domingo, 22 de fevereiro de 2009

O aniversário! Meu dia especial! 22/02/2009

Esse ano, se eu pudesse, teria pulado essa data. Afinal ela só existe pela junção de muitos fatores que levaram minha mãe a estar em um hospital me entregando para o mundo nesse dia há muito tempo atrás. Mas decidi não pensar muito! Chorei o que tinha para chorar na quarta-feira anterior e de lá para cá, desisiti de ter a obrigação de ser ou estar feliz nesse dia! Era para ser o que pudesse ser. E assim sendo ficou um pouco mais fácil. Não como gostaria, mas mais fácil!

Mesmo assim, essa pessoa que comemorou aniversário esse ano, não sou eu. Não aquela com todas as cores e sons. Ainda me sinto um pouco anestesiada pela ausência de minha mãe, mas tenho melhorado. Superado não, mas as coisas como um todo têm melhorado.

Mesmo não querendo, essa data chegou. Meu primeiro aniversário sem minha mãe aqui conosco. Se eu pudesse escolher, gostaria de passar o dia na cama, de molho, não fazendo nada a não ser cutucando a ferida dessa ausência. Gostaria de chorar tudo que ainda preciso chorar, sentir tudo que preciso sentir e adormecer feito um bebê para o dia seguinte. Mas não é sempre que os desejos de aniversário funcionam.
O dia chegou. E não chegou de mansinho como gostaria. Chegou quase de madrugada. Chegou delicado como um passo de elefante. Aliás, um desfile alegre de elefantes dançando, felizes da vida.

As duas princesas de nossas vidas acordaram muitíssimo cedo e com disposição para comemorar o aniversário da mamãe (mesmo que nem soubessem dessa data). Ficamos na cama, trocamos as fraldas, brincamos, assistimos dvd, tv, brincamos mais um pouco... (tudo isso em meio a inúmeras interrupções para pedir à nossa pequena mais velha cuidado com a irmãzinha mais nova) Ficamos ali até que a fome se instalou. Aí, começou a comemoração para a mamãe: waffles para o café da manhã preparados pelo maridão! Como a vida poderia ser sempre doce quanto o sabor de mapple syrup (um tipo de melado americano maravilhoso).

Depois, visita dos avós paternos e o bolo para a mamãe.

Nesse momento, Ana Luisa ficou curiosa e quis saber o porquê do bolo. Disseram que era meu aniversário (eu não havia dito a ela) e ela ficou extasiada querendo festa, querendo cantar parabéns. Nessa hora, compreendi de coração e ação que apesar de qualquer dor, minha vida continua e que minha estória de vida agora é dividida com minhas filhas, com minha família. Seres inocentes que merecem qualquer comemoração, mesmo que seja a comemoração do aniversário da mamãe delas que por ainda sentir muita saudade de sua mãe, preferia ainda esperar outro ano para comemorar.

Depois disso, almoço. Almoço comprado pronto. Gostoso como almoço de domingo: frango assado, linguiça toscana, mandioca e maionese. E as meninas dormindo! Almoço na varando, com prato na mão, conversando eu, marido e meu pai.

Depois, hora do soneca. (merecida por termos acordado tão cedo)

Como nada é do jeitinho que precisamos, logo fomos acordados pelas nossas lindinhas. E com um calor tão insuportável que nem ar condicionada resolvia. Aí, tive a melhor idéia do dia: piscina de plástico com capacidade para todos nós. Até nosso labrador participou um pouquinho.

Nesse momento, a vida não parecia mais tão difícil e triste como estava no começo do dia. Ana Luisa se divertindo muito, sorriso no rosto de meu pai, primeiro banho de piscina de nossa pequenina Ana Julia e o olhar de carinho de meu marido para mim e para nossas lindinhas. Se eu pudesse, eu congelaria esse momento e ficaria ali por muito e muito tempo. Esse foi o momento perfeito do meu dia!

Mas o sol estava querendo ir embora e a noite tinha que ter bolo para comemorar. Nos aprontamos em quinze minutos (eu e meu marido) e conseguimos a proeza de arrumar as duas em 45 minutos (quem tem dois filhos, ou melhor, duas meninas e uma delas tem 2 anos e 7 meses, sabe que isso é uma proeza) e fomos a um restaurante comemorar com pizza, carpaccio e aquele bolo tão esperado pela Ana Luisa.

Chegou a hora, era hora de agradecer a Deus por minha vida e compartilhar essa alegria com familiares e amigos que estavam por lá. Ana Luisa era a mais feliz, cantando e gritando os parabéns. E eu ali, como em um filme em câmera lenta, vendo tudo e todos, sem escutar nenhum som. Só me lembro da hora da velinha, eu e minha companheirinha desesperada para assoprar e naquele segundo do desejo, sem perceber desejo minha mãe perto de mim fisicamente. Ao mesmo tempo percebo que isso não é mais possível e me lembro das minhas meninas e minha família e desejo saúde para todos e que nossa esperança nunca deixe de nos acompanhar!

Foi um dia bonito! Real, prosaico, e com final feliz e cheio de esperança!

Abraços!

Ah, algo que escrevi que resume tudo isso:



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