domingo, 23 de agosto de 2009

Coisas de nossa família! A família da filha única! 23/08/09

Sou filha única. Não por opção minha ou de meus pais. Assim foi e na época nada pôde ser feito diferente.
Quando era menininha pedia um irmãozinho (ou irmãzinha, não me lembro bem) e até lembrava disso em minhas orações de boa noite, mas com o passar dos anos, me esqueci disso e vivi muito bem sim mesmo sendo filha única.
Ser só tem suas vantagens e desvantagens. Aprendi a ter prazer em minha companhia, a ser independente, a ler, escrever, sonhar, construir castelos, habitar neles, mas também lutar para ver meus sonhos realizados. Mas ter o foco só em você é um grande peso mesmo que seus pais tentem não demostrar isso. E tudo se torna mais superlativo quando seus pais tentam te educar de forma que não haja espaço para ser taxada de mimada ou qualquer coisa do gênero.
Mas gostei de ser filha única. Gostei de minha infância e juventude. Foi só na maturidade que comecei a lembrar de novo o quanto seria bom ter irmãos. E por vários motivos.
Irmãos são pessoas que conhecem suas estórias, fracassos e sucessos e é muito bom ter alguém com quem contar quando a memória se torna um pouco falha. Quando ficamos mais velhos, os amigos diminuem em quantidade e as reuniões familiares começam a ficar mais interessantes. Ao ter filhos, a vontade de ter muitos sobrinhos e sobrinhas por perto começa a crescer e aí a vontade de ter irmãos volta a crescer novamente.
E o que uma filha única faz ao sentir tudo isso? Decide que ter uma família grande não parece assim tão ruim.
E assim, nasceu a vontade de ter um bebê, mais um bebê e quem sabe um outro bebê (tomara que dê tudo certo). E que bom que encontrei alguém que se sente assim também.
E assim é o nosso núcleo familiar mais próximo:
Eu, o meu Ni, a nossa menininha mais velha, a menininha mais nova e meu pai. Sim, o meu pai.
E ele vai conosco aonde formos. E o Ni mais do que entender essa necessidade minha, a aprova também. Depois que minha mãe faleceu, ele é nosso, como eu fui um dia dele e de minha mãe.
E quem sabe, se tudo der certo, ano que vem ou ainda no outro nós tenhamos o privilégio de ter mais um bebezinho para ser feliz aqui conosco!
Eles são parte essencial do que consigo entender por felicidade.
Cada um de uma forma diferente, cada um com seu jeito, mas cada um parte real do meu eu.

sábado, 22 de agosto de 2009

Coisas das meninas! As irmãs! 24/08/09

Ah, esses sorrisos...
Ah, essas menininhas...
Ah, esse amor escancarado em minha pele...
Somos todas uma só, agora eu sei.
Eu não existo inteira sem vocês, sem a ideia de vocês, sem a presença de vocês, sem a alegria, a confusão ou o carinho de vocês.
Vocês vieram de mim, sairam de mim, mas ainda as sinto dentro de mim. Vocês são a extensão perfeita de mim.
Podem chegar perto sempre porque meu colo foi feito com o formato de cada uma de vocês. E ele necessita desse aconchego. Mais do que vocês necessitam de mim.
Vocês são tudo aquilo que eu já sonhava.
Eu já precisava de vocês mesmo antes de vocês surgirem pequenininhas dentro de mim, eu só não sabia ainda.
Então, como eu vivia antes de vocês?
Feliz sempre fui, só não sabia o porquê. Agora eu sei!

Coisas de Ana Julia! A filhinha mais nova e sua mamãe! 25/08/09

Ah, eu quase não tenho falado dessa minha bonequinha mais nova. Isso é um fato!
A nossa menininha mais velha já está aumentando seu círculo social, já tem atividades, já anda muito danadinha e sempre tem uma estória, um fato, uma pergunta e uma observação na ponta da língua que nos derruba e derrete. Acho que é por isso que escrevo aqui suas peraltices para não esquecer de sua individualidade nessa fase linda e difícil de lidar, às vezes. Para deixar registrado para ela e nossa família tudo aquilo que ela aprontou, falou e vivenciou. E tudo aquilo que sentimos.
A fase que a Ana Julia está é muito parecida com a de todas as outras crianças. Sou coruja, sou mãezona, sou cega, surda e muda para o crescimento feliz e seguro de minhas meninas, mas sei que ela está passando por uma fase que é praticamente igual a todas as outras menininhas dessa faixa etária.
Ela não tem nada de diferente, ela não é melhor, nem pior que nenhum outro bebê.
Sei de tudo isso, mas por que será que quando ela começou sorrir, a sentar, a engatinhar, a explorar o ambiente, a andar, a ter cada vez mais dentinhos, a bater palminhas, a tentar beijar, a balançar a cabecinha simulando um não, a fazer sons esquisitos com a boca e língua, a sorrir e gargalhar, a querer pular na cama, a querer brincar com o gato e o cachorro, a querer subir em tudo, a gritar, a fazer sons que parecem estar querendo dizer mamãe, eu fiquei tão feliz, mas tão feliz que parecia que nunca tinha passado por isso antes com sua irmã Ana Luisa?
Ela está tão fofa, mas tão fofa que eu acho que não queria escrever sobre ela para não deixar claro minha completa e inteira devoção a esse serzinho que me deixa cada dia mais apaixonada por ela.
Não queria correr o risco de parecer uma mãe boba, daquelas que acham cada fato comum de seu filho o máximo e que conta para todo mundo repetidamente achando que aquilo só acontece com a sua cria.
Bem, posso até não contar para todo mundo tudo que está acontecendo de novo, comum e lindo com ela, mas que sou aquele tido de mãe lugar-comum, ah, isso eu sou, pois cada fase dela me deixa cada vez mais boba de tanta felicidade achando que ela é a meninas mais linda, mais esperta, mais fofa, mais única que existe no mundo.
Ela e sua linda irmãzinha, é lógico!
Ah, como são bobas essas mamães.
Bobas e felizes! Exageradamente felizes!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Carta para minha mãe! 19/08/09


Mãe, não sei se você se lembra desse dia. Essas fotos foram tiradas em um domingo normal aqui em casa. Nesse momento você estava assistindo televisão, meu pai estava fazendo barba, o Ni estava lendo a nossa disputada revista de domingo e eu estava no computador. Logo em seguida, as coisas devem ter se envertido e cada um estava fazendo uma coisa diferente, às vezes juntos, às vezes separados, mas de uma maneira ou outra sempre juntos e com aquela sensação de todo que sempre tivemos.
Era uma época diferente, éramos uma família, mas bem diferente do que temos hoje. Não era melhor, não era pior, era apenas diferente. Eu e o Ni éramos namorados, não tinhamos as meninas, ainda tínhamos o Zulu, nosso amado e danado labrador preto e ainda tínhamos você ao nosso lado.
Desde o dia que você se foi, sempre ouvi as pessoas dizendo: "Com o tempo vai melhorar. Não acaba nunca, mas esse desespero e vazio infinito melhora." Mãe, vou ser bem sincera: eu ainda estou esperando esse dia chegar! Eu vivo, amo minha vida, amo minhas meninas, minha família, o Ni e meu pai, mas o vazio ainda não passou. Não sou feliz por completo, sempre falta alguma coisa, sempre falta você. Pode ser porque eu era filha única, pode ser porque sempre estávamos juntas, pode ser porque sempre conversávos muito e sobre muita coisa, pode ser porque eu a incluía em todos os planos, pode ser porque se tinha algum problema eu sempre contava a você, principalmente nesses últimos anos. Eu estava amadurecendo a cada ano e já conseguia deixar de lado nossas diferenças e nossas briguinhas bobas da juventude. Cada dia mais eu a via como uma companheira, com diferenças, mas cada vez mais com mais respeito e tolerância. Se algo acontecia, eu tinha que te contar e sei que era assim com você também. Coisas bobas, coisas importantes, coisas nossas, coisas de cada uma.
Mas um dia você precisou ir e mesmo que não era para eu me sentir assim, eu fiquei sozinha. Tenho amigos, tenho meu pai, tenho o Ni, tenho minhas meninas, mas há tanta coisa que merecia ter a sua opinião, a sua alegria, a sua bronca, a sua presença!
Sei que o que não tem remédio, remediado está, mas ainda sinto MUITO a sua falta no meu presente e no meu futuro. Ainda sonho como poderia ter sido. E nem vou falar hoje como eu sinto sua falta como a vovó de minhas meninas porque senão eu vou chorar mais do que posso agora já que daqui a pouco tenho que buscar a nossa Ana Luisa na escolinha. Mãe, ela é tão linda como pessoa: prestativa, carinhosa e atenciosa! Você ia adorá-la e ia me dar bons conselhos em como agir com sua rebeldia de três anos. Lembra como você sempre falava que eu nessa idade era terrível? Pois é, eu queria tanto saber mais sobre isso agora. Você sabe: meu pai é bem quieto, na dele e não fornece todas as informações que eu sempre quero, eu tenho que ficar arrancando dele como sempre (Lembra? rs) e eu não tenho irmãos para lembramos juntos tanta coisa e isso faz muita falta! A Ana Julia é uma fofa! A senhora não a conheceu (e isso me dói muito), mas ela está naquela fase linda que a senhora presenciou da Ana Luisa quando começou a andar, a rir muito, a "conversar" muito, gritar até. Ela é só sorrisos! Mas é um pouquinho mais brava que a Ana Luisa era. Quando a Ana Luisa ou a gente tira algo dela, ela fica bem nervosa, mas é uma meiguiçe só a maior parte do tempo, exatamente como a Ana Luisa era nesse época, lembra?
Mãe, eu tenho tanto para te falar, mas eu tenho que terminar essa carta agora. A vida continua, a vida arrasta a gente para a frente com nossas obrigações, deveres e prazeres. Mas queria te dizer hoje, 1 ano após seu falecimento, que ainda continuo com muita saudade, ainda sinto uma vazio em minha vida apesar dela ser quase próxima do ideal que sempre sonhei. Tudo está e caminha para o que me faz feliz, mas sua ausência é muito sentida por aqui! Por todos nós, por seus familiares e amigos!
Mãe, queria muito seu colo, sua risada e sua presença agora, mas sei que isso não é possível e sei que tenho que viver minha vida da melhor maneira possível, mas nem sempre isso é fácil. Assim que entrou agosto, me fechei, fiquei até sem folêgo, porque imaginava que quando completasse 1 ano, as coisas teriam ficado mais fáceis. Não ficaram, mas estranhamente hoje amanheci um pouco mais em paz. Com muita saudade, mas de certa forma um pouco anestesiada.
É, quem sabe daqui um tempo, essa saudade deixe de ser tão imensa, tão maior que eu, tão maior que minhas forças. Por enquanto, queria te dizer: Mãe, você teria orgulho de sua filha e de nossa família. Todos nós te amamos muito e sentimos sua falta!
Ah, li esse pensamento esses dias e acho que é mais ou menos isso que devemos esperar:
"Dizem que o tempo cura todas as feridas. Eu não concordo. As feridas permanecem. Com o tempo, a mente, protegendo sua sanidade, as cobre com cicatrizes, e a dor diminui, mas nunca vai embora."
Do mesmo modo que sua lembrança forte em nossas vidas nunca desaparecerá!
Te amo!

Coisas de nossa família! Um dia quase perfeito! 16/08/09

Sabe aqueles dias quase perfeitos quando estamos de bem com o mundo, com as pessoas e até conoscos mesmos?
Esse dia foi no domingo dia 16 de agosto. E olha que o mês de agosto é agora porta de entrada para pensamentos tristes e de saudades.
Mas estava um dia lindo. Estava quente (clima bom depois de muitos dias de chuva e frio), ventava de forma gostosa, não tinha muita gente na rua e não tínhamos compromisso nenhum a não ser ficarmos juntos.
Além disso, estávamos no nosso quintal na frente de casa: espaço de sobra, sombra e clima bom.
As meninas estavam felizes, sem manhas, choros, ou briguinhas. Estavam se sentindo livres, leves e soltas. Explorando o ambiente, os insetos, as folhas do chão e a lei da gravidade. O Ni ali por perto completando aquele cenário de filme feliz.
E eu?
Eu estava sentada em uma cadeira com os pés para cima só observando e curtindo aquele som delicioso de felicidade no ar!
Simples assim!
Mas não é de forma simples que a felicidade sempre aparece?

Coisas de nossa família! Dia dos pais! 09/08/09

Nosso dia começou cedo. Em torno das 3 ou 4 da manhã. Não sei quem acordou primeiro, se foi a Ana Luisa ou a Ana Julia, mas quando consegui distinguir que aquelas conversas, risadas, gritinhos e outros sons não vinham de nenhum sonho, levei um susto enorme: a Ana Luisa estava dentro do berço da Ana Julia.
Consegui perceber em segundos que tudo estava bem e fiquei tentada a voltar a dormir, mas de repente escuto a nossa menininha mais velha dizendo para a Ana Julia esperar que ela já voltava. Nesse segundo, meu coração gelou: e se ela tentasse tirar a irmãzinha do berço? Ah, não! Eu sabia que tinha que levantar!
Como já era dia dos pais, chamei o Ni para ir comigo. Afinal, ser pai é participar, não é? E lá fomos nós, meio acordados, meio dormindo, e elas a mil por hora. Felizes da vida com nossa companhia.
Brincamos (de leve para não despertar mais ainda), lemos estorinha, abraçamos, beijamos e quando o cansaço e o sono parecia que começaria a nos dominar, aconteceu:
A Ana Julia querendo algo que estava com a irmã deu 7 passinhos de uma só vez. Ela já estava ficando em pé, dando 2 ou 3 passinhos até o final do 9º mês e nessa madrugada do dia dos pais, aos 10 meses e 13 dias ela deu os primeiros passos maiores em direção à sua futura liberdade.
Nós já passamos por isso com a Ana Luisa aos 9 meses e a emoção com a Ana Julia teve todo o brilho que já tivemos antes. Foi lindo! Foi mágico! Deu vontade de chorar!
Que maneira gostosa de começar um dia tão especial como o dia dos pais. O dia daquele com quem compartilho dois dos maiores presentes que já ganhei: nossas menininhas!
Feliz Ni!
Feliz pai!
Os homens da minha vida. Aqueles que de modo tão distintos me fazem sentir mais gente, mais humana, mais parte de algo que não troco por nada: nosso família!
PS: Ana Julia está andando cada dia mais e a Ana Luisa cada dia mais danada tentando superar a atenção que sua irmãzinha está começando a ganhar por onde vai. E lá vamos nós compreender essa nova fase e ajudá-las a entender que há lugar para todas em nosso enorme coração.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Coisas de Ana Luisa! O botão! 03/08/09

Estória que aconteceu alguns dias atrás:
Estávamos eu, o Ni e a Ana Luisa jantando juntos (Ana Julia estava dormindo) e a Ana Luisa a mil por hora (que novidade ... rs)
Bem, estávamos bem, felizes, conversando, mas a Ana Luisa falando cada vez mais, pulando cada vez mais, falando alto, gritando, cantando, subindo e descendo e o Ni tentando me contar algo.
Aí de repente o Ni olha pra ela e pergunta rindo:
-Ana Luisa, aonde é que desliga o botão? Vem aqui para eu ver...
Ela:
-Annn? (Quando ela não entende muito bem, ela vira a cabeça, os olhos e fica perguntando annn?)
Ele fala:
-É, vem aqui e me fala aonde é o seu botão de desligar!
Ela mais do que brava e já emburrando responde gritando:
-Não tem botão não! Eu não sou televisão!
Foi só risada na sala de jantar e muito abraço apertado nessa fofura danada!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Coisas de Ana Luisa! A primeira aula de inglês! 28/07/09

Ah, sempre imaginei esse dia chegando, mas parecia que nunca chegaria: minha filhinha estudando inglês na escola da mamãe dela.
Ela ainda está em um período de experiência. Período que toda criança nessa faixa etária (3, 4, 5, 6 anos) passa quando entra lá na escola: mais ou menos um mês indo para ver como se adapta antes dos pais comprarem o material ou pagarem alguma coisa.
A mesma coisa deve e vai acontecer com a Ana Luisa. Por enquanto, ela usa uma cópia do material, mas do mais participa como todas as outras crianças.
Nunca entrou uma criança nessa faixa etária que não tenha gostado (quem não gosta de brincar, jogar, pintar, cantar músicas e ainda aprender algo diferente com teachers bem legais?), mas pode acontecer da criança ainda não estar preparada para esse processo, para se concentrar, para ficar mais um tempo longe de casa, dos pais e de tudo de bom e confortável que há por lá, então fazemos esse período de experiência e depois conversamos com os pais.
Nossa escola atende crianças a partir de 3 anos e além de proprietária e professora de inglês há 21 anos, minha monografia de final de curso da faculdade foi sobre a aprendizagem de línguas em diferentes faixas estárias, mas especificamente na infância. Então, sei muito bem das vantagens de se iniciar cedo (pronûncia, facilidade de escuta, gosto pela língua, pensamento na língua estudada ao longo dos anos, etc, etc - daí a importância dos teachers-nada daquele negócio de "eu comecei a dar aulas para kids porque é mais fácil e tal -por favor, hein? É uma GRANDE responsabilidade) Não é que se esperarmos alguns anos isso tudo não possa acontecer porque aprende-se SIM (só não se deve esperar muito, muito tempo para iniciar para não correr o risco do caminho se tornar um pouco mais sinuoso. Mas é bom lembrar de novo que aprende-se sim em qualquer faixa etária, mas as dificuldades ficam um pouco maior a cada etapa da vida de um ser humano, não impossível, nunca impossível, mas com mais pedrinhas no caminho -e mais responsabilidades na vida- ... bem, esse é um tópico longo com muita informação legal, mas para outro post, um outro dia, ou melhor para uma conversa no ambiente de trabalho, pois aqui quem deve falar deve ser a mamãe Luciana...rs)
Bem, pode-se iniciar mais tarde na infância sim, mas a questão é que se há a possibilidade e condição financeira e se a criança está feliz com as aulas, com a dinâmica, com as teachers , com o ambiente, tudo colabora ainda mais para o sucesso e o término de um curso de inglês (ou outra língua) com fluência.
Então, o que realmente queria dizer é que estamos no período de experiência com a Ana Luisa. Ela foi a três aulas e já ficou bem em sala (só no primeiro dia ficou bem tímida antes), mas ainda estamos no processo de desvincular a mamãe dela do ambiente. Ela se sente em casa por lá e às vezes pergunta por mim, quer brincar lá fora, quer entrar na sala dos teachers, quer pegar os brinquedos dessa sala, quer pintar, colar, exatamente como fazia quando ia lá me esperar. Ali é uma extensão da casa dela ainda. Vai demorar para ela se sentir aluna, mas estamos caminhando. Ainda não conversei certinho com a professora para ver sua atenção, concentração, e se ela está preparada para estudar esse semestre. Só conversei como mãe. Logo, logo vou ter a conversa como diretora pedagógica.
Vamos ver! Mas de qualquer forma já estou feliz por ela! Porque sei que ela vai se divertir muito! Agora ou no próximo ano.
Sei que ao longo dos anos até se formar, ela vai passar por várias e inúmeras fases (ânimo, preguiça, entusiasmo, vontade de ficar em casa, realizações, conquistas, etc) Mas não vejo a hora da gente poder conversar em inglês o tempo todo! Não vejo a hora de viajarmos todos juntos aos EUA quando ela for adolescente e ela usar tudo o que aprendeu ao longo dos anos. Sei que tudo isso demora a acontecer, mas sei também pela experiência que isso acontece sim, então é difícil não sonhar!
Mas calma, eu sei que tudo isso não acontece da noite para o dia, é um processo eficaz, mas longo. Mas se só dela já saber os números de 1 a 10 em inglês eu já me sinto muito orgulhosa, imagina quando a gente puder conversar mesmo!
Mas prometo aqui neste espaço que ao longo dos anos não criarei ansiedade em mim (muito menos nela), prometo apenas incentivá-la e ajudá-la se ela pedir minha ajuda.
Nossa, nem tinha idéia do quanto tudo isso poderia me fazer sonhar, o quanto essa possibilidade me deixaria feliz!
Calma Luciana, calma! Ela tem apenas 3 anos! rs

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Coisas de Ana Luisa! A escola nova! 27/07/09

Em fevereiro de 2008, Ana Luisa estava com 1 ano e 6 meses (quase 7). E foi nesse período que ela começou a ir para a escolinha.
Ela já andava há 9 meses, já corria, já sabia o que queria (mesmo não sabendo diferenciar muito bem o que podia e o que não podia), não falava muito bem, mas se comunicava perfeitamente expressando o que queria ou não. Era uma menininha ávida por novas experiências. Ela sempre foi bem independente por natureza (desde bebezinha) e sempre demos oportunidade para ela desenvolver esse lado tão importante no ser humano.
No final de 2007, eu fui conhecer algumas escolas, a levei para ver as salas e por mais que meu coração ficasse apertado por vê-la atingir mais uma etapa do seu crescimento, eu sabia que ia ser bom para ela.
Escolhemos uma escola baseada em localização, estrutura física, coordenadora, atividades, etc. Nessa época minha mãe ainda era viva e me ajudou muito a refletir sobre a decisão. Não seria a minha primeira escolha já que pensava em colocá-la na escola que estudei meus primeiros 11 anos de vida escolar, mas a localização e a situação de saúde de minha mãe não possibilitaria ter a ajuda de meu pai para nos ajudar a levá-la e buscá-la tão longe de casa. Escolhemos uma que gostamos muito também, mas que era mais perto.
E assim começou a ano de 2008 e a primeira experiência de nossa menininha mais velha na escolinha. E tudo correu muito bem. Acredito que em parte por sua personalidade e em parte pela maneira com que nós a criamos.
Ela ficou tímida no início, mas não chorou, não se agarrou a mim eternamente ... ao longo de alguns minutos, suas mãos foram se soltando da minha à medida que ela via as crianças brincando, a areia e os brincando chamando sua atenção. A professora veio, falou com ela, a chamou, ela foi meio resistente a princípio, mas rapidamente estava sorrindo meio tímida. Aí, eu me afastei pouco a pouco, fiquei olhando de longe, com o coração apertado por vê-la tendo um mundo sem mim. Coração apertado, mas muito feliz por mais essa conquista, por mais essa etapa em sua vida. Esse era o meu papel: mostrar a ela de corpo e alma que aquela experiência era boa!
Ao longo desse um ano e meio que ela estudou por lá, houve algumas situações que discordei da postura da professora ou da escola, mas coisas contornáveis. Nada que fizesse com que repensasse nossa escolha. Além disso, a Ana Luisa adorava cada segundo por lá, cada coleguinha, cada atividade, cada professora, cada coisa aprendida, e ela aprendeu bastante: aprendeu o conceito de esperar, dividir, aprendeu as vogais, as formas, aprendeu o conceito de amizade, de menina e menino, teve a experiência de subir no palco, de se apresentar, aprendeu que existe um mundo sem nós, mas que sempre estaremos esperando por ela no final do dia, aprendeu que ela pode ser ela mesma em casa ou na escola.
Houve uma época que foi muito difícil deixá-la na escola. Isso começou a acontecer em maio ou junho de 2008 quando eu estava grávida de 5 ou 6 meses da Ana Julia. Todo aquele processo fácil do início ruiu. Ela se agarrava em mim, não queria ficar, não queria fazer parte de tudo aquilo que ela tanto amava. Fiquei apreensiva, depois triste, até desesperada ao longo das semanas. Conversei na escola e me disseram que nada estava acontecendo por lá, que nada havia acontecido, que ela estava bem, que depois do choro e desespero inicial ela ficava bem, muito bem, menos de minutos após sua chegada.
Não foi uma época fácil para mim: ela se agarrando a mim, chorando, não querendo se desprender de mim, querendo ficar comigo e eu tendo que ir trabalhar, tendo que chegar logo depois na escola e estar bem, sorrindo, feliz, animada com minha aula e meus alunos como eles merecem minha atenção e postura. Eu fazia tudo isso, ninguém percebeu, mas por dentro foi uma luta conseguir passar por isso e não demosntrar nem para ela, nem para ninguém.
A antiga coodenadora um dia me chamou, me confortou, me mostrou caminhos e me alertou que já que na escola tudo estava bem só podia ser o fato da minha barriga já estar ficando cada dia mais aparente, maior, mostrando que algo diferente estava para acontecer de verdade. Me emprestou um livro para ler com ela sobre essa fase na vida de uma criança e gostamos tanto que até compramos um para ela fazer o que quisesse: ler, amassar, pintar, ler de novo, sentar em cima, qualquer coisa, contanto que percebesse através da literatura que outras pessoas passam por isso (dois pontos com uma coisa só: a literatura e a mensagem). Pouco a pouco, ela melhorou, mas ainda me lembro de estar parada em frente da escola, tentando olhá-la de longe, tentando espiar sua vida no parquinho de diversão após uma despedida dramática para mim. Ela já estava bem, brincando, se divertindo, mas eu aproveitei que era sexta-feira e não tinha aula aquele dia e fiquei ali por muito tempo chorando de soluçar por toda aquela situação (imagina a situação: mãe preocupada e grávida ao mesmo tempo). Mas passou! (Tanto que depois que a bebê nasceu, ela nunca mais agiu assim no portão da escola, só em casa...mas isso é estória para outro livro, outro dia...rs)
Bem, mas depois que a bebê nasceu nossa rotina familiar mudou um pouco. A Ana Luisa precisava (e ainda precisa) do seu cochilo diurno e deve ser no máximo no início da tarde senão ela cochila assim que chega da escola (ela estudava no período vespertino). Às vezes, antes da Ana Julia nascer, ela acabava cochilando ao voltar da escola e isso bagunçava seu sono noturno. Não era o ideal, mas a gente dava um jeitinho e acompanhava seu pique até altas horas, mas depois da irmãzinha, isso era humanamente impossível. Então a hora do almoço virou uma guerra com estratégias, horários, e desespero para fazê-la dormir logo depois que almoçasse. E isso envolvia outra guerra para acordá-la, arrumá-la para ir para a escola. Resumindo: ela começou a não ir para a escola comigo (eu tenho aula, não posso me atrasar), começou a chegar atrasada todos os dias e como eu não podia buscá-la no seu horário de saída, eu acabei não podendo mais participar de sua vida escolar tão fisicamente quanto antes.
Em 2009, a escola que ela estudava encerrou suas atividades matutinas, então optamos por deixá-la por lá no período vespertino mesmo torcendo para que alguma coisa mudasse em sua rotina (tentamos de tudo). Mas nada mudou e o estresse e a correria continuaram (só que agora com uma bebezinha maior em casa). Fui na escola conversar, expliquei toda nossa situação, mas a coordenadora me disse que não haveria turma no período matutino (só SE em 2010 houvesse bastante procura) e que era quase certeza que em 2010 abriria uma turma de nivel 1 baby (minha dúvida para uma turminha para a Ana Julia já que as duas devem estudar em uma mesma escola).
Então, com muita dor e dúvida em meu coração, colocamos a Ana Luisa em uma outra escola no período matutino esse semestre. Senti muita falta de minha mãe para me ajudar nesse processo, mas decidimos e ela já começou a ir para a escola nova. Não foi fácil a decisão já que não havia motivos para a mudança (a não ser a mudança de período), além disso, ela gosta muito de sua vida na antiga escola e não sei se ela já entendeu de fato o que aconteceu.
Para ajudá-la nesse processo, nas férias ela frequentou uma colônia de férias (local novo, tias novas, amiguinhos diferentes, etc) e acho que isso foi válido. Mas ela está achando que a nova escola agora é uma colônia de férias. Quando estou dirigindo para lá, eu pergunto aonde estamos indo e ela fala colônia de férias. Ela chega feliz, fica bem, e sai feliz, mas não faz nenhum comentário sobre o que se passou por lá. Eu pergunto e ela ou fica quieta ou fala de outra coisa (nisso, ela puxou a mim: enquanto eu ainda não tenho uma opinião formada sobre algo, eu fico quieta, eu fico pensativa). Ela frequentou a nova escola por uma semana. Bem nos dias chuvosos, frios, e feios desse inverno. E assim tudo fica meio sem cor.
Bem, acho que na verdade está sem cor para mim porque ela está irradiando vida e alegria como sempre!
Acho que eu estou sofrendo mais por ela do que ela mesmo está sentindo tudo isso, mas esses dias ela começou a falar das tias da outra escola e dos antigos amiguinhos e eu quase chorei porque não queria que ela estivesse passando por isso tão cedo.
Eu sei que a vida é assim mesmo e que não poderemos manter o mundo perfeito e colorido para ela para sempre e em todos os momentos, mas ainda não consigo falar sobre isso, sobre essa nova fase. Não estou arrependida de tê-la mudado de período e sei que está em boas mãos também, mas ainda está sem cor para mim.
E isso me lembra quando aos 15 anos eu cheguei de avião em uma cidadezinha ao leste dos EUA. Sozinha, inverno, árvores sem folhas, só galhos e para piorar sem sol e chovendo. Indo de carro para a casa que me hospedaria por aquele ano tudo que eu conseguia pensar era:
"Será que tudo isso, todas essas pessoas, todas essas casas, todo esse mundo vai um dia ter cor para mim?"
E teve! Pouco a pouco meu mundo por lá teve um dos coloridos mais lindos de minha vida.
E isso me dá esperança para essa nova fase da nossa menininha mais velha (esperança para mim também porque como já disse, eu acho que estou sofrendo mais do que ela). Sei que decidimos tudo isso pensando no bem de todos aqui em casa e isso acalma um pouco o meu coração! Mas ainda não está sendo fácil!