segunda-feira, 16 de agosto de 2010

E às vezes é mais ou menos assim... 16/08/2010


Bem, estou eu aqui na minha precoce crise de meia-idade... (Que vou fazer da vida? Que vou ser quando crescer? Como faço para sentir de novo não só a responsabilidade e competência, mas também aquele desafio e paixão do início da profissão? Quando vou me aposentar e inventar outra coisa para fazer? Quando vou decidir largar tudo e virar mãe e dona de casa em tempo integral? Quando vou poder trabalhar de vez bem menos horas e sem me sentir culpada? Quando vou ter algum hobby pra valer e ter tempo pra isto sem ser com hora marcada? Quando vou colocar em prática alguns projetos que venho pensando, planejando e sonhando já há algum tempo? Quando vou ser dona do meu nariz? Fazer o que quero, na hora que quero, do jeito que quero? E o mais difícil...como vou fazer tudo isso na minha vida profissional sem deixar na mão quem amo e respeito? E como vou fazer tudo isso e ainda ter dinheiro suficiente -e sobrando um pouco, é claro- para pagar as contas e desejos da família do tamanho que sonhamos?) ...
Se ainda não ficou claro, eu estou a beira de uma ataque de nervos com esta dita vida adulta. Compromissos, obrigações, contas e mais contas pessoais, mas também profissionais, sonhos abafados, desejos controlados, hora marcada, hora para quase tudo, segunda e de repente segunda-feira de novo, médicos, dentista, morte e saudade cortante de minha mãe. Além daquela vontade louca de dar uma guinada. Daquelas que fazem as pessoas pensarem que o outro ficou louco. Daquele tipo de largar tudo e levar menininhas, marido e pai (tá, quem sabe o Bonnie, nosso danado labrador preto que a Ana Júlia tanto ama e que a Ana Luisa chora de saudade quando não está perto dele) para bem longe.

Começar tudo de novo. Não ter que sorrir se não tenho vontade (e olha que é chegar qualquer data especial depois de perder minha mãe que fico assim). Não ter que me preocupar com quem está perto de mim pensando se conheço, se não conheço. Não ter que sair de casa, se não estou com vontade. Não ter que ser diplomática ou incentivadora ou lider no serviço. Apenas seguir ordens, se tiver que trabalhar. Pensar no máximo o hoje e não planejar, prever dificuldades e agir profissionalmente pensando sempre no amanhã.

Quero ficar quietinha! Quero voltar a sorrir com o coração! Preciso de um tempo só! Longe e só com os meus botões e aqueles que já mencionei acima. Preciso me encontrar. Eu parei no tempo quando minha mãe morreu, mas fui arrastada pela vida. E além disso, me sinto um pouco só nesta dor porque depois de um tempo quase ninguém se lembra mais da dor que quem fica sente. E aí, quase ninguém pergunta mais ou dá colo ou liga pra saber de você ou percebe ou sente sua ausência ou dor.

Tenho muito o que agradecer, eu sei, mas esta vida sem minha mãe, esta vida de mulher de negócios em dose dupla, de esposa, dona de casa e mãe em dose dupla têm me deixado sem ar.

Acho que estou assim mais pela saudade e necessidade de minha mãe e aí tudo fica mais sufocante, mais sem sentido no todo. Aí, junta um trabalho cheio de cobranças que me deixa com menos tempo do que preciso para ficar só e também com minhas lindinhas e família e amigos e para fazer coisas leves e necessárias para se viver, e pronto: a bomba-relógio está acionada.

Preciso me redescobrir. Preciso aprender a viver e ser sem minha mãe. Ainda não tive tempo de aprender.

Quando ela faleceu, eu estava grávida de 8 meses da Ana Julia e a Ana Luisa estava com 2 anos e 1 mês. E sem perceber, eu não sofri o luto como deveria. Acredito que inconscientemente eu quis proteger minha bebezinha que ainda estava dentro de mim e também minha outra menininha. Minha barriga continuou a crescer vorazmente e logo depois nasceu nossa segunda menininha e aí quem já teve filhos ou acompanhou de perto quem teve sabe a loucura que é. E assim, se passou mais de um ano e quando percebi de fato, e sem me apoiar ou fugir insconscientemente, minha mãe não tinha voltado e nunca mais voltaria. Chorei muito sua ausência desde o princípio e durante todo este tempo, mas a ficha só caiu bem depois quando nossa bebezinha já estava correndo por aí: minha mãe, aquela que me amava incondicionalmente e que era minha confidente não estava mais entre nós, não do jeito que eu ainda precisava e preciso.

Mas não se preocupem, já procurei ajuda. Estou em busca do meu eu. Do meu eu leve, feliz e completo (mesmo na incompletude) que era quando tinha minha mãe e protetora por perto. Aquela que me amava incondicionalmente e que me apoiava, brigava, ouvia, ficava do lado, dava bronca, mas que me amava e só queria o meu bem. Nunca mais vou ter alguém como ela em minha vida, eu sei, porque mãe é só uma, mas embora ainda pareça um sonho distante, estou em busca de acreditar nas pessoas e na vida como um todo de novo.

Desculpem o desabafo. Na verdade eu tinha vindo aqui hoje para falar de uma coisa fofa que ouvi a Ana Luisa falando para sua irmãzinha Ana Julia e que tinha a ver com o início desta postagem (e quem tem filhos sabe as coisas fofas e bobas que as crinanças falam e fazem). Mas quando vi, a coisa foi para outro lado e pensei: "Quer saber, deixa fluir o coração, coloca para fora, deixa a rigidez e metas a cumprir para o trabalho, seja você mesma".

E essa sou eu hoje, dia 16 de agosto de 2010, a 3 dias do dia que não pude mais ouvir a voz daquela que embora nunca tenha sido perfeita, sempre foi aquela pessoa que quando as coisas apertavam, estava ao meu lado. Sempre!

Vai fazer dois anos que minha mãe se foi. E ainda parece mentira. Ainda preciso do seu colo...


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