segunda-feira, 25 de maio de 2009

Coisas de nossa família! A "amiga" da Ana Luisa! 25/05/09

Quem tem dois filhos (ou mais) sabe que quando um deles é bebê, todo cuidado é pouco!

Cuidado no sentido do perigo do mais velho machucar o mais novo e cuidado para que não haja ciúme demasiado (pois não haver ciúme é como não gostar de dia com sol)

Ana Julia tem agora sete meses. Engatinha para todo lado, sobe apoiada nos movéis, e até tenta ficar em pé por alguns segundos. Resumindo, quer liberdade, quer movimento, quer poder ir para lá e para cá.
Ana Luisa tem dois anos e 10 meses. Quer controlar tudo e todos. Quer que o mundo gire ao seu redor (quer e acredita nisso). Quer que todos façam exatamente o que ela acha que devem fazer!Ana Julia ama a irmã! Quando a vê sorri, grita de felicidade, quer ficar perto, quer ver o que a irmã está fazendo!
Ana Luisa ama a irmã! Quando a vê, sorri com o corpo, com os olhos e com o coração! Pode estar emburrada, pode estar não querendo acordar, tomar banho ou o que for, quando a vê, concorda com tudo!
Aí temos Ana Julia e Ana Luisa juntas na maior parte do dia. As duas se amam, não duvido disso, mas enquanto a mais nova quer liberdade para experimentar, a mais velha quer que ela fique perto e quietinha como era alguns meses atrás! Quer carregá-la no colo, quer brincar com ela (e de uma maneira nada recomendada para um bebê) e tolhe seus novos e esperados movimentos. Aí temos conflito!

Uma de um lado reclamando, a outra de outro lado chorando! E o que fazer? Aliás, o que fazer é fácil (se envolve perigo é fácil achar a solução), mas o como fazer, deve ser bem pensado para não parecer que estamos protegendo uma ou outra.

Pois bem, mas ontem aconteceu um conflito que merece ser contado:

Estavam no berço da Ana Julia as duas. Brincando, sorrindo e se divertindo. Linda cena de se ver! (Aliás, as fotos acima são desse mesmo dia). Tudo estava bem quando de repente, Ana Luisa resolve brincar de cavalinho na Ana Julia (exatamente como ela faz no seu papai) e aí o caos se instalou.

Tirei a Ana Julia de baixo dela, expliquei que não poderia brincar assim porque isso poderia machucá-la muito. Aí ela (a mais velha) começou a chorar, depois a mais nova começou a chorar também (acho que pela confusão), logo em seguida a mais velha desceu sozinha do berço, eu fui tirar a Ana Julia, mas ela não deixou que a irmãzinha fosse retirada. Aí, chorando e dizendo bem alto, quase gritando (para não soar tão feio dizendo que estava aos berros) disse que a Ana Julia tinha que ficar ali. Aí, a mais velha quis subir e eu disse a ela que poderia subir sim, mas que não poderia brincar de cavalinho com a irmãzinha. A mais velha foi ficando cada vez mais brava comigo, a Ana Julia já estava aos berros nesse momento e por fim, eu tirei a Ana Luisa do berço, coloquei no chão, olhei nos olhos dela e fui firme:

-Não pode brincar assim com sua irmã! Machuca!
-Machuca não!
-Machuca sim!
-Machuca não!
-Se você for brincar assim, ela vai ter que ir para outro quarto!
-Otro quarto não! Vo subi agola!
-Ana Luisa, você não pode subir e não pode falar assim com sua mamãe!
-Pode sim! (Pera aí, pode sim subir ou falar assim com a mamãe? pensei)

Aí, tirei ela a força do berço. Levei para o outro quarto (e a Ana Julia nesse momento chorando no berço), e comecei a explicar que não devia gritar com ninguém, que tinha que obedecer, etc,etc. Ela nem me escutava, fica gritando:

-Papai! Papai! Papai! (agora, tudo é o papai!)

Chamei o Ni que estava longe em outra parte da casa. Ele veio, perguntou para ela o que tinha acontecido e ela explicou mais ou menos assim (não entendi muito bem porque o choro era maior):

-Papai, mamãe bigô cumigo!
-Por que ela brigou com você Ana Luisa?
-Mamãe bigô cumigo papai! (E lá foi ela querer abraçá-lo)
(Eu não deixei o abraço e pedi a ela que explicasse o motivo de eu ter brigado com ela)


Ela aos prantos disse algo assim:
-Ana Julia (e um monte de outras coisas que não entendemos)...brincá (e um monte de outras coisas que não entendemos)...ela é minha amiga papai!

Quando escutei isso, meu coração afrouxou! Minha menininha mais velha contando que estava brincando com a irmãzinha, que era amiga (o que para ela significa gostar muito!) ,me deixou boba de felicidade! Queria esquecer tudo e dar uma abraço apertado nela, mas sei que não podia ainda.

Não nos deixamos afetar por isso (difícil, mas necessário) já que uma lição ela teria que entender e continuamos. Contei o que aconteceu e aí o Ni disse:

-Você pode brincar com a Ana Julia sim! Sempre que quiser, mas era perigoso o que você queria, podia machucar ela e você. Mas o mais importante agora é que você não pode gritar com a mamãe e nem com ninguém, você deve obedecer a mamãe sempre Não pode brigar com ela desse jeito, não pode gritar, tem que conversar! E quando briga e grita, tem que pedir desculpa, não é mesmo? A mamãe gosta tanto de você!

Ela estava brava, séria, aí de repente, me olhou. Eu fui perto dela e ela me abraçou, chegou perto do meu ouvido e disse:
-Dicupa mamãe!
E eu só disse:
-Desculpo sim!
E acrescentei:
-Vamos lá dentro todo mundo jantar?
E ela:
-Oba! Vamu! Cade a Ana Julia?

E lá fomos nós e eu mais feliz do que nunca por ela ter chamado a irmã de amiga! Que isso seja sempre a realidade! Que briguem, que tenham problemas, mas que saibam que podem contar uma com a outra!

P.S. As crianças citadas nessa estória não sofreram maus tratos de qualquer espécie. Enquanto as duas brincavam no berço, uma adulta (eu) estava lá o tempo todo! E enquanto a conversa com a mais velha acontecia, a mais nova estava sozinha no berço sim, mas berço este que fica a um metro de onde estávamos e que tem um estrado que já foi rebaixado para evitar acidentes! E ela estava bem, brincando com seus brinquedos! :)

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