terça-feira, 28 de abril de 2009

Carta para minha mãe! 28/04/2009



Mãe, hoje faz 8 meses e 9 dias que não a temos ao nosso lado, em nosso dia-a-dia.

Não mãe, eu não sei de cor quantos meses ou quantos dias você se foi, eu tenho que contar nos dedos quanto tempo faz. Continuo contando daquele jeito que sempre contei, nos dedos e repetindo a conta ínumeras vezes mesmo que seja óbvio a soma total.

Mãe, eu nem sei se você sabia desse meu jeito de contar, mas acredito que sim. As mães sempre sabem de quase tudo, não é? Mas com relação a quanto tempo que não a temos aqui conosco eu sei mais ou menos de cor porque a senhora se foi no mês anterior que nossa segunda menininha nasceu. Eu sei de cor só por isso, viu?

Estou te dizendo isso porque eu sei que não é nosso costume em família nos apegarmos às tristezas, às datas que nos deixam sem chão e sim nos apegarmos às coisas boas, a olhar e ver o lado bom de todos nós e da vida. Então queria te dizer que continuo dessa forma e é assim que pretendo criar nossas menininhas. Não é fácil seguir essa filosofia de vida às vezes, mas sei que vale a pena!

Mas mãe, às vezes é tão difícil não a ter aqui! Às vezes choro tanto de saudade, de tristeza, de vazio e de raiva por não ter a oportunidade de continuar contando com seu apoio, sua força, sua presença em nossas vidas. Queria tanto, mas tanto, mas tanto mesmo que a senhora estivesse aqui para ver que sua filhinha é uma mãe adorável. Devo ter meus defeitos, mas por enquanto ainda não tive reclamações e só vejo as coisas boas de meu amor por elas!

Tento passar a elas coisas suas, coisas nossas, coisas minhas. Está tudo tão enraízado que o que posso achar que é coisa minha, era sua e o que é sua, pode ser minha. Afinal, convivemos por tanto tempo que com certeza o mesmo tanto que eu aprendi com a senhora, a senhora deve ter aprendido comigo. E sei que sim! Nossos valores são nossos! Um pouco de mim, um pouco da senhora, um pouco de nós todos aqui.

Todos nós temos ínumeros defeitos e eu sabia cada um dos seus, mas no final, o que fica são só as coisas boas de cada um. Porque afinal é isso que conta na vida. O resto se dilui com o tempo, perde a importância, perde toda cor forte que porventura pudesse ter.

O que mais me lembro era de suas risadas, de sua ingenuidade com fatos cruéis ou falsos da vida, de sua preocupação com saúde, o seu cuidado com sua aparência, sua dedicação com afinco a tudo que fazia, o seu amor pela enfermagem e pessoas e sua grande e inabalável fé.

Tivemos nossas dificuldades, éramos e pensávamos diferente com relação a algumas coisas, mas não me lembro de nenhuma vez que estive realmente mal, triste ou doente que não tenha tido seu apoio. Você podia não entender ou concordar, mas me animava a seguir em frente e a não remoer ou mexer demais nas feridas. Às vezes era pragmática demais com algo que eu poetizava e isso me magoava demais, às vezes era eu a pragmática em nossa relação, às vezes não me ouvia como eu gostaria ou precisava, outras vezes participava muito em minha vida. Tivemos nossas diferenças, mas seguimos juntas por 37 anos.

Mãe, eu queria te dizer uma coisa: enquanto você existiu aqui entre a gente, eu nunca me senti adulta totalmente, sabia? Sempre me senti filha, protegida, amparada. Pode ser porque ainda não era mãe de duas menininhas, mas sua ausência me forçou a crescer de uma forma que me assustou no começo. Ainda me assusta pensar em mim apenas como mãe. Não ser mais filha, não ter mais minha mãe é assustador, às vezes.

Mãe, eu sei que tenho meu pai e sei que posso contar com ele para tudo. Preciso e dependo dele. Não consigo me imaginar sem ele, mas nossas conversas sobre tudo, sobre o nada, nossas conversas sobre o que fazer, o que pensar e o que sentir me fazem muita falta. Sei que sempre tive minhas opiniões formadas desde pequena. Sempre fui muito independente, muito de me entender e me procurar, mas gostava e precisava colocar minhas idéias para você. Adorava quando via em seu olhar o seu orgulho por mim. Adorava quando via que ainda precisava te convencer de algo. Isso me desafiava a me munir de mais informações, fatos e dados sobre o que pensava e com isso eu crescia, eu me desenvolvia e aprendia a lidar com as pessoas em geral porque se conseguia te convencer de algo ou de algum conceito meu, conseguiria convencer metade do mundo.

Sinto falta de conversar, sinto falta de desabafar, sinto falta de viajar com você, sinto falta de olhar no dicionário e livros o significado de alguma coisa com você, sinto falta de te falar sobre coisas que você não entendia, te ensinar, sinto falta de conversar sobre saúde, tratamentos, remédios e todo esse mundo hospitalar com você, sinto falta de sair na rua aos sábados com você, sinto falta de te ver alegre com as roupas e sapatos que víamos ou comprávamos, sinto falta de te ver se arrumando para sair, de sentir seu perfume, de ver suas unhas vermelhas, seu cabelo vermelho e sua elegância, sinto falta de te ouvir falando de Jesus e da Biblia, sinto falta de te ver dirigindo, sinto falta de seus bolos que eu não gostava, sinto falta de sua torta que eu amava, sinto falta de te ver na cozinha, na cama e embaixo das cobertas, sinto falta de te ver molhando as plantas, sinto falta dos presente que você me dava quando viajava, sinto falta de você me fazendo sopa quando eu estava adoentada, sinto falta de ouví-la dizendo que todo mundo era tão bonito, tão especial porque pra você, todos erão tão bonitos!

Mãe, sinto falta de você em minha vida!

Sinto muita falta de não poder lhe contar sobre as travessuras da Ana Luisa e das coisas fofas da Ana Julia. Sinto falta de você aqui com elas. Você teria gostado tanto delas! Não sei se me abriria os olhos sobre o modo melhor de educá-las, mas sei que não veria nelas nenhum defeito! Acredito que iria fazer tantas coisas com elas e que eu ficaria tão feliz de vê-la participando do crescimento delas. Vi o quanto gostava da Ana Luisa, o tanto que se orgulhava, o tanto que ficava feliz quando ela estava ao seu lado mesmo que não pudesse estar com ela da maneira que gostaria já que já estava adoentada e de cama. Mas tem algo que nunca esqueço: suas conversas com ela dizendo que quando melhorasse iria levá-la ao Parque dos Ipês para ela brincar. Ela a a nossa menininha que ainda estava por chegar! Você não imagina mãe quanto tempo levei para conseguir levá-las lá. Afinal era a senhora que deveria estar indo e participando desse momento tão feliz!
Mãe, elas duas são menininhas lindas! Sei que toda mãe acha isso de seus filhos, mas eu sou como todas as mães: amo minhas crias, amo ter a oportunidade de estar com elas, de ensiná-las, de aprender com elas! Às vezes, elas me deixam loucas com tanta energia e vontade própria e sinto falta de poder compartilhar com a senhora sobre como educá-las da melhor forma, de como ensiná-las a se comportar de uma ou outra maneira sem castrar seus eus, sem podar a criatividade tão inerentes às crianças e que com o passar dos anos vai se diluindo pela força da vida e dos adultos. Sinto falta de compartilhar, de ouvir uma segunda opinião, de te convencer de minhas ideias com relação a elas. Sinto muita falta!
Sinto falta de seu colo, de sua força e de sua fragilidade! Sinto muita falta de ser filha! Porque por mais que amo meu pai, nada substitui a necessidade de tê-la por perto! Eu ainda precisava muito da senhora comigo!
Mas mãe, não fique triste ou se sinta culpada por não poder estar aqui comigo. Sou mãe e sei que amor e culpa caminham lado a lado. A senhora sabe que aprendo a me virar, que vou florescer aonde estou plantada, que vou dar conta de tudo sim. Estou mais triste, sou mais triste. A tristeza agora é algo inerente a mim. Acho que nunca mais vou ser feliz por completo! A vida inteira parecia que faltava algo para completar o circulo da felicidade. Não me entenda mal. Sempre fui muito feliz, muito agradecida da vida e de Deus, mas faltava algo para ser completo. Achava que gostaria de mudar de cidade, de viajar para certos lugares, de fazer certos cursos, de adquirir certas coisas. Não era infeliz, mas sentia uma certa inquietude! Quando me casei, tive nossa primeira menininha, constituí família, sonhei em aumentá-la, continuei a crescer profissionalmente e tinha você e meu pai por perto, senti o circulo se fechar e a inquietude acalmou. Depois que você se foi, é como se o circulo estivesse aberto de novo, não me sentia mais completa. E acho que nunca mais vou me sentir, o que tenho que fazer é aprender a lidar com esse vazio. Minha vida nunca será perfeita no sentido exato da palavra, mas sei que posso ver beleza na imperfeição. Sempre pude e vou lutar para isso! Vou ser feliz do jeito que dá! Mas gostaria que você estivesse aqui para me ajudar!
Mãe, o dia das mães está chegando. Por um lado, estou muito mais do que feliz de comemorar essa data linda. Será o quarto dia das mães da Ana Luisa (se eu contar quando ela estava em minha barriga, lembra da sua felicidade?) e será o segundo da Ana Julia (o primeiro aqui fora entre a gente. Quando ela estava na barriga, a senhora participou da alegria dessa data e não via a hora de vê-la conosco, lembra?).
Sei que tenho muito que agradecer, que comemorar! Mas será meu primeiro dia das mães sem você do meu lado. Não terei mais que pensar em que presente lhe dar, o que escrever no cartão e isso me dói! Muito! Eu adorava nossos rituais!
Tenho fugido do assunto, fugido das pessoas, queria viajar para algum lugar que ninguém falasse disso, mas mãe é universal e além disso, aonde quer que eu fosse, eu levaria essa saudade comigo!
O que me resta são nossas memórias e fico feliz que sejam lembranças boas. Isso era algo de família, aproveitar cada minuto que tínhamos! E aproveitamos bem!
Mãe, por mim continuaria a escrever tudo que gostaria de dizer para a senhora. Sempre tive muito o que dizer para quem eu me sentia totalmente à vontade. E eu me sentia assim conosco! Não quero colocar um ponto final em nossas conversas, ainda não estou preparada! E acho que nunca vou estar! Então me despeço por hoje dizendo algo que sei que sempre falava, mas gostaria de falar novamente:
Mãe, obrigada por tudo! Te amo infinitamente! Cuida de mim como sempre fez, tá?
Posso falar de novo que te amo?
Porque é de coração: te amo, te amo, te amo, te amo, te amo ...

sábado, 11 de abril de 2009

Coisas de Ana Luisa! A Páscoa! 10/04/09

Conversa sobre a Páscoa:
Depois de algumas explicações sobre a Páscoa, seu significado, sobre o Coelhinho da Páscoa (não é só o Papai Noel que traz algo para menininhas que se comportam e obedecem, tá? ... rs), faço a pergunta crucial:
-Ana Luisa, quantos ovos de Páscoa você quer que o Coelhinho da Páscoa traga para você?
Ela pára, pensa e me responde sem nenhuma dúvida:
-Tudo, mamãe, tudo!
Pois é, é nesse espírito de ingenuidade, de faz de conta, de sonho e de grandeza, que venho aqui desejar a todos nós uma Páscoa linda e abençoada.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A independência parte 2! Coisas de Ana Julia! 08/04/09


Desde o final do quinto mês, a Ana Julia não tem parado mais. Fica em pé no nosso colo, no chão com nosso apoio, senta, vira, tem se arrastado, tentando engatinhar para chegar aonde quer! E como ela quer chegar a tudo que interessa! Pois dia 05/04/09, ela começou mais efetivamente deixar de ser bebê e engatinhar. Nossa bebezinha está crescendo! P.S. A mamãe não sabe contar ... seis meses e UMA semana e não duas como ela falou no video! :)


Esse video está no Multiply. Demora um pouquinho. Então, eu aconselharia a clicar no link e deixar passar uma vez (demorado, picado, etc) e enquanto isso, faria outras coisas. Quando acabar, aperte o play para reiniciar e curta minha menininha mais nova. Aí sem demora e sem problemas. Mas não fique com preguiça não, tá? Clique e assista! Estou tão orgulhosa dela que vocês nem imaginam. Quer dizer, quem tem filhos imagina e entende sim! :)


Abraços!


Ah, o link: http://luciana2202.multiply.com/video/item/17/17


segunda-feira, 6 de abril de 2009

A independência! Coisas das menininhas Ana! 06/04/09





Minhas meninas estão crescendo, estão caminhando para se tornar gente grande a cada dia. O tempo passa rápido demais e para mim esse é o grande problema, a grande dor no coração. Não me sinto triste porque elas deixam de ser bebês porque o que eu mais amo é ver o desenvolvimento delas, de vê-las caminhando para o mundo delas, de vê-las se tornando independente. A grande dor no coração é que nesse processo de crescimento, os anos passam para mim também e morro de medo de não poder estar ao lado delas em todo momento significativo da vida de minhas pequenas.

Pelo que escuto de algumas amigas, colegas, parentes e pessoas da internet (seja do Brasil ou EUA) a grande dor no coração é de ver seus bebê se tornarem maiores, de vê-los crescerem e se tornarem cada dia mais independentes das mamães e dos papais. Ficam aflitas de verem seu filhos irem para a escola, de se virarem sozinhos, de se tornarem tão independentes. É lógico que deve haver orgulho de tudo isso também, mas o grande foco é na passagem do tempo, de verem seus bebês em outro fase sem nem dar tempo para os papais e mamães se despedirem da fase anterior.

Eu, por outro lado, não consigo pensar na fase que estão deixando para trás e penso apenas no que estão conseguindo fazer, sentir e viver naquele momento. Não sou saudosista de minhas crias. Amo relembrar o que viveram, mas com alegria apenas e sem saudosimo de nenhum tipo. Pode ser que no futuro, eu possa a vir a me sentir assim, mas por enquanto, meu foco é no presente.


E hoje estou extremamente feliz que minhas pequenas estão crescendo, estão pouco a pouco se libertando de mim, estão se tornando donas de seu destino cada dia mais. Meu único objetivo na vida delas é de dar asas para que possam voar, se descobrirem, se tornarem adultas seguras, sensíveis e atentas a si e ao outro. Não quero que necessitem de mim mais do que qualquer outro sentimento, quero que gostem de estar comigo, conosco, e que gostem de compartilhar suas vidas conosco, com as pessoas que a amam mesmo antes delas nascerem.


Não quero ser necessidade exagerada, quero apenas ser porto seguro! Amo minhas meninas mais do que tudo na vida, assim como todos os papais e mamães que conheço! Acho que a única diferença é que a vida me ensinou à força a viver o minuto presente e não pensar muito no que passou ou virá! Aprendi muito a focar no presente, a amar o presente, a agradecer pelo presente, a viver plenamente o presente porque só assim teremos boas lembranças! Mas ainda estou em fase de aprender a não pensar no futuro e deixar de lado aquele medo que aparece de vez em quando de não poder estar para elas e com elas em todos os momentos da vida de minhas pequenas!


P.S. Ana Julia começou a engatinhar. Ela está com seis meses e uma semana agora! No final do quinto mês, ela começou a deixar de ser bebê. Já estava bem ativa, não parava em nosso colo, queria escalar, queria sentar, virar, se arrastar, engatinhar, ver o mundo! Ela está com aquele brilho no olhar de quem acaba de descobrir que o mundo tem tanta coisa linda para se ver e experimentar! Uma grande lição para nós maiores! Ela está um grude comigo, me ama com o olhar e o corpo!


A Ana Luisa está se tornando uma mocinha cada dia mais. Seu vocabulário me surpreende às vezes (mesmo que perto de pessoas que não conheça bem, fique muda), suas tiradas são lindas, começou a perguntar os porquês das coisas, quer ajudar em tudo, quer fazer tudo sozinha, já gosta de jogar volêi e bater bola igual no basquete (e como sua força e coordenação motora é perfeita para a idade), ama assistir o treino do judô que tem em frente de casa, já torce para o Corinthians e sabe o que é gol (grita feliz) e sabe fazer gol também. Ama desenhar, pintar, assistir dvd, brincar de massinha, brincar no balanço, passear a pé ou de bicicleta. Ama proteger sua irmãzinha e tudo que ganha pergunta aonde está o da Ana Julia também. É lógico que aquela fase dos dois anos (terrible two) ainda tem morada em nossa casa. Faz birra, chora, quer uma coisa, depois outra, quer colo, não quer dar a mão, ama a irmã, quer ficar sozinha, longe da irmã, mas de vez em quando isso passa longe daqui! Ela vive chamando por mim, mas está um grude com seu papai. Ela está uma mocinha linda com dois anos e 9 meses!


Viu só, em muitos aspectos sou igual a todos os papais e mamães nesse mundo: amo minhas crias e sou coruja delas! Abraços!