quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Lei mais que necessária! 01/09/2010

As menininhas Ana já sairam do hospital na cadeirinha (bebê-conforto para essa idade). Nunca andaram no carro sem. Simples assim! Nem sei escrever sobre algo tão óbvio quanto a segurança de nossas crianças. Vou falar o que? S-E-G-U-R-A-N-Ç-A! Já fala tudo! Não precisa muitas explicações. Não precisa muita instrução para saber da necessidade de oferecer proteção para quem não sabe se defender sozinho ainda. Em nosso carro, no banco da frente ou no banco de trás, na cidade ou na estrada, é obrigatório o uso de cinto (da família ou não). As possibilidades de se salvar alguém é infinitamente não sei quantas vezes maior do que as estórias de pessoas que morreram porque ficaram presas ao cinto. Além de que é lei, gente. E foi feita pensando no bem maior. E é importante. Criança ou adulto acaba se acostumando sim. E não faz birra se for acostumada, se qualquer adulto for firme. Afinal de contas, birra para tomar banho, birra para colocar roupa, birra para não comer algo, ou qualquer outro tipo de birra é resolvida porque os pais vêem certas coisas como essencial. E proteção é essencial! E ponto final!

(Essa seria uma das causas que trabalharia como voluntária. Alguém já viu vídeos de testes de batidas com e sem cinto? É de assustar pensar o que pode virar alguém sem cinto em uma batida, mesmo na cidade, mesmo que você dirija bem ou dirija devagar. Nunca se sabe do outro, não é? E sabia que se alguém atrás de você estiver sem cinto, você no banco da frente com cinto pode sofrer e até morrer devido à forte colisão em você? É de parar para pensar! Pense sim! Sua vida agradece e a dos outros que te amam também)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Conversa com a Ana Luisa!

Antes que você leia esta postagem, devo avisar que vou contar algo importante para mim e para minha família: a minha conversa reveladora com a Ana Luisa sobre a vovó Jaci. Acredito que será longa, mas poder falar sobre isso significa que estou caminhando, que estou tentando seguir em frente. Passos leves, paradas, passos apressados, algumas outras paradas, mas seguindo em frente.
Pensei em falar sobre coisas alegres, sobre as gracinhas e artes de minhas menininhas, sobre as falas engraçadas da menininha maior e das transformações e ações fofas da menininha menor. Afinal, tenho tanta coisa assim para falar e todo mundo já tem seus problemas. Leveza é importante, mas pode ser que me entendam melhor ou que entendam o que passa com alguém que perde alguém essencial em sua vida. O que dizem é verdade sobre quem mais precisa de ajuda: quem não demonstra precisar e mesmo quem parece ter tudo que poderia ter para ser feliz de verdade e por inteiro. Mas vamos lá:

Quando minha mãe faleceu, a Ana Luisa tinha 2 anos e 1 mês e eu estava grávida de 8 meses de nossa Ana Júlia.

A notícia veio na madrugada que iniciaria o dia 19 de agosto e aconteceu há dois anos atrás. E tudo o que aconteceu depois permanece vívido em minha memória e ao mesmo tempo que parece que aconteceu ontem, parece que aconteceu séculos atrás ou durante aquele tipo de sonho que nos deixa sem medo, mas que também nos deixa sem entender muita coisa e sem lembrar de todo e cada detalhe.

Dois anos: setecentos e trinta dias sem contar para a Ana Luisa toda a verdade sobre sobre a vovó dela.

Nunca mentimos. Nunca fugimos propositalmente do assunto. Nunca tivemos a intenção de chegar a isso.

No dia não a levamos para ver minha mãe. Aliás, não a levamos para ver o seu corpo porque minha mãe finalmente já tinha ido para um lugar melhor, já não estava ali, já não estava em uma cama, com dores e com sofrimentos, já não estava mais em um hospital.

Não pensei racionalmente em não levá-la. Não tive a intenção de poupá-la de qualquer sofrimento. Não sou esse tipo de mãe. Simplesmente a madrugada se foi, a babá chegou, fomos providenciar tudo que precisa ser providenciado nessa hora, voltamos, escolhemos a roupa de minha mãe, comemos algo, a Ana Luisa dormiu porque já era hora do seu cochilo, saímos, passamos pelo momento da chegada ao local onde seu corpo estaria, esperei um pouco, a vi pela primeira vez sem vida e mesmo que não tenha tomado nada para controlar essas emoções, a partir daí não me lembro mais das horas passando.

Lembro apenas das pessoas chegando, do calor de cada abraço, lembro de chorar, lembro de sentir paz, lembro de não sentir nada, lembro que já era hora de comer algo, lembro de ter deitado no ombro de meu pai, lembro que fomos de madrugada para casa, lembro de ter tomado banho, lembro de ter deitado um pouco, lembro de ter conversado com a menininha em minha barriga, de ter beijado e sussurrado algo no ouvido da Ana Luisa que já estava dormindo, lembro de ter abraçado forte o Ni e lembro do desespero que senti quando vi que já tinha amanhecido e que tudo aquilo não tinha sido apenas um sonho.

Saímos de casa antes dela acordar e só voltamos depois e sem condição alguma de conversar.

E assim, os dias passaram, a Ana Julia nasceu e aquele caos maravilhoso tomou conta de nosso lar. E nunca mais falamos abertamente sobre isso com ela e muitas vezes nem entre nós mesmos. Era tudo muito doloroso. Lembro de madrugadas que conversei com meu pai ou com o Ni sobre nossos sentimentos e saudades e dizia a eles que queria contar para a Ana Luisa, mas não sabia como e não sentia que era ainda o momento ideal. Achava que ela ainda não estava preparada e com o certo tipo de maturidade que permitisse que ela pudesse realmente entender e se despedir daquela pessoa tão forte e marcante nesses dois primeiros anos de sua vida.

As duas tinham uma conexão muito forte. Ana Luisa a amava muito. E nem preciso falar da importância da Ana Luisa na vida de minha mãe. Sempre que ela estava perto de minha mãe, ficava junto, perto mesmo, mas com um cuidado com minha frágil mãe de um modo que ela não era com nada e nem ninguém. Ela sempre foi um furacãozinho, mas perto de minha mãe era suave nos movimentos para não machucá-la. Sempre estava dentro da cama hospitalar de minha mãe em seu quarto em casa e sempre perto.

Minha mãe foi internada muitas e muitas vezes nesses dois anos que a Ana Luisa a conheceu. E como tinha sido as últimas vezes, esta última vez que minha mãe foi internada, ela foi de ambulância e a Ana Luisa acompanhou tudo, até do momento que lemos um salmo antes de minha mãe ir pela última vez. E lá se foi a vovó da Ana Luisa e da amada menininha que estava em minha barriga. E ela nunca mais voltou.

Não era o momento de contar. Nem para ela, nem para mim.

A Ana Luisa nesses dois anos sempre falou da avó. Para ela mesma, para nós e com frequência para a Ana Julia. Contava estórias, lembrava de quase tudo, mostrava fotos e tocava no nome dela quando menos esperávamos e assim, sempre ficava sem saber o que fazer e o momento passava.

O tempo voa quando temos crianças em casa. E como sempre ela falava da avó, dominava o assunto e mudava de assunto de novo, eu fui deixando para depois. Mas um dia, a conversa mudou e eu percebi que era hora de eu encarar esta situação de frente. O diálogo a seguir me tirou o chão e me fez perceber que eu tinha que encarar isto de frente:

Eu e a Ana Luisa estávamos sozinha no carro voltando de algum lugar. E como toda criança de 3 anos, ela vinha falando, falando,falando. Aí de repente, ela diz:

-Mamãe, aonde está a vovó Jaci?

Na hora que ouvi essa pergunta, meu corpo e coração gelou. Não sabia o que fazer. Aí, ela brava:

-Mamãe?????

E antes que ela me perguntasse de novo e eu não soubesse o que responder, fiz o que fazemos quando não sabemos o que fazer:

-O que? O que você perguntou pra mamãe?

Ela toda brava disse:

-Manhê, eu perguntei aonde es-tá a vo-vó Ja-ci!!!!

Eu fiz que não ouvi de novo e fui salva por um enorme cachorro que estava latindo e correndo igual a um louco.

-Mamãe, você viu que cachorro grandão, mamãe?

E depois disso, minha vida não foi mais a mesma.

A Ana Julia, nossa bebezinha, já não era mais tão bebê. Ela já estava com quase 1 ano e 6 meses e eu envolvida com o seu desenvolvimento que tanto exigia, com as necessidades e desejos de uma outra menininha de 3 anos, na pressão e exigências profissioanais de quem tem negócio próprio ainda não tinha tido tempo e espaço para lidar com a dor da perda de minha mãe do jeito que precisaria para tentar seguir adiante. Falta de tempo e espaço me prenderam na dor que nem eu sabia que sentia tanto. Eu sentia muita tristeza, vazio e saudade, mas quando ela me perguntou diretamente sobre minha mãe, eu precisava saber o que fazer e não sabia e a partir daí, tudo piorou. Sozinha, sem ter com quem conversar a não ser com meu pai e o Ni (as pessoas já não perguntavam mais, já não se solidarizavam tanto já que mais de um ano já tinha se passado) e fui ficando sem ar.

Soma-se a isso cobranças e pressão profissional, horas e mais horas sendo sugadas por algo que já não me interessava tanto quanto minha necessidade de me encontrar e me fortalecer e pelo meu desejo de me dedicar ao que mais importa nesta vida: a família e a paz de espírito.

Além disso tudo, ainda moramos na casa que respira minha mãe aonde quer que vamos e estamos pagando empréstimo profissional para nossa nova empresa, o que significa que os planos de construir e nos mudar terão que ser adiados mais um pouco. E o mais difícil: eu sentia muita falta de minha mão como amiga, conselheira e companheira. Ah, e como sentia falta da vovó de minhas menininhas...

Tenho poucos, mas bons amigos, mas com toda a correria de minha vida e da vida de todos, fica difícil a conversa aberta e de apoio. Além disso, quem não passou por uma morte de alguém tão próximo como uma mãe tão presente não tem como ter idéia de todo tipo de sentimento que vive e revive alguém nesta situação. Aparentemente, eu estava bem, mas no fundo não estava.

Demorou, mas procurei ajuda. Foi difícil chegar à conclusão que com o tipo de vida corrida e sem tempo e espaço para tentar me recuperar sozinha, eu precisava de ajuda. Fui e, apesar da desconfiança do começo, tem sido de extrema ajuda.

Nesse meio tempo, vimos um gatinho morto perto de casa e vi que era a forma que Deus me apresentou para eu iniciar a falar sobre o acreditamos aqui em casa. Tudo foi perfeito e ela começou a falar sempre sobre o gatinho que tinha morrido e ido para o Céu...

Logo depois, ela achou um album de quando tinha três meses e em uma das fotos do natal daquele ano estava nosso primeiro labrador preto, o Zulu, que morreu logo depois. Ela viu sua foto e achou que fosse nosso outro labrador preto, o Bonnie. Aproveitei e falei sobre ele e que havia morrido também assim como aquele gatinho. E assim, ela começou a falar sobre o Zulu...

E assim, na correria da vida foi chegando o aniversário da morte de minha mãe. Na noite anterior, a Ana Luisa que havia dormido relativamente cedo, acordou e era a vez do Ni dar atenção a ela, mas ele estava dormindo, então eu acabei indo ficar um pouco com ela.

Chegando lá, ela estava toda amorosa dizendo o quanto me amava e me abraçando apertado. Ainda não era lua cheia, mas estava claro pela luz da rua e até da própria lua. E de repente, eu senti que era o momento. Senti um frio na barriga, mas senti paz também:

-Ana Luisa, você está acordada?

-Tô mamãe. Por que?

-Não, meu anjo. Por nada...

Silêncio...

-Ana Luisa, posso te falar um coisa?

-Pode mamãe...

-Você sabia que a vovó Jaci está lá no Céu?

-No Céu, mamãe?

-É, no céu...ela estava velhinha e bem dodói. Você lembra? Você lembra que ela ficava na cama e andava de cadeira de roda?

-Sim, mamãe... ... ... Mamãe, ela está lá no Céu com o gatinho e com o Zulu?

-Tá sim, minha linda... ... ... Você se lembra que a mamãe falou que o Céu é o lugar que as pessoas e os bichinhos vão quando morrem?

-Lembro...

-Então, a vovó Jaci morreu e foi para o Céu.

-Morreu?

Silêncio...

-Mamãe, eu também vou para o Céu?

-Vai sim, meu anjo, mas não agora,tá?

-Ah, mamãe, lá no Céu tem anjinho, não é mamãe?

-É... ... ...

Silêncio...

-Ana Luisa, vamos fazer Papai-do-Céu?

-Vamos...

-Você sabia que quando você fizer Papai-do-Céu você pode mandar um beijo e um abraço para a vovó Jaci?

-...

-E você sabia que a vovó Jaci está sempre lá em cima te protegendo? Você pode falar com ela, tá?

-Tá...

-Então, vamos fazer Papai-do-Céu?

-Vamos. Mas NÃO fala "guarda", tá mamãe? Eu falo...

-Tá, Ana Luisa. A mamãe já falou inúmeras vezes que vai falar "proteja"... Quem começa?


Eu e ela juntas:

-Papai-do-Céu, muito obrigada pelo dia, pela comida, pela minha família e por meus amigos. Obrigada por tudo! Me proteja e (não fala mamãe, eu falo sozinha) "guarda..." sempre. Em nome de Jesus. Amém.

Eu:
-Ana Luisa, vamos mandar um beijo e um abraço para a vovó Jaci?

Ela:
-Vamos...


E assim dormimos aquele dia!

Mãe, sinto muito a sua falta e ainda sinto um grande vazio por esta ausência. Sinto falta de sua voz e de teu amor incondicional por mim. E de ter alguém para conversar e me aconselhar na hora que eu mais preciso. Mas estou sentindo que este é o recomeço singelo que estava buscando.

Ana Julia, a vovó Jaci não chegou a te conhecer fora da barriga da mamãe, mas te fez muito carinho enquanto você ainda estava dentro da mamãe. E conversou muito com você. Além disso, seu nome é Ana Julia em homenagem a ela. Um dia a mamãe te conta tudinho sobre essa pessoa que a mamãe queria tanto que tivesse te conhecido. Você iria gostar muito dela. Ela não está mais aqui entre nós, mas muitas das coisas que acreditamos vem dela. Assim como vem do vovô, dos outros vovós, da mamãe, do papai, da sua irmã e de você. Família é assim. Um aprende com o outro e nunca abandona ou é abandonado. Somos todos diferentes, mas somos um só. Sua vovó também vive em você através de sua própria vida e de nossas tradições e costumes. Amo você!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Carta de esperança! 19/08/2010

Esta é uma carta de esperança feliz.

Mãe,

Lembra deste lugar? Foi quando fomos eu, você, meu pai e o Ni para o litoral juntos pela última vez. Fomos nesta ilha e como fomos de barco e eu já não estava muito bem (além de passar mal em barcos muito próximos da água e em velocidade lenta, daquele tipo que faz com que aquele balanço fique ainda mais oscilante...), bem, resumindo, eu passei mal e fiquei mal boa parte do dia que ficaríamos lá. Mas o que é importante é que eu não pude curtir quase nada e você ficou comigo em seu colo boa parte do tempo. E essa gruta foi um destes lugares que ficamos assim. Eu em seu colo e o Ni e meu pai curtindo a praia um pouco. Foi gostoso. Foi reconfortante ter seu colo. E é isso uma das coisas que mais sinto falta: seu colo e apoio quando eu mais precisava e não só quando eu queria.

Sinto sua falta, mãe. Todos sabem disso e devem estar cansados de saber, mas sentir sua falta é parte de mim agora, quer eu queira ou não. Esta sou eu agora.

Mas não vim aqui hoje para falar de minhas tristezas. Vim para dizer que estamos caminhando. E isso é algo positivo. Pergunte para qualquer pessoa que já passou por uma perda dessa. E estamos todos juntos nessa caminhada. O que torna tudo mais suportável.

Tivemos nossas dificuldades, mãe, mas você me criou bem. Estou tentando me encontrar nesta nova fase de minha vida, nesta fase sem você para me dar colo ou me fazer refletir.

Meu pai, o Ni e as menininhas estão bem. Temos dias felizes ao extremo, dias de luta, dias de caos, dias de gargalhadas sem fim, dias de tristezas...mas se bem que com duas menininhas fofas falando e aprontando o tempo todo fica difícil não sorrir.

Mãe, hoje faz dois anos. Dois anos sem você. Dois anos sem ouvir sua voz. Mas estranhamente (ou não) eu estou bem. Não no sentido que todos sentem este bem estar porque estou ainda incompleta, mas sinto esperança de que vou me levantar de verdade. Sei que vou ter recaídas, sei que vai ainda haver dias de total abandono, mas não vou me cobrar ser perfeita, da maneira que eu acho que deveria ser e agir e sentir, não vou me cobrar me sentir completa ou estar feliz por completo como me sentia antes porque sei que isto nunca mais vai acontecer. Só vou me acostumar a ser feliz deste jeito e me permitir esta felicidade porque a felicidade não tem forma definida. Ela pode ser moldada.

Me ajuda, tá mãe?

Te amo infinitamente!

Sua filha,

Luciana...

P.S.: mãe, ontem a noite, deitada com a Ana Luisa na penumbra, eu contei a ela a verdade sobre você. Você sabe que nunca mentimos, mas nunca conversamos tampouco. Mãe, eu chorei depois sozinha, mas foi um momento lindo para mim. Foi mais leve do que imaginava. A senhora teria ficado orgulhosa. Depois te conto melhor. Beijinhos e deixa eu ir que as menininhas estão fazendo alguma arte e é melhor eu ir correndo. Te amo!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

E às vezes é mais ou menos assim... 16/08/2010


Bem, estou eu aqui na minha precoce crise de meia-idade... (Que vou fazer da vida? Que vou ser quando crescer? Como faço para sentir de novo não só a responsabilidade e competência, mas também aquele desafio e paixão do início da profissão? Quando vou me aposentar e inventar outra coisa para fazer? Quando vou decidir largar tudo e virar mãe e dona de casa em tempo integral? Quando vou poder trabalhar de vez bem menos horas e sem me sentir culpada? Quando vou ter algum hobby pra valer e ter tempo pra isto sem ser com hora marcada? Quando vou colocar em prática alguns projetos que venho pensando, planejando e sonhando já há algum tempo? Quando vou ser dona do meu nariz? Fazer o que quero, na hora que quero, do jeito que quero? E o mais difícil...como vou fazer tudo isso na minha vida profissional sem deixar na mão quem amo e respeito? E como vou fazer tudo isso e ainda ter dinheiro suficiente -e sobrando um pouco, é claro- para pagar as contas e desejos da família do tamanho que sonhamos?) ...
Se ainda não ficou claro, eu estou a beira de uma ataque de nervos com esta dita vida adulta. Compromissos, obrigações, contas e mais contas pessoais, mas também profissionais, sonhos abafados, desejos controlados, hora marcada, hora para quase tudo, segunda e de repente segunda-feira de novo, médicos, dentista, morte e saudade cortante de minha mãe. Além daquela vontade louca de dar uma guinada. Daquelas que fazem as pessoas pensarem que o outro ficou louco. Daquele tipo de largar tudo e levar menininhas, marido e pai (tá, quem sabe o Bonnie, nosso danado labrador preto que a Ana Júlia tanto ama e que a Ana Luisa chora de saudade quando não está perto dele) para bem longe.

Começar tudo de novo. Não ter que sorrir se não tenho vontade (e olha que é chegar qualquer data especial depois de perder minha mãe que fico assim). Não ter que me preocupar com quem está perto de mim pensando se conheço, se não conheço. Não ter que sair de casa, se não estou com vontade. Não ter que ser diplomática ou incentivadora ou lider no serviço. Apenas seguir ordens, se tiver que trabalhar. Pensar no máximo o hoje e não planejar, prever dificuldades e agir profissionalmente pensando sempre no amanhã.

Quero ficar quietinha! Quero voltar a sorrir com o coração! Preciso de um tempo só! Longe e só com os meus botões e aqueles que já mencionei acima. Preciso me encontrar. Eu parei no tempo quando minha mãe morreu, mas fui arrastada pela vida. E além disso, me sinto um pouco só nesta dor porque depois de um tempo quase ninguém se lembra mais da dor que quem fica sente. E aí, quase ninguém pergunta mais ou dá colo ou liga pra saber de você ou percebe ou sente sua ausência ou dor.

Tenho muito o que agradecer, eu sei, mas esta vida sem minha mãe, esta vida de mulher de negócios em dose dupla, de esposa, dona de casa e mãe em dose dupla têm me deixado sem ar.

Acho que estou assim mais pela saudade e necessidade de minha mãe e aí tudo fica mais sufocante, mais sem sentido no todo. Aí, junta um trabalho cheio de cobranças que me deixa com menos tempo do que preciso para ficar só e também com minhas lindinhas e família e amigos e para fazer coisas leves e necessárias para se viver, e pronto: a bomba-relógio está acionada.

Preciso me redescobrir. Preciso aprender a viver e ser sem minha mãe. Ainda não tive tempo de aprender.

Quando ela faleceu, eu estava grávida de 8 meses da Ana Julia e a Ana Luisa estava com 2 anos e 1 mês. E sem perceber, eu não sofri o luto como deveria. Acredito que inconscientemente eu quis proteger minha bebezinha que ainda estava dentro de mim e também minha outra menininha. Minha barriga continuou a crescer vorazmente e logo depois nasceu nossa segunda menininha e aí quem já teve filhos ou acompanhou de perto quem teve sabe a loucura que é. E assim, se passou mais de um ano e quando percebi de fato, e sem me apoiar ou fugir insconscientemente, minha mãe não tinha voltado e nunca mais voltaria. Chorei muito sua ausência desde o princípio e durante todo este tempo, mas a ficha só caiu bem depois quando nossa bebezinha já estava correndo por aí: minha mãe, aquela que me amava incondicionalmente e que era minha confidente não estava mais entre nós, não do jeito que eu ainda precisava e preciso.

Mas não se preocupem, já procurei ajuda. Estou em busca do meu eu. Do meu eu leve, feliz e completo (mesmo na incompletude) que era quando tinha minha mãe e protetora por perto. Aquela que me amava incondicionalmente e que me apoiava, brigava, ouvia, ficava do lado, dava bronca, mas que me amava e só queria o meu bem. Nunca mais vou ter alguém como ela em minha vida, eu sei, porque mãe é só uma, mas embora ainda pareça um sonho distante, estou em busca de acreditar nas pessoas e na vida como um todo de novo.

Desculpem o desabafo. Na verdade eu tinha vindo aqui hoje para falar de uma coisa fofa que ouvi a Ana Luisa falando para sua irmãzinha Ana Julia e que tinha a ver com o início desta postagem (e quem tem filhos sabe as coisas fofas e bobas que as crinanças falam e fazem). Mas quando vi, a coisa foi para outro lado e pensei: "Quer saber, deixa fluir o coração, coloca para fora, deixa a rigidez e metas a cumprir para o trabalho, seja você mesma".

E essa sou eu hoje, dia 16 de agosto de 2010, a 3 dias do dia que não pude mais ouvir a voz daquela que embora nunca tenha sido perfeita, sempre foi aquela pessoa que quando as coisas apertavam, estava ao meu lado. Sempre!

Vai fazer dois anos que minha mãe se foi. E ainda parece mentira. Ainda preciso do seu colo...


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ah, por favor! 11/08/2010

Sou mamãe de duas menininhas bem ativas, curiosas, corajosas, criativas e bem agitadas. Tudo no melhor dos sentidos. Tudo de uma maneira saudável. Tudo sem ultrapassar nenhum limite (na maioria das vezes). Nem os delas, nem de ninguém. Principalmente de nenhum adulto.
Por isso, eu fico fora de mim quando vejo no olhar de algum adulto qualquer resquício de desaprovação de minha conduta como mãe.
Amo minhas menininhas mais do que sonhei imaginar antes de ter fihos. Cuido delas da melhor maneira, da maneira que acredito ser o melhor para o crescimento saudável delas em direção a uma vida adulta plena e satisfatória. Posso cometer erros? Lógico! Posso errar na dose a longo prazo? Lógico! Mas isso pode acontecer com qualquer pai ou mãe. Mesmo com aqueles que tem todas as respostas para os seus próprios filho e o pior, para os filhos dos outros.
Minhas meninas sobem, escalam, pulam, saem correndo, andam descalças, gritam, brigam uma com a outra, comem areia, tomam sorvete no frio, não usam blusa de frio em excesso (para o padrão calorento delas que é calorento mesmo quando todos os normais do mundo estão tremendo de frio), nadam no verão ou primavera mesmo se estiverem gripadas, de vez em quando trocam o jantar ou almoço por lanche, desenham em algumas partes da parede, às vezes pintam o corpo todo com tinta ou canetinha, ficam horas tomando banho (até pedirem para sair toda enrugadas), pulam em poça d'água, não apanham e não podem bater (é só olhar no final , na parte mais baixa deste blog do lado direito uma campanha que apoio desde antes de ter filhos... e antes que já me julguem, sou a favor sim de DISCIPLINA e LIMITE, é lógico, mas não de punições físicas)...
Bem, estas são apenas algumas das coisas que não permito que me ensinem ou me cobrem a fazer diferente.
Não, elas não ficam gripadas o tempo todo. Não, elas não têm alergias. Não, elas não caem e se machucam o tempo todo. Não, elas não são desobedientes e abusadas o tempo todo. Não, elas não fazem tudo o que querem na hora que querem. Mas sim, elas têm sim uma maior liberdade para viver. Mas sempre com meu cuidado ou de quem está com elas. Sempre com meu amor.
Sempre com meu desejo de vê-las crescendo como diz o título do meu blog aqui.
Então por favor, não me recriminem. Não me ensinem a ser mãe. Ninguém quer o melhor para elas como EU quero. E sou sim bem consciente e bem informada sobre o desenvolvimento infantil e da adolescência. Antes mesmo de ter filhos quando era apenas uma profissional ávida por entender meus alunos.
Vou errar a longo prazo? Pode até ser que sim, mas a curto prazo tem funcionado. Elas me dão mais alegrias do que me deixam de cabelo em pé.
Vou ser uma mãe perfeita? NÃO! E nem busco esse título. Só quero fazer o que puder fazer de melhor para elas e para nossa dinâmica familiar.
Sonho em vê-las crescendo humanas, sabendo se colocar no lugar do outro, sabendo lutar por seus ideais sem precisar derrubar ou julgar ninguém porque nunca sabemos de verdade todas as cores do jardim do outro.
Então, por favor, não me julguem como mãe (ou minhas menininhas porque aí a leoa aqui fica totalmente irracional) sem conhecer todos os lados de nossas vidas e nossas estórias e muito menos sem conhecer todo nosso lado mais doce.
Mas mais do que tudo, não venham me dizer como agir ou como não agir porque minha vontade mais branda seria de gritar para o mundo inteiro ouvir:
-"Ah, dá licença (ou outras expressões não tão apropriadas: Ah, não enche! ou Ah, sai fora! ou Ah, vai #*%& )!" E continuaria: -"Quem conhece minhas menininhas e a vida delas sou EU!"
Desculpem o desabafo, mas fui ao shopping esses dias e a Ana Luisa (que quando vai lá parece aqueles cachorros enormes, loucos e estabanados que nunca saem para passear), insistia em fazer "coisas perigosas" e um senhor (para ser bem simpática) me alertou sobre esses "perigos" num dia que meu humor estava de férias. Ah,por favor!
P.S. Mas ainda bem que a Ana Julia não tinha ido esse dia senão ele ia achar que além de "sei lá o que ele pensou" eu ainda fosse louca! :)
Amo minhas maluquinhas fofas e doces!

domingo, 8 de agosto de 2010

Carta para o pai das menininhas Ana! 08/08/2010


Dourados, 8 de agosto de 2010.
Ni, este dia dos pais não saiu como eu imaginava e planejava.
Mas gostaria de dizer que apesar de eu estar bem adoentada, te desejo o maior amor do mundo, o amor que você já tem de sua família: eu e suas duas menininhas.
Às vezes nem tudo sai como planejamos, mas nunca se esqueça de meu amor por você e por nossa família.
Desculpa qualquer coisa e saiba sempre que você é meu norte e que nossa família fez com que esse meu norte fosse cada vez mais divertido, caótico, feliz e bagunçado e assim eu pudesse me sentir mais completa.
Você é um ótimo pai. Do seu jeito e da sua maneira. Amo ver no olhar de nossas menininhas o quanto você é importante para elas.
Com carinho,
Sua menininha maior, Luciana. A sua Na.

Carta para minhas menininhas: As respostas! 08/08/2010

Queridas Ana Luisa e Ana Julia:

Esta não é a melhor foto de vocês desse dia (embora ainda faça sorrir meu coração), mas quem sabe essa não é a melhor opção para o que eu gostaria de dizer.

A questão é: a mamãe nem sempre vai ter todas as respostas. Mas por favor, não se preocupem, isto é até um presente para a vida de vocês. Sabem por que? Por que no fundo ninguém tem todas as respostas, mesmo aquelas pessoas que parecem ter.

Há muitas pessoas que agem como se soubessem de tudo e como se quase nada mais precisassem conhecer, mas não se iludam, sempre há algo a aprender e essa condição de eternos aprendizes nos torna melhores, mais humanos, mais abertos à própria vida.

Minha função maior na vida de vocês é ajudá-las a crescer e a se desenvolver tanto física quanto emocionalmente e meu maior privilégio é poder amá-las com todo o meu coração. Não descrevo essa função como tal porque ter esse amor dentro de mim foi o melhor presente que já recebi em minha vida. Mas sei que haverá momentos que não vou saber ou ter as respostas que vocês precisam, mas gostaria que já soubessem que isto não é de todo mal porque às vezes não sabemos mesmo e nem por isso a situação não terá solução, pois aprendemos conforme a vida caminha.

Minhas lindinhas, por favor, não cresçam com a impressão de que a mamãe sempre sabe tudo porque ela não sabe, mas um coisa eu prometo a vocês: vou fazer de tudo para saber ou para ajudar vocês a encontrarem uma solução. E se por acaso, a mamãe nem isso puder, uma coisa sempre será certo: meu colo sempre será de vocês.

Amo vocês!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A volta! 07/08/2010

Eu preciso das palavras escritas quase como preciso de ar. Sempre soube disso.
Estava me sentindo um pouco incompleta sem internet em casa, mas não pelas razões mais óbvias hoje em dia, mas sim pela falta de ler e escrever online.
Informação é importante para mim e ler de tudo um pouco me faz bem, mas nada, nada mesmo nesse mundo de faz-de- conta se compara a escrever essas coisas públicas e outras privadas que tenho como um diário.
Tenho cadernos, tenho agenda, mas esse mundinho virtual me conquistou.
Ainda tenho um grande fascínio por cadernos em branco e todas as possibilidades que ele representa, mas a principal eu sinto aqui toda vez que abro uma nova página: tudo é possível. O recomeço está sempre presente.
Não vejo a hora de minhas meninas crescerem um pouco mais e eu poder apresentar formalmente um dos melhores presentes que posso oferecer: o mundo mágico das letrinhas que saem do coração. Acho que é por isso que aqui em casa quase tudo pode ser usado como caderno (mesmo com desaprovações alheias). -"Mamãe, posso escrever no meu livro(no meu caderno, na minha boneca, nesse pedaço da parede, na minha perna, na sua mão...)?" -'Pode sim, minha filha, pode sim!" Pois sei que depois a gente apaga (se der). E se não der, quem sou eu para limitar algo que considero essencial: o mundo das letrinhas que vem do coração (seja o nosso ou de outros através da literatura).
Àquelas pessoas que sentiram minha falta: estou de volta! E obrigada por me acompanharem nessa jornada solitária, mas tão importante na minha vida.
Para mim, para você, mas principalmente para minhas menininhas essa canção que diz tudo o que sinto e um pouco do que desejo para elas (fora a voz desse cara -desculpem a total informalidade- que para mim é a música das músicas para meu ouvido):



sexta-feira, 16 de abril de 2010

2009, 31 de dezembro... essa foi a última vez que estive por aqui.
Três meses e meio parece não ser nada na vida de um adulto, mas quanta coisa acontece na vida de uma família que tem duas menininhas pequenas.
Bem, não só na vida delas porque muita coisa aconteceu nesse tempo em minha vida também.
Mas o momento agora é de falar delas:
  • As duas estão cada vez mais fofas (coisa óbvia de uma mamãe apaixonada dizer, eu sei, mas não posso evitar)...
  • Elas estão agora com 3 anos e 9 meses (Ana Luisa) e 1 ano e 6 meses (Ana Julia)...
  • Ana Luisa melhorando cada vez mais seu vocabulário que chega a surpreender (mas continua a falar daquele jeitinho de menininha com vários erros fofos)...
  • Ana Julia já fala "Papai" (Oba! Assim o Ni deixa de ensiná-la a falar "paralelepípedo" já que ele dizia que era mais fácil ela falar isso do que papai...) ...
  • Ana Luisa deixou de falar "Papai"e oficialmente chama seu fofo papai de Ni (ãh? eu sou a culpada? Imagina Ni...)
  • Ana Julia já não é mais bebê: já faz arte igual a menininha danada (muuuito danada) e já faz birras, fica brava, cruza os bracos e sai brava do lugar para ficar sozinha, se joga no chão, mas ainda é uma fofa fazendo tudo isso...
  • Ana Luisa já consegue fazer sozinha o A do nome dela, está com muita vontade de aprender, está fazendo inglês e não fala mais amarelo, só yellow...
  • Ana Julia fala pouca coisa (mamãe,papai, vovô, Bonnie (o labrador preto), Kide (Clyde, o gato), Ana (mas o som ainda não nasalizado), mamá, Nine (Aline, a babá) e alguns sons que já parecem água, banana, carro, etc...) Nossas menininhas andaram muito cedo (9 e 10 meses), mas falam tarde mesmo, mas sempre se comunicaram muito bem e sempre conseguiram se fazer entender. Com a Ana Luisa fiquei um pouco preocupada, mas e agora com a Ana Julia? Bem, nem tinha me tocado disso até escrever aqui...
  • As duas já brincam bastante juntas. Brigam também e deixam todo mundo de cabelo em pé com isso, mas já se interagem bem e isso me deixa muito feliz...
  • A Ana Luisa já sabe exatamente o que dizer , o que fazer e como usar o tom de voz quando quer conseguir algo (muito espertinha e persuasiva a danadinha)...
  • A Ana Julia já está igual a irmãzinha mais velha quando o assunto é sentar e ler. As duas adoram fazer isso e é o único momento do dia que há algum silêncio em casa (mais demorado para a Ana Luisa que parece estar em um mundo a parte e menos demorado para a Ana Julia, é claro, mas já me deixam cheia de orgulho)
  • A Ana Luisa anda um pouco desobediente (bem, muito desobediente). Ela alterna momentos de muita docura e outros de deixar qualquer um doido...
  • A Ana Julia pega minha mão quando estou sentada e diz: "?- ? -? e xá" (não consegui definir o som para reproduzir aqui, mas ela quer dizer: 1,2,3 e já!) para eu levantar e fazer o que ela quer. Vai vendo...

Bem, tudo continua bem conosco e com as menininhas Ana. Alguns dias perfeitos, outros menos, mas sempre com intensidade (e que intensidade)...

Ah, como eu estava com saudade de vir aqui falar um pouquinho da estória de nossas menininhas...