quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Carta para minha mãe! 19/08/09


Mãe, não sei se você se lembra desse dia. Essas fotos foram tiradas em um domingo normal aqui em casa. Nesse momento você estava assistindo televisão, meu pai estava fazendo barba, o Ni estava lendo a nossa disputada revista de domingo e eu estava no computador. Logo em seguida, as coisas devem ter se envertido e cada um estava fazendo uma coisa diferente, às vezes juntos, às vezes separados, mas de uma maneira ou outra sempre juntos e com aquela sensação de todo que sempre tivemos.
Era uma época diferente, éramos uma família, mas bem diferente do que temos hoje. Não era melhor, não era pior, era apenas diferente. Eu e o Ni éramos namorados, não tinhamos as meninas, ainda tínhamos o Zulu, nosso amado e danado labrador preto e ainda tínhamos você ao nosso lado.
Desde o dia que você se foi, sempre ouvi as pessoas dizendo: "Com o tempo vai melhorar. Não acaba nunca, mas esse desespero e vazio infinito melhora." Mãe, vou ser bem sincera: eu ainda estou esperando esse dia chegar! Eu vivo, amo minha vida, amo minhas meninas, minha família, o Ni e meu pai, mas o vazio ainda não passou. Não sou feliz por completo, sempre falta alguma coisa, sempre falta você. Pode ser porque eu era filha única, pode ser porque sempre estávamos juntas, pode ser porque sempre conversávos muito e sobre muita coisa, pode ser porque eu a incluía em todos os planos, pode ser porque se tinha algum problema eu sempre contava a você, principalmente nesses últimos anos. Eu estava amadurecendo a cada ano e já conseguia deixar de lado nossas diferenças e nossas briguinhas bobas da juventude. Cada dia mais eu a via como uma companheira, com diferenças, mas cada vez mais com mais respeito e tolerância. Se algo acontecia, eu tinha que te contar e sei que era assim com você também. Coisas bobas, coisas importantes, coisas nossas, coisas de cada uma.
Mas um dia você precisou ir e mesmo que não era para eu me sentir assim, eu fiquei sozinha. Tenho amigos, tenho meu pai, tenho o Ni, tenho minhas meninas, mas há tanta coisa que merecia ter a sua opinião, a sua alegria, a sua bronca, a sua presença!
Sei que o que não tem remédio, remediado está, mas ainda sinto MUITO a sua falta no meu presente e no meu futuro. Ainda sonho como poderia ter sido. E nem vou falar hoje como eu sinto sua falta como a vovó de minhas meninas porque senão eu vou chorar mais do que posso agora já que daqui a pouco tenho que buscar a nossa Ana Luisa na escolinha. Mãe, ela é tão linda como pessoa: prestativa, carinhosa e atenciosa! Você ia adorá-la e ia me dar bons conselhos em como agir com sua rebeldia de três anos. Lembra como você sempre falava que eu nessa idade era terrível? Pois é, eu queria tanto saber mais sobre isso agora. Você sabe: meu pai é bem quieto, na dele e não fornece todas as informações que eu sempre quero, eu tenho que ficar arrancando dele como sempre (Lembra? rs) e eu não tenho irmãos para lembramos juntos tanta coisa e isso faz muita falta! A Ana Julia é uma fofa! A senhora não a conheceu (e isso me dói muito), mas ela está naquela fase linda que a senhora presenciou da Ana Luisa quando começou a andar, a rir muito, a "conversar" muito, gritar até. Ela é só sorrisos! Mas é um pouquinho mais brava que a Ana Luisa era. Quando a Ana Luisa ou a gente tira algo dela, ela fica bem nervosa, mas é uma meiguiçe só a maior parte do tempo, exatamente como a Ana Luisa era nesse época, lembra?
Mãe, eu tenho tanto para te falar, mas eu tenho que terminar essa carta agora. A vida continua, a vida arrasta a gente para a frente com nossas obrigações, deveres e prazeres. Mas queria te dizer hoje, 1 ano após seu falecimento, que ainda continuo com muita saudade, ainda sinto uma vazio em minha vida apesar dela ser quase próxima do ideal que sempre sonhei. Tudo está e caminha para o que me faz feliz, mas sua ausência é muito sentida por aqui! Por todos nós, por seus familiares e amigos!
Mãe, queria muito seu colo, sua risada e sua presença agora, mas sei que isso não é possível e sei que tenho que viver minha vida da melhor maneira possível, mas nem sempre isso é fácil. Assim que entrou agosto, me fechei, fiquei até sem folêgo, porque imaginava que quando completasse 1 ano, as coisas teriam ficado mais fáceis. Não ficaram, mas estranhamente hoje amanheci um pouco mais em paz. Com muita saudade, mas de certa forma um pouco anestesiada.
É, quem sabe daqui um tempo, essa saudade deixe de ser tão imensa, tão maior que eu, tão maior que minhas forças. Por enquanto, queria te dizer: Mãe, você teria orgulho de sua filha e de nossa família. Todos nós te amamos muito e sentimos sua falta!
Ah, li esse pensamento esses dias e acho que é mais ou menos isso que devemos esperar:
"Dizem que o tempo cura todas as feridas. Eu não concordo. As feridas permanecem. Com o tempo, a mente, protegendo sua sanidade, as cobre com cicatrizes, e a dor diminui, mas nunca vai embora."
Do mesmo modo que sua lembrança forte em nossas vidas nunca desaparecerá!
Te amo!

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