quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Carta de esperança! 19/08/2010

Esta é uma carta de esperança feliz.

Mãe,

Lembra deste lugar? Foi quando fomos eu, você, meu pai e o Ni para o litoral juntos pela última vez. Fomos nesta ilha e como fomos de barco e eu já não estava muito bem (além de passar mal em barcos muito próximos da água e em velocidade lenta, daquele tipo que faz com que aquele balanço fique ainda mais oscilante...), bem, resumindo, eu passei mal e fiquei mal boa parte do dia que ficaríamos lá. Mas o que é importante é que eu não pude curtir quase nada e você ficou comigo em seu colo boa parte do tempo. E essa gruta foi um destes lugares que ficamos assim. Eu em seu colo e o Ni e meu pai curtindo a praia um pouco. Foi gostoso. Foi reconfortante ter seu colo. E é isso uma das coisas que mais sinto falta: seu colo e apoio quando eu mais precisava e não só quando eu queria.

Sinto sua falta, mãe. Todos sabem disso e devem estar cansados de saber, mas sentir sua falta é parte de mim agora, quer eu queira ou não. Esta sou eu agora.

Mas não vim aqui hoje para falar de minhas tristezas. Vim para dizer que estamos caminhando. E isso é algo positivo. Pergunte para qualquer pessoa que já passou por uma perda dessa. E estamos todos juntos nessa caminhada. O que torna tudo mais suportável.

Tivemos nossas dificuldades, mãe, mas você me criou bem. Estou tentando me encontrar nesta nova fase de minha vida, nesta fase sem você para me dar colo ou me fazer refletir.

Meu pai, o Ni e as menininhas estão bem. Temos dias felizes ao extremo, dias de luta, dias de caos, dias de gargalhadas sem fim, dias de tristezas...mas se bem que com duas menininhas fofas falando e aprontando o tempo todo fica difícil não sorrir.

Mãe, hoje faz dois anos. Dois anos sem você. Dois anos sem ouvir sua voz. Mas estranhamente (ou não) eu estou bem. Não no sentido que todos sentem este bem estar porque estou ainda incompleta, mas sinto esperança de que vou me levantar de verdade. Sei que vou ter recaídas, sei que vai ainda haver dias de total abandono, mas não vou me cobrar ser perfeita, da maneira que eu acho que deveria ser e agir e sentir, não vou me cobrar me sentir completa ou estar feliz por completo como me sentia antes porque sei que isto nunca mais vai acontecer. Só vou me acostumar a ser feliz deste jeito e me permitir esta felicidade porque a felicidade não tem forma definida. Ela pode ser moldada.

Me ajuda, tá mãe?

Te amo infinitamente!

Sua filha,

Luciana...

P.S.: mãe, ontem a noite, deitada com a Ana Luisa na penumbra, eu contei a ela a verdade sobre você. Você sabe que nunca mentimos, mas nunca conversamos tampouco. Mãe, eu chorei depois sozinha, mas foi um momento lindo para mim. Foi mais leve do que imaginava. A senhora teria ficado orgulhosa. Depois te conto melhor. Beijinhos e deixa eu ir que as menininhas estão fazendo alguma arte e é melhor eu ir correndo. Te amo!

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