terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A menininha menor e a escolinha! 01/02/2011

Hoje foi o primeiro dia da Ana Julia na escolinha. Como me senti e estou me sentindo? Ah, não sei... Feliz? Sim! Ansiosa? Sim! Pensativa? Sim! Normal? Sim! ... Normal? Alguém pode perguntar, "Como assim?" É que deu tudo tão certo, tudo se encaminhou tão bem parece que hoje foi um dia como outro qualquer (mesmo que saiba de sua extrema importância). Ao levá-la para a escola hoje, a constatação óbvia de que meu bebê estava crescendo rápido demais me levou a refletir sobre inúmeras coisas. Mas vamos por partes...

Feliz: Minha menininha está crescendo. Que gostoso vê-la passando por tantas fases. Que gostoso vê-la feliz com a mochilinha. Que gostoso ela ter a oportunidade de cantar, brincar, pular, ficar feliz, triste, com raiva e exatasiada e demonstrar isso para outras pessoas a não ser nós da família (isso ajuda a dar chão e a dimensionar o seu eu e espaço e o dos outros). Que gostoso ela poder ter seus próprios amiguinhos e não só os da irmã. Que gostoso para ela descobrir esse mundo além de nós (mesmo que isso me assuste um pouquinho).   
Ansiosa: 1- ("Humm, quando a Ana Luisa tinha 2 anos e 4 meses (idade da Ana Julia hoje), a Ana Julia tinha acabado de nascer. Bem, eu quero ter outro filho. O Ni também. E eu nem engravidei ainda. Então quando eu engravidar (se engravidar), a diferença vai ser de três anos ou até mais. E eu queria tanto que fosse menos. Aliás, eu queria que a diferença fosse igual.) 2 - (Mas será que ela vai gostar? Será que é a hora certa mesmo de colocar? Será que a professora vai ser legal? Será que vamos gostar mesmo da escola ao longo dos anos? Será que os amiguinhos vão ser legais? E os papais deles? Como será que ela vai agir na escola? Será que vai querer ficar sem mim hoje? Será que vai ter um monte de papais e mamãe corujando? Será que vai dar para tirar fotos sem atrapalhar este processo? Ou será que eu filmo? Será que ela vai ser amada como é em casa? Será que...).
Pensativa: (Nossa a Ana Julia já tem 2 anos e 4 meses. Meu bebê...Minha princesinha...Pode ficar tranquila, lindinha. A mamãe não vai deixar ninguém fazer mal pra você, viu? Nossa, nunca imaginei tanto amor. É tanto, mas tanto amor que dói, às vezes, quando penso nela nessa mundo por aí. Queria tanto poder mantê-la debaixo das minhas asas para sempre. Assim, bem protegidinha, bem segura, bem minha. Fofinha da mamãe, parece que foi ontem que você nasceu, mas ao mesmo tempo parece que te conheço há tanto tempo, como se fosse desde sempre, sabe? Ah, você e sua irmã são donas de mim, daquela parte do meu eu que oferece o melhor lugar, o lugar mais lindo e seguro. Escolinha? Já? Será?)
Chegando na escola: (Ai, ai,, ai, como será que vai ser? Calma Luciana, fique calma, não demonstre insegurança, não demonstre nada além de tranquilidade) Vem, meu anjo, chegamos. Você vai ver como vai ser bem legal, viu?
Normal: (Normal de mamãe,tá? Aquele tipo cheio de amor e de sentimentos bons). Bem, só agora que já fomos, deu tudo certo e já estamos de volta em casa, senti isso. Ela agiu como ela é: estava insegura no início pelo ambiente novo. Ficou no meu colo, não quis entrar na salinha, não forçamos, ficou no colo do papai, mostramos as salas, entrou na salinha comigo no colo, sentou na cadeirinha, mas longe dos amiguinhos, deu tchau para o papai que tinha que ir trabalhar, brincou um pouco ali comigo, a levei para a mesa dos coleguinhas, brincou comigo ali, viu uma bola perto, foi atrás, trouxe a bola, amiguinhos tirando o sapato para ir no parquinho, ela não quis tirar (O que? Ela não quis tirar? Como assim? Estamos falando da menina que chora e quase grita quando tem que calçar algo?), uma tia a chamou pela mão, ela não quis ir, resolvi levar com calçado mesmo, ela não pediu colo, foi andando, uma tia ofereceu a mão, ela deu, mas puxou a minha primeiro, eu fiquei  para trás (não deu para passar na porta junto), ela foi e eu fiquei. Olhei pela porta, ela estava indo com a professora. Olhei de novo, ela já estava na areia. Olhei de novo, não a vi mais. Coração apertou e me toquei que era hora de ir embora. Fui, morrendo de vontade de olhar para trás, voltar e dar um beijinho, mas lembrei que era o seu momento sem mim e fui embora. Minha menininha estava batendo as asinhas, meio timidazinha como em todo o início, mas estava iniciando seu mundinho além do nosso lar. Fui, meio perdida, sem saber o que fazer (tinha tirado a tarde livre do trabalho), meio perdida, mas aí o pessoal do trabalho me ligou e eu tive que resolver tanta coisa que quando vi já era hora de buscá-la. As horas passam mais rápido quando se acha algo para fazer (ou como no meu caso, acharam para mim). Cheguei 5 minutos atrasada e para minha surpresa encontro assim minha anjinha:

Foi um dia perfeito. Deu tudo certo (ela brincou, ficou bem, perguntou um pouco de mim, pediu colo, brincou, mamou e dormiu). E mesmo que não tivesse dado tão certo assim, teria sido perfeito. Minha menininha mais nova está crescendo e seja o que for, estaremos ao lado dela para o que der e vier.
Bem, hoje optamos em deixar sua irmã (Ana Luisa, 4 anos e 6 meses) longe desse processo. Não foi uma decisão fácil, mas ela estava muito ansiosa com a volta às aulas já que está mudando de escola. Quando expliquei que nessa semana iria a Ana Julia e que só na semana seguinte ela iria, houve primeiro uma reação de ciúmes (afinal era a escola dela quando ela era mais novinha), depois de dúvida ("Ela vai estudar com os meus amiguinhos e eu não vou?"), depois, quando expliquei mais, de proteção ("Mas mamãe, eu tenho que mostrar tudo pra ela"). Pensamos e chegamos à conclusão de que como não sabíamos como a Ana Julia iria reagir (ou a Ana Luisa), o fato de ver ou imaginar a mamãe indo embora com a irmãzinha não iria ajudar muito. Assim, a Ana Luisa foi na casa da vovó Irene, se divertiu (e lógico, comeu sua porção sagrada de chocolate por lá) e a Ana Julia foi conosco para a escolinha. Amanhã, acho que vamos levá-la junto, pois ouvi ela explicando para a vovó Irene que os bebezinhos iam para a escola primeiro e só depois os grandinhos. "E eu já sou grandinha, não sou?" '
É, minha linda, você é. Mas que fique claro, muito claro. Vocês vão ser sempre bebezinhos para a sua mamãe. E meu colo será sempre de vocês.


PS...Depois de duas semanas, ela já agia como se lá fosse uma extensão de nossa casa. E continua assim. Mas logo coloco link do que aconteceu nos dias seguintes a esse primeiro dia. Adianto um pouco: não houve choro durante as duas semanas seguintes, mas não houve quem a tirasse de perto de mim ou, quando se desvencilhou, não houve quem conseguisse tirar seus olhos de mim. Resumindo: fiquei em sua sala por duas semanas. As crianças da sala já achavam que eu era também professora...

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