segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Coisas de Ana Luisa! A escola nova! 27/07/09

Em fevereiro de 2008, Ana Luisa estava com 1 ano e 6 meses (quase 7). E foi nesse período que ela começou a ir para a escolinha.
Ela já andava há 9 meses, já corria, já sabia o que queria (mesmo não sabendo diferenciar muito bem o que podia e o que não podia), não falava muito bem, mas se comunicava perfeitamente expressando o que queria ou não. Era uma menininha ávida por novas experiências. Ela sempre foi bem independente por natureza (desde bebezinha) e sempre demos oportunidade para ela desenvolver esse lado tão importante no ser humano.
No final de 2007, eu fui conhecer algumas escolas, a levei para ver as salas e por mais que meu coração ficasse apertado por vê-la atingir mais uma etapa do seu crescimento, eu sabia que ia ser bom para ela.
Escolhemos uma escola baseada em localização, estrutura física, coordenadora, atividades, etc. Nessa época minha mãe ainda era viva e me ajudou muito a refletir sobre a decisão. Não seria a minha primeira escolha já que pensava em colocá-la na escola que estudei meus primeiros 11 anos de vida escolar, mas a localização e a situação de saúde de minha mãe não possibilitaria ter a ajuda de meu pai para nos ajudar a levá-la e buscá-la tão longe de casa. Escolhemos uma que gostamos muito também, mas que era mais perto.
E assim começou a ano de 2008 e a primeira experiência de nossa menininha mais velha na escolinha. E tudo correu muito bem. Acredito que em parte por sua personalidade e em parte pela maneira com que nós a criamos.
Ela ficou tímida no início, mas não chorou, não se agarrou a mim eternamente ... ao longo de alguns minutos, suas mãos foram se soltando da minha à medida que ela via as crianças brincando, a areia e os brincando chamando sua atenção. A professora veio, falou com ela, a chamou, ela foi meio resistente a princípio, mas rapidamente estava sorrindo meio tímida. Aí, eu me afastei pouco a pouco, fiquei olhando de longe, com o coração apertado por vê-la tendo um mundo sem mim. Coração apertado, mas muito feliz por mais essa conquista, por mais essa etapa em sua vida. Esse era o meu papel: mostrar a ela de corpo e alma que aquela experiência era boa!
Ao longo desse um ano e meio que ela estudou por lá, houve algumas situações que discordei da postura da professora ou da escola, mas coisas contornáveis. Nada que fizesse com que repensasse nossa escolha. Além disso, a Ana Luisa adorava cada segundo por lá, cada coleguinha, cada atividade, cada professora, cada coisa aprendida, e ela aprendeu bastante: aprendeu o conceito de esperar, dividir, aprendeu as vogais, as formas, aprendeu o conceito de amizade, de menina e menino, teve a experiência de subir no palco, de se apresentar, aprendeu que existe um mundo sem nós, mas que sempre estaremos esperando por ela no final do dia, aprendeu que ela pode ser ela mesma em casa ou na escola.
Houve uma época que foi muito difícil deixá-la na escola. Isso começou a acontecer em maio ou junho de 2008 quando eu estava grávida de 5 ou 6 meses da Ana Julia. Todo aquele processo fácil do início ruiu. Ela se agarrava em mim, não queria ficar, não queria fazer parte de tudo aquilo que ela tanto amava. Fiquei apreensiva, depois triste, até desesperada ao longo das semanas. Conversei na escola e me disseram que nada estava acontecendo por lá, que nada havia acontecido, que ela estava bem, que depois do choro e desespero inicial ela ficava bem, muito bem, menos de minutos após sua chegada.
Não foi uma época fácil para mim: ela se agarrando a mim, chorando, não querendo se desprender de mim, querendo ficar comigo e eu tendo que ir trabalhar, tendo que chegar logo depois na escola e estar bem, sorrindo, feliz, animada com minha aula e meus alunos como eles merecem minha atenção e postura. Eu fazia tudo isso, ninguém percebeu, mas por dentro foi uma luta conseguir passar por isso e não demosntrar nem para ela, nem para ninguém.
A antiga coodenadora um dia me chamou, me confortou, me mostrou caminhos e me alertou que já que na escola tudo estava bem só podia ser o fato da minha barriga já estar ficando cada dia mais aparente, maior, mostrando que algo diferente estava para acontecer de verdade. Me emprestou um livro para ler com ela sobre essa fase na vida de uma criança e gostamos tanto que até compramos um para ela fazer o que quisesse: ler, amassar, pintar, ler de novo, sentar em cima, qualquer coisa, contanto que percebesse através da literatura que outras pessoas passam por isso (dois pontos com uma coisa só: a literatura e a mensagem). Pouco a pouco, ela melhorou, mas ainda me lembro de estar parada em frente da escola, tentando olhá-la de longe, tentando espiar sua vida no parquinho de diversão após uma despedida dramática para mim. Ela já estava bem, brincando, se divertindo, mas eu aproveitei que era sexta-feira e não tinha aula aquele dia e fiquei ali por muito tempo chorando de soluçar por toda aquela situação (imagina a situação: mãe preocupada e grávida ao mesmo tempo). Mas passou! (Tanto que depois que a bebê nasceu, ela nunca mais agiu assim no portão da escola, só em casa...mas isso é estória para outro livro, outro dia...rs)
Bem, mas depois que a bebê nasceu nossa rotina familiar mudou um pouco. A Ana Luisa precisava (e ainda precisa) do seu cochilo diurno e deve ser no máximo no início da tarde senão ela cochila assim que chega da escola (ela estudava no período vespertino). Às vezes, antes da Ana Julia nascer, ela acabava cochilando ao voltar da escola e isso bagunçava seu sono noturno. Não era o ideal, mas a gente dava um jeitinho e acompanhava seu pique até altas horas, mas depois da irmãzinha, isso era humanamente impossível. Então a hora do almoço virou uma guerra com estratégias, horários, e desespero para fazê-la dormir logo depois que almoçasse. E isso envolvia outra guerra para acordá-la, arrumá-la para ir para a escola. Resumindo: ela começou a não ir para a escola comigo (eu tenho aula, não posso me atrasar), começou a chegar atrasada todos os dias e como eu não podia buscá-la no seu horário de saída, eu acabei não podendo mais participar de sua vida escolar tão fisicamente quanto antes.
Em 2009, a escola que ela estudava encerrou suas atividades matutinas, então optamos por deixá-la por lá no período vespertino mesmo torcendo para que alguma coisa mudasse em sua rotina (tentamos de tudo). Mas nada mudou e o estresse e a correria continuaram (só que agora com uma bebezinha maior em casa). Fui na escola conversar, expliquei toda nossa situação, mas a coordenadora me disse que não haveria turma no período matutino (só SE em 2010 houvesse bastante procura) e que era quase certeza que em 2010 abriria uma turma de nivel 1 baby (minha dúvida para uma turminha para a Ana Julia já que as duas devem estudar em uma mesma escola).
Então, com muita dor e dúvida em meu coração, colocamos a Ana Luisa em uma outra escola no período matutino esse semestre. Senti muita falta de minha mãe para me ajudar nesse processo, mas decidimos e ela já começou a ir para a escola nova. Não foi fácil a decisão já que não havia motivos para a mudança (a não ser a mudança de período), além disso, ela gosta muito de sua vida na antiga escola e não sei se ela já entendeu de fato o que aconteceu.
Para ajudá-la nesse processo, nas férias ela frequentou uma colônia de férias (local novo, tias novas, amiguinhos diferentes, etc) e acho que isso foi válido. Mas ela está achando que a nova escola agora é uma colônia de férias. Quando estou dirigindo para lá, eu pergunto aonde estamos indo e ela fala colônia de férias. Ela chega feliz, fica bem, e sai feliz, mas não faz nenhum comentário sobre o que se passou por lá. Eu pergunto e ela ou fica quieta ou fala de outra coisa (nisso, ela puxou a mim: enquanto eu ainda não tenho uma opinião formada sobre algo, eu fico quieta, eu fico pensativa). Ela frequentou a nova escola por uma semana. Bem nos dias chuvosos, frios, e feios desse inverno. E assim tudo fica meio sem cor.
Bem, acho que na verdade está sem cor para mim porque ela está irradiando vida e alegria como sempre!
Acho que eu estou sofrendo mais por ela do que ela mesmo está sentindo tudo isso, mas esses dias ela começou a falar das tias da outra escola e dos antigos amiguinhos e eu quase chorei porque não queria que ela estivesse passando por isso tão cedo.
Eu sei que a vida é assim mesmo e que não poderemos manter o mundo perfeito e colorido para ela para sempre e em todos os momentos, mas ainda não consigo falar sobre isso, sobre essa nova fase. Não estou arrependida de tê-la mudado de período e sei que está em boas mãos também, mas ainda está sem cor para mim.
E isso me lembra quando aos 15 anos eu cheguei de avião em uma cidadezinha ao leste dos EUA. Sozinha, inverno, árvores sem folhas, só galhos e para piorar sem sol e chovendo. Indo de carro para a casa que me hospedaria por aquele ano tudo que eu conseguia pensar era:
"Será que tudo isso, todas essas pessoas, todas essas casas, todo esse mundo vai um dia ter cor para mim?"
E teve! Pouco a pouco meu mundo por lá teve um dos coloridos mais lindos de minha vida.
E isso me dá esperança para essa nova fase da nossa menininha mais velha (esperança para mim também porque como já disse, eu acho que estou sofrendo mais do que ela). Sei que decidimos tudo isso pensando no bem de todos aqui em casa e isso acalma um pouco o meu coração! Mas ainda não está sendo fácil!

Um comentário:

Ana Leticia disse...

Luciana, lindo seu blog, lindo o modo como vc conta as coisas da Ana Luisa e Ana Julia. Eu fico só pensando no dia que o meu Davi, de 2 meses, começar a ir pra escolinha e ter outro mundo longe de mim, como vc disse... só de pensar fico triste...rs
Vi seu link na PR, adorei!
Parabéns pelas menininhas, são lindas (ah, e com franja, a Ana Luisa é mto parecida com a mãe...rsrsrs)