecei a sorrir e fazer de conta que estava tudo bem. Só me sentia inteira de fato em casa e com as minhas menininhas. 

Além disso, eu sempre dei aula e desde 2010 eu estava apenas na Direção Pedagógica e lidando com professores, pais e problemas. Foi bom durante um tempo, mas depois eu sentia que estava me repetindo, que no fundo as pessoas não te ouvem de fato, então daí a repetição. Eu gosto de desafios criativos, não gosto  de ficar falando o óbvio todas as vezes. Pelo que escuto e leio por aí, acho que é assim mesmo hoje em dia, mas estava me cansando disso nesta fase da vida, parecia que estava perdendo meu tempo. Não por causa de treinamento, reuniões e desafios a serem superados, mas por causa da repetição do óbvio. Comecei a pensar mais frequentemente: "Poderia estar em casa agora ao invés de ficar me repetindo aqui!"  Sei que é necessário estas coisas, mas não era o que era necessário para mim. Fazia, me repetia, mas estava me cansando. E ainda sem tempo de poder fazer o que era necessário para mim na época. Sou uma pessoa que adora estudar, aprender coisas novas, melhorar o que faço, sou perfeccionista e exijo muito de mim e dos outros, sou responsável, mas não podia mais colocar tudo isso acima do que precisava na época. Como não dava para fazer isso, as máscaras foram minha fieis companheiras. Afinal, era minha obrigação! E quem sabe depois de tanto usar uma máscara, ela se torne seu eu? Pensava eu.

Nesse meio tempo ainda chegava em casa com energia e disposição para as meninas e tudo em casa, mas agora sei que eram os últimos suspiros disso. 

Soma-se a tudo isso algo mais:

8)
-Uma reforma mais que necessária em casa. Estávamos morando na casa de minha mãe e meu pai já há algum tempo antes dela falecer. Morávamos de aluguel, mas como ela não estava bem, vivíamos na casa dela. Além disso, a Ana Luisa ficava na casa de meus pais com uma babá. Assim, eu me sentia mais tranquila ao deixá-la sem mim. Então, meu pai sugeriu virmos morar aqui, economizar e ficar mais perto dela sem ficar indo e vindo tanto. Conversei com meu marido (afinal, os pais eram meus então ele é quem deveria realmente opinar), ele concordou e durante um tempo moramos todos juntos. E que bom que foi assim. Para mim, para meu pai, para a Ana Luisa e para minha mãe. 

Quando ela morreu, logo depois a Ana Julia nasceu, então não conseguia pensar em mais nada, mas depois que ela cresceu um pouco, eu queria ir embora da casa. Tudo lembrava ela, tudo me fazia pensar que ela poderia estar fazendo algo ali conosco se ela não tivesse morrido (depois de um tempo a gente esquece que a pessoa estava doente e só lembra do antes). Não dava para construir sem entrar em muita dívida, não dava para comprar outra casa, então ficamos. Mas aí, quase três anos depois juntamos um dinheiro para a reforma e pintura da casa e o pesadelo de morar em um lugar que tudo nos fazia recordar da saudade começou a acabar, mas outro pesadelo começou: o de uma reforma. Digo isso, com sorriso nos lábios, pois foi demorado e foi sufocante estar com pedreiros e pintores (e suas músicas), mais empregada, mais babá, mais as meninas, mais eu, mais meu marido, mais meu pai, mais cachorro e mais gato em um ambiente relativamente pequeno durante tantos meses, mas valeu cada desespero quando tudo terminou. Não digo que foi tudo um mar de rosas nem que tudo saiu como planejamos, mas um novo lar se construiu e uma nova estória de vida poderia começar ali. 

Mas o problema é que nesse meio tempo de reforma, de compras, de escolhas, de dor de cabeça com a reforma, a vida nos trabalhos continuava a me sugar, as menininhas continuavam a mil por hora (ainda bem) e eu sem tempo para meu luto, para meu choro, para me reerguer. Fiquei um caco por dentro. Mas com a máscara de "Eu dou conta" e "Feliz" por fora. 

Quer mais? Bem, teve um outro episódio que foi a segunda gota d' água nesse copo já cheio e transbordado em silêncio:               
     
9)
-Em maio de 2011, minha menininha menor voltou da escola um dia super feliz, super ativa e assim ficou até dormir. De madrugada, tossiu um pouco. Acordou de manhã meio dengosa, só querendo colo e com jeito de que ficaria resfriada, mas sem febre alguma. Eu estava em casa, mas fazendo algo para a escola e ela ficou com a babá e vinha várias vezes ficar comigo toda dengosa, querendo colo, mas só isso e alguma tosse. Na hora do almoço meu marido chegou e quando foi vê-la ficou assustado com sua respiração. Estava mais rápida que o normal, mais rápida que antes, mas eu não sabia da gravidade disso. Ele verificou quantas por minuto e ficou branco de susto e pediu para arrumá-la que teríamos que levá-la ao médico. Fomos na casa de um amigo de serviço dele que é médico (eles trabalham em equipe de saúde juntos e embora meu marido seja nutricionista, eles são treinados em equipe para detectar problemas de saúde). Ele a examinou e pediu para irmos urgente para um hospital fazer um raio-x do pulmão dela. No caminho, ela acabou vomitando e começou a ficar mais quente e perdeu toda a vida do rostinho lindo dela. Estava ficando cada vez mais apática. Ficamos na fila para fazer o raio-x e como estava demorando demais para chamar a vez dela e ela ficando cada vez pior, pedi ao meu marido para ver se não daria para colocá-la na frente de quem não fosse urgência. A recepcionista nem ligou e disse que não daria porque os outros ficariam bravos. Aí, meu marido levantou e pediu em voz alta se teria problema em deixá-la ir primeiro e explicou a situação. Nisso, eu só chorava. Mas ainda bem que concordaram (fiquei tão feliz de ver generosidade e preocupação por parte de estranhos que até hoje me emociono) e ela foi fazer o exame. Fez e o radiologista que conhecia minha mãe, olhou o exame e mesmo antes de dar o resultado oficial nos chamou e recomendou interná-la urgente. Fomos mexer com a papelada e enquanto eu ficava com ela em uma sala chorando e me preparando para interná-la naquele hospital, o médico que a atendeu mudou de idéia a emcaminhou para o hospital universitário, pois era o único da cidade que tinha uma boa UTI pediátrica se caso ela piorasse mais. O risco de interná-a ali e depois encaminhá-la para o outro hospital era grande, então seria melhor já levá-la para lá. E assim, lá fomos nós para este hospital do outro lado da cidade sem saber direito o que ela tinha, o que estava de fato acontecendo. Bem, era uma pneumonia bacteriana, mas acho que estavam com medo de ser H1N1. Depois que ela foi encaminhada para o atendimento (só um dos pais poderia ficar com ela, eu entrei um pouco, dei um beijo nela, fiz uma oração e deixei meu marido que entende melhor dessas coisas que eu), ela foi direto para a UTI e ficou lá sexta de tardezinha, sábado o dia todo, domingo o dia todo e na madrugada de domingo para segunda, ela foi para o quarto e depois já teve alta (tendo que voltar todos os dias durante uma semana ou dez dias, não me lembro bem para tomar o remédio que só hospitais podem aplicar).

Bem, enquanto eu e meu pai estávamos sozinhos na recepção do atendimento enquanto ela estava sendo examinada e esperando certos resultados com meu marido meu mundo caiu. Não, eu não conseguiria aguentar sua perda, não, eu não queria que sua irmãzinha crescesse sozinha, não, eu queria estar com ela sempre, não, eu não queria mais viver daquele jeito que estava vivendo a mil por hora não por escolha direta minha, não, eu não esperei tanto para ter filhos e não estar com elas como sonhei, não, eu merecia viver sem máscaras e viver plenamente como antes de minha mãe falecer. NÃO! Aquilo não podia estar acontecendo. 

Eu sempre tive qualidade com elas e no momento que estávamos juntas, eu era inteiramente delas, mas eu queria mais, queria menos correria na minha vida, queria fazer outra coisa, qualquer coisa, menos aquilo tudo. Eu sempre soube que elas eram a minha, a nossa prioridade, mas eu queria mais, precisava mais e precisava mais do que nunca me reerguer por mim, por elas, por meu Ni, por todo mundo, mas principalmente por mim.  

Mas o foco era ela naquele momento e o silêncio de meu pai e o meu revelavam nosso medo: será que o pesadelo vai se repetir em nossas vidas? Graças a Deus passou, ela melhorou e a vida voltou ao normal. Ao normal demais após a semana que passei só com elas. E eu ainda sem forças para saber como acabar com o estilo de vida que estava levando, mas com mais certeza do que  nunca que não queria aquilo para nós.

10) 
-Sempre quis ter três filhos. Sempre. No mínimo três (Ser filha única nunca tinha sido problema até a maturidade, mas com a correria da vida, a morte de minha mãe e a necessidade após este fato de ter mais pessoas me amando de verdade pelo que sou me confirmou este desejo de ter mais filhos. Fora que adorei ficar grávida e ser mãe). Bem, vamos  lá! 2006: ok. 2008: ok. Mas 2010: não deu. Em 2010, compramos o outro negócio. Então não daria para tentar. Afinal não daria para engravidar, ter filhos e dar conta de tudo. 2011 não colaborou: não estava ovulando direito e minha menstruação não estava quase vindo. Fiquei triste, muito triste, decepcionada, chorei sozinha, compartilhei com o Ni e me deu uma sensação de vazio de certa forma. Lógico que sei que já tinha duas, já era abençoada, já era lindo ser mamãe, que muita gente não tinha nem uma. Mas aí rapidamente eu lembrava: "Mas e daí, muita gente tem mãe e eu não tenho mais. O que há de errado em eu querer mais um bebezinho?" Eu me senti traída pelo tempo, pela vida, por mim mesma por não ter "escolhido" engravidar em 2010 por fatores de trabalho já que agora que eu poderia já não estava conseguindo. Parecia que como não segui meus planos e minha intuição de ter as crianças com dois anos de diferença, eu não iria mais poder engravidar. Tudo bobeira eu sei, mas vai explicar para alguém que está sentindo de fato tudo isso que não é bem assim.

Ah, esqueci um item importante nisso tudo:

11)
-Em fevereiro eu entrei em outra década, a primeira que me assustou. Fiz 40 anos. Nossa! Eu com 40 anos?  Não pode ser, ontem mesmo eu tinha 15, 25, 30, 35, 37. Como o tempo passou tão rápido assim? Isto significa que estou velha? Já sou uma senhora? Não, não pode ser. Eu não me sinto assim. Eu me sinto jovem. Mas eu não quero me sentir jovem, eu quero ser jovem de idade, sabe? Humm, acho que vou parar nos 35. Isso, 35 combina comigo?  E assim decretei! E com 35 anos, fizemos uma viagem linda. Fomos para Porto Seguro e foi a primeira vez das menininhas na praia. Ana Luisa com 5 anos e Ana Julia com três. Destino praia? Aprovado por todos! Dias imensamente felizes de não ter relógio, de não ter correria!      

E assim 2011 acabou (Ufa) e veio, 2012:

12)
-Ah, a delícia de ter ajuda em casa e de repente não poder contar mais como antigamente... Bem, para ter a qualidade de atenção às menininhas já que eu não poderia estar em casa das 8:00-11:00 e 13:00- 17:00, nós tínhamos uma babá e também uma empregada doméstica. Em 2012, como eu não tinha engravidado e parecia que não aconteceria tão fácil, iríamos dispensar uma delas. Uma já bastava para as novas necessidades da família. Fazer tarefas seria comigo, assim como jogos e leituras. E elas começaram a acordar naturalmente mais tarde, então daria para ficarmos só com uma  até eu conseguir ver o que poderia fazer para diminuir meu ritmo de trabalho (algo que só eu estava pensando na época). Fora que financeiramente estava mais difícil. Aí, de repente, em janeiro uma avisa que estava grávida já de algum tempo e logo depois a outra avisa que estava grávida também. Naquele caos de vida que me encontrava, comecei a pensar seriamente em não ter empregada nenhuma e ser eu mesma a babá e empregada. Comecei a querer ser dona de casa. De verdade! E fiquei feliz, muito feliz só com a ideia. Não seria essa a solução para tudo? Eu ficaria em casa com as meninas, não teria que lidar com gente, viraria esta página da minha vida e tudo ficaria bem. E de verdade, esse pensamento me acalmou. Mas ninguém acreditava nisso, achavam que era piada, que eu não daria conta de cuidar da casa, de não trabalhar, de "não fazer nada" e que eu sentiria muita falta de estar "em contato com o mundo". Pode até ser que eu não desse conta de limpar, cozinhar, lavar, passar, etc, mas será que seria pior do que eu estava vivendo? Duvido! 

13)
- Bem, enquanto isso, a loucura continuava e eu não via como conversar com minha sócia sobre tudo isso. Eu tinha plena certeza que ninguém entenderia. Aliás, certas coisas que comecei a tentar mudar para viver melhor e mais de acordo com o que precisava no momento soaram como se eu estivesse meio que surtando, sabe? Quando a gente tem algo consumindo dentro da gente e não quer magoar ninguém, acaba se magoando e não sendo entendida de fato. Mas eu não tinha como conversar com ela. Aliás, nem eu, nem ela tinhamos tempo. Eu queria menos correria com certas coisas na escola que acreditava que poderia ser diferente e até melhorar pra todo mundo, mas ela via de forma diferente da minha. Mesmo objetivo, mas maneiras diferentes de lidar. Antes, quando eu dava conta de tudo, eu concordava com tudo para não ter que confrontar, mesmo de forma produtiva, mas eu não estava mais dando conta e comecei a falar ou fazer certas caras ou olhares, não sei e assim a gente acabou se magoando.Mas passava, a correria continuava, às vezes eu fazia de conta que estava tudo do jeito que eu achava que tinha que estar, outras não conseguia fingir. E assim estava indo. Nesse processo de correria de duas empresas (para ela estava também), eu perdi uma grande amiga. Ela não tinha mais tempo para me ouvir de verdade como a gente sempre fez e eu também não tinha esse tempo. E isso foi o que mais de ruim aconteceu. Assim, ela não pode acompanhar isso tudo que estava acontecendo comigo e vice versa.

14)
-Mas aí a correria na vida pessoal também estava grande, as meninas exigindo cada vez mais. Quem diz que é mais difícil quando se é bebê está redondamente enganado, na minha opinião. Antes é fácil, é só dar amor e se doar. É cansativo, mas é mais fácil de dar conta com qualidade total. Depois, começa outras fases: de escola, de alfabetização, de querer se firmar como gente, de ter amigos, de querer ficar mais com amigos, de começar a teimar mais, de ter mais ciúmes, de disputa entre irmãos, de se tornar "gente" e isto exige mais preparo e paciência dos pais se você é do tipo que acredita que dá para educar sem palmadas e sem gritos ou pelo menos gostaria que fosse assim. E eu comecei a não ter paciência. Começou assim: por fora, eu estava bem, mas por dentro queria sumir quando era hora da tarefa, ou hora de lidar com o ciúme e disputa das duas por mim, de teimar para tomar banho, para dormir, para isso ou aquilo e me peguei cedendo cada vez mais nas regras e rotina para não ter que lidar com tudo isso. Não acreditava que seria o ideal, mas não dava conta de ser de outro jeito. Depois de um tempo comecei a gritar muito e ficar sem paciência. Cheguei até a dar umas palmadas, mas isto feriu meu coração. Não queria ser este tipo de mãe. Não queria ser ausente, ter pouca paciência, gritar, etc,etc. Minha mãe sempre trabalhou muito e eu cresci achando que isso era normal, que era pra ser assim mesmo, mas sentia falta e sempre quis que ela tivesse mais paciência comigo. Ela foi uma boa mãe, teve inúmeras qualidades, aprendi muito com ela, mas me deixou certas mágoas. Sei que é inevitável deixar certas mágoas, mas queria estar com minhas filhas, ter paciência com elas, estar junto na hora da tarefa enquanto elas fossem pequenas, ensinar (adoro ensinar. Sempre ensinei e tive paciência com os filhos dos outros, então nada mais justo do que ser assim com elas). Enfim, pela primeira vez, não estava tendo a paciência que sempre tive e acredito que sempre deva ter. Não digo que busco a perfeição, mas o meu melhor com elas sim. E isto me deixava triste e exausta por dentro.

15)
-E com as duas que trabalhavam em casa, grávidas, uma hora uma faltava, outra hora, a outra faltava, mas ainda dava pra levar. Mas aí, uma ganhou bebê e ficamos só com uma grávida. Comecei a não poder contar  como podia antes e comecei a não ir toda manhã como antes. Não ia trabalhar de manhã somente quando ela faltava, mas já me deixava com sensação de culpa.

16)
-No trabalho, novamente me decepcionei com funcionário de confiança e esta foi a gota d´água. Contei, mas não tudo para minha sócia porque não queria que ela passasse pelo stress desnecessário de ouvir tudo que fiquei sabendo que falavam sobre ela e eu pelas nossas costas. Ah, quando a gente confia em alguém e se decepciona. É horrível. Mas bola para frente, mas daquele jeito de correria e sufoco geral acumulados por tantos anos.

17)
-Enfim em maio, eu tive uma dor horrível no abdome, fui parar no Pronto Socorro pela primeira vez na vida e fui internada pela primeira vez na vida: suspeita de apendicite. Não era, não direito o que foi, mas sei que na semana seguinte, estava de volta com as minhas obrigações. Aí, minha sócia e uma outra amiga que trabalhava na Coordenação Pedagógica comigo, me deram o restante do mês de licença para eu me tratar, ir a médicos, ver o que estava acontecendo comigo. Enfim ficou visível que e não aguentaria aquela vida daquele jeito. Disseram para eu voltar em agosto, na volta às aulas. E assim fiz uma peregrinação a médicos e com meu eu. Mas em junho já tinha problema para resolver, em julho já tinha outras coisas e aí, eu decidi conversar com minha sócia e colocar a seguinte situação:

-Não consigo mais! Não tive tempo de ter luto, estou sem empregada, sem babá (nessa época ela já tinha tido o bebê), paciência e brilho no olhar. Queria muito ficar mais com minhas meninas, ter paciência com elas como eu sempre tive, quero muito engravidar e sei que nesse ritmo de vida, nada disso vai acontecer. Propus tirar uma "licença" a partir de agosto de 2012 até 2013". Disse ainda que se fosse de uma outra forma, eu não teria mais como ser como sempre fui. Que eu precisava deste tempo.    

Neste meio tempo, havíamos discutido vender vender a outra escola e já tínhamos possível comprador. Quando já estava quase certo o negócio, foi mais fácil definir esta minha licença, afinal voltaríamos à correria dita normal. Combinamos que eu teria uma retirada proporcional ao que trabalhasse para não ser injusta com ela trabalhando em ritmo normal. Fiquei a partir de agosto em casa de manhã com as meninas e cuidando da casa e indo poucas vezes ao trabalho a tarde. Voltei a fazer exercícios, fiz outras coisas para mim e minha saúde e entrei no processo de me libertar da culpa de "não fazer nada" se comparado com antes. Culpa essa não por mim, mas pela sociedade e não querer ser injusta. Fiz neste semestre dois workshops de fotografia e pude enfim estudar e praticar algo que sempre me fascinou. Fazia muito tempo que não tinha hobby, que não tinha interesses a não ser as meninas, a vida em família e o trabalho. Voltei a ouvir música. Comecei a cozinhar alguns dias e algumas coisas, nada com obrigação. Depois de algum tempo conseguimos uma faxineira e isso aliviou as coisas um pouco. E além disso, pude dar mais atenção ao meu Ni e ao nosso nós.

18)
-Mas confesso que quase não tive tempo à toa como preciso ainda. Fiz coisas demais e fiquei pensando demais, tentando imaginar como faria para poder ter a vida que gostaria. Fiquei imaginando que profissão eu poderia ter, que emprego poderia ter que pudesse facilitar estar mais com minhas meninas. Fiquei sofrendo por antecipação por medo de ter que voltar àquela vida que não me cabe mais. Eu mudei e minha vida tem que se adequar à essa fase que estou vivendo e sentindo. Vida ideal? Ficar com elas quando elas tiverem em casa e trabalhar no outro período. Vai dar certo? Não sei, mas vou tentar. Mas não consegui engravidar e como não estou ficando menstruada ou ovulando, nem sei se poderei conseguir. Me falaram pra fazer tratamento, mas essa não sou eu. O que tiver de vir, vai vir naturalmente já que tenho minhas duas menininhas. Tenho que fazer mais um exame, mas pode ser que eu esteja na fase que chamam de pré-menopausa. O que? Como assim? Mas já não me dói tanto o coração isso (ainda um pouco, mas menos que antes). Queria ter mais um bebezinho, queria engravidar mais uma vez, mas poderia também adotar. Sinto em meu coração como se alguém aí pelo mundo estivesse à minha procura, assim como eu sentia antes de me casar com o Ni. Com ele deu certo, tem dado certo, com relação ao bebezinho, não sei. O Ni tem certos receios e eu não quero forçar uma situação. Vamos ver.   

2012 se foi e chegou 2013. E com ele uma situação que não gostaria de passar nas próximas férias:

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- Desde que nos tornamos proprietárias em 1995, nunca tivemos férias de 30 dias. Temos a semana do Natal e do Ano Novo e depois mesmo não tendo alunos sempre há algo a ser feito (horários, notas, problemas de horário, exames finais de SP para serem revistos, propaganda, etc, etc.) Nada fora do normal, mas não ter 30 dias de férias faz falta. Aliás, não ter tido licença maternidade fez falta. Nas duas vezes. Não sentia isto na época porque dava conta e ainda tinha energia e disposição, mas hoje sei que deveria ter colocado meu lado pessoal acima das minhas responsabilidades. Mas não me culpo porque eu não via as coisas assim. Nem pensava diferente, afinal quando se tem negócio próprio,a gente faz o que precisa ser feito e nem percebe que podia ter sido diferente Achava que era assim mesmo. Mas hoje em dia, eu quero e preciso de férias, de licença, seja o que for. Férias de 30 dias é necessário. Faz bem a longo prazo para uma pessoa que tem a vida como eu tenho com duas menininhas bem ativas e que precisam tanto de mim ainda. Fora que faz bem pra mente a longo prazo. Hoje eu sei. Eu paguei um preço muito alto por não saber disso e não quero repetir meus erros. 

Este janeiro está sendo difícil porque pela primeira vez estou sem empregada fixa e preciso fazer coisas da escola que necessitam minha atenção total (horário, distribuição de professores, exames de SP para serem revisados, cronograma e calendário 2013, tópicos da reunião de professores). E minhas meninas precisam de minha total atenção. Tenho ficado com a cabeça cheia ao procurar solução e sei a resposta: não ter que fazer estas coisas no mês de férias das meninas. Ter os 30 dias que merecemos e devemos ter. Mas não deu, então tenho pedido para minha sogra quando ela pode ficar com as meninas (mas elas juntas dão bastante trabalho - briguinhas, ciumes, agitação normal de criança, mas que cansa qualquer pessoa, então imagina quando se tem 77 anos), tenho feito de madrugada ou bem de manhãzinha, em horários que elas estão na varanda ou calçada na frente de casa, mas com o risco de ter erros porque não consigo ficar mais do que cinco minutos sem ser interrompida. Esta semana não fui na escola e me policiei para não dar a proporção indevida a estas coisas. Fiquei bem, mas estou atrasada com as coisas. Mas consegui viver o momento com elas. Tive mais paciência com elas, as situações delas, com os amiguinhos delas, com as bagunças, com tudo. Foi bom! Muito bom! Mas para isso, eu não pude terminar antes o que minha sócia gostaria que eu terminasse, mas entrego na segunda-feira. Atrasada, mas com tempo hábil ainda. E isso me deixa culpada, mas estou aprendendo a lidar melhor com isso e não me deixar afetar ou afetar minha relação com minhas meninas. 

Mesmo nos dias mais difíceis sempre soube o quão abençoada sou, assim como os que estão ao meu lado. Tenho muito o que agradecer e sei que muitas pessoas passam por coisas que nem consigo imaginar. Sei de tudo isso e sempre agradeço a Deus por tudo que tenho e as pessoas que tenho em minha vida, mas também não posso fazer de conta que está tudo exatamente do jeito que deveria estar quando sei que não está. Sei que depende de mim certas mudanças, pequenas ou grandes. E se for para poder voltar a ser como eu era (pelo menos um pouco porque aquela pessoa exatamente do jeito que era se foi junto com minha mãe), eu acho que vale a pena a reflexão e a busca. Só quero o bem de todos, mas não posso me esquecer de mim mesma como fiz. Algo me diz que estou indo no caminho certo e que todos ganharão com isso!    

Mas para que escrever tudo isso? 

Para colocar para fora para eu nunca mais voltar àquele lugar que estava em minha vida e também para minhas meninas um dia saberem o que acontecia com a mamãe delas enquanto elas estavam crescendo. E para voltar ao blog. Espero que por definitivo agora! A escrita me faz bem! E como faz!

FELIZ 2013 Luciana! Que todos os seus sonhos se realizem! Que você consiga o que sonha, almeja e merece!

FELIZ 2013 menininhas e família! FELIZ 2013 todo mundo!

Porque gente feliz gosta de ver os outros felizes!  E é isso que o mundo realmente precisa!

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