quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Mãos atadas: Ana Julia dodói! 04/11/09

Essas aí são as minhas menininhas. Elas são a alegria maior de nossos dias, mas quando uma delas fica dodói, eu fico mais ainda.
São menininhas saudáveis, ativas, alegres, cheias de energia e vontades. Quase nunca ficam adoentadas, então quando acontece, eu fico sem saber o que fazer.
Fico agitada, com medo, quase sem respiração e não consigo nem pensar direito.
Não conseguir confortá-las totalmente me deixa sem chão. Não saber o que fazer para que elas possam sentir-se melhores me deixa um buraco no peito. Não poder evitar todo e qualquer sofrimento me deixa com a sensação de estar com as mãos atadas.
Sei que não vou conseguir protegê-las de tudo sempre, mas essa sensação de querer poder fazer isso ainda me domina.
Quando elas nasceram, eu ficava dia e noite analisando, observando e ligando tudo o que havia lido ou vivenciado à realidade de cada uma. Enquanto eu não decifrei o que poderia fazer para deixá-las mais confortáveis, mais em paz nesse mundo novo fora da barriga da mamãe, eu não sosseguei.
Lembro como se fosse hoje quando percebi o que deixava cada uma delas mais em paz e mais seguras. Lembro dos movimentos, das canções e dos toques que cada uma elegeu ser o que mais a deixava bem. Lembro quando consegui decifrar cada sonzinho, cada choro, cada movimento. Saber o que significava cada coisa me deu um alívio que consigo lembrar até hoje. Lembro da paz que senti quando comecei a conhecê-las melhor e oferecer esse carinho.
Os primeiros dias delas em casa comigo me deixaram aflita e insegura porque ainda não sabia o que fazer para que tudo pudesse ser mais suave para elas. Eu sentia que tinha a necessidade e obrigação de fazê-las se sentir melhor aqui conosco e nunca medi esforços para tal.
Então, quando percebo depois de já grandinhas, que não consigo entender o que está acontecendo, quando não consigo fazê-las se sentirem melhor ou qual o meu papel como mãe para que elas sofram o menos possível, eu fico perdida, eu me sinto mal, eu fico sem saber o que sentir...
O fato é: Ana Julia estava malzinha esses dias. Foi a primeira vez que vi seus olhinhos cheio de vida ficarem apáticos. Foi a primeira vez que ela não queria comer ou beber o que tanto gosta. Foi a primeira vez desde que começou a andar que ela não queria correr por aí, subir, escalar. Não queria nem brincar. Não queria nada daquilo que sabemos que ela tanto gosta e que a deixa tão feliz.
Foram dois dias e meio assim. Não teve febre, não teve diarréia, mas vomitou muito. Está melhor, mas ainda melhorando. Já foi ao médico, já sabemos que não é nada de grave, mas mesmo assim me senti um pouco culpada por não poder poupá-la disso tudo.
Sei que não é esse meu papel de mãe. Sei que tenho que tentar protegê-las sim do que for possível, mas o mais importante é encontrar sempre meios de mostar a elas que em qualquer situação, eu vou estar ao lado delas.
A boa coisa disso tudo é que descobrimos que nossa pequenina fofinha tem pescoço sim e tem mutos ossinhos pelo corpo (o que todos acreditavam, mas nunca tinham visto) .
Brincadeiras a parte, foi difícil, mas foi também gratificante ver a preocupação da irmãzinha maior para com a "nossa bebezinha", como costuma dizer a Ana Luisa.

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