terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Coisas de Ana Luisa! Foi carnaval! 24/02/09



Ana Luisa impossível a manhã inteira.

Era o esperado já que foi feriado e já que a babá não estava para ajudar! E como sempre acontece ... já que filhinhos tem radar para saber os dias mais apropriados para ser feliz em excesso! :)

Bem, em meio ao caos dela, com ela mesma, com a irmãzinha, com os brinquedos dela, com as coisas do papai dela, do vovô dela, com a irmãzinha de novo, com ela de novo... de repente, me lembro da folia no clube de campo que frequentamos e falei:
-"Meu anjo, hoje tem festa a fantasia, sabia? "
-"Ãnnn??? Feta fantasia?"
-"É, princesa. Você quer ir?"
-"Oba! Feta fantasia!" Agola mamãe?"
-"Não, minha linda, a tarde!"
-Ah, tá!

Três segundos depois:
-"Feta fantasia, mamãe?"
-"É, lindinha."
-"Agola, mamãe?
-Não, meu anjo! A tarde! Brinca na sua casinha, a mamãe brinca com você!" (na verdade, uma barraquinha da barbie)


Menos de um minuto depois:
-"Mamãe, feta fantasia?"
- (Ai que vontade de não ter falado com tanta antecedência) :)

A sorte é que ela foi passar o almoço e um pedaço da tarde na vovó paterna.
E só depois fomos na tão falada festa a fantasia. E até que foi bem divertido, com direito a pula-pula, piscina de bolinha, animadores de dança para os pequenos, palco, confete, balão, serpentina e muita espuma! Não sei se ela amou, mas seu rosto, embora tímido, estava iluminado. Ela até arriscou imitar a tia da dança em cima do palco. E não é que ela que conseguiu?

P.S. Ela foi vestida de Chapeuzinho Vermelho e a irmãzinha de Minie. O mais legal do dia foi ter que ficar cantando "Pela estrada afora..." o caminho inteiro até o clube! Minha Chapeuzinho Vermelho ama escutar minha voz! :)

Ah, eu não estava afim de pular carnaval. Não estava afim de compactuar com essa alegria generalizada, superficial e com a obrigação de ser feliz desse dia. Queria ficar em casa, no ar condicionado organizando as fotos que revelamos e tentando não pensar em minha mãe e na saudade que sinto. Então, inventei que era festa a fantasia para me enganar! E não é que funcionou?
Abraços!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O aniversário! Meu dia especial! 22/02/2009

Esse ano, se eu pudesse, teria pulado essa data. Afinal ela só existe pela junção de muitos fatores que levaram minha mãe a estar em um hospital me entregando para o mundo nesse dia há muito tempo atrás. Mas decidi não pensar muito! Chorei o que tinha para chorar na quarta-feira anterior e de lá para cá, desisiti de ter a obrigação de ser ou estar feliz nesse dia! Era para ser o que pudesse ser. E assim sendo ficou um pouco mais fácil. Não como gostaria, mas mais fácil!

Mesmo assim, essa pessoa que comemorou aniversário esse ano, não sou eu. Não aquela com todas as cores e sons. Ainda me sinto um pouco anestesiada pela ausência de minha mãe, mas tenho melhorado. Superado não, mas as coisas como um todo têm melhorado.

Mesmo não querendo, essa data chegou. Meu primeiro aniversário sem minha mãe aqui conosco. Se eu pudesse escolher, gostaria de passar o dia na cama, de molho, não fazendo nada a não ser cutucando a ferida dessa ausência. Gostaria de chorar tudo que ainda preciso chorar, sentir tudo que preciso sentir e adormecer feito um bebê para o dia seguinte. Mas não é sempre que os desejos de aniversário funcionam.
O dia chegou. E não chegou de mansinho como gostaria. Chegou quase de madrugada. Chegou delicado como um passo de elefante. Aliás, um desfile alegre de elefantes dançando, felizes da vida.

As duas princesas de nossas vidas acordaram muitíssimo cedo e com disposição para comemorar o aniversário da mamãe (mesmo que nem soubessem dessa data). Ficamos na cama, trocamos as fraldas, brincamos, assistimos dvd, tv, brincamos mais um pouco... (tudo isso em meio a inúmeras interrupções para pedir à nossa pequena mais velha cuidado com a irmãzinha mais nova) Ficamos ali até que a fome se instalou. Aí, começou a comemoração para a mamãe: waffles para o café da manhã preparados pelo maridão! Como a vida poderia ser sempre doce quanto o sabor de mapple syrup (um tipo de melado americano maravilhoso).

Depois, visita dos avós paternos e o bolo para a mamãe.

Nesse momento, Ana Luisa ficou curiosa e quis saber o porquê do bolo. Disseram que era meu aniversário (eu não havia dito a ela) e ela ficou extasiada querendo festa, querendo cantar parabéns. Nessa hora, compreendi de coração e ação que apesar de qualquer dor, minha vida continua e que minha estória de vida agora é dividida com minhas filhas, com minha família. Seres inocentes que merecem qualquer comemoração, mesmo que seja a comemoração do aniversário da mamãe delas que por ainda sentir muita saudade de sua mãe, preferia ainda esperar outro ano para comemorar.

Depois disso, almoço. Almoço comprado pronto. Gostoso como almoço de domingo: frango assado, linguiça toscana, mandioca e maionese. E as meninas dormindo! Almoço na varando, com prato na mão, conversando eu, marido e meu pai.

Depois, hora do soneca. (merecida por termos acordado tão cedo)

Como nada é do jeitinho que precisamos, logo fomos acordados pelas nossas lindinhas. E com um calor tão insuportável que nem ar condicionada resolvia. Aí, tive a melhor idéia do dia: piscina de plástico com capacidade para todos nós. Até nosso labrador participou um pouquinho.

Nesse momento, a vida não parecia mais tão difícil e triste como estava no começo do dia. Ana Luisa se divertindo muito, sorriso no rosto de meu pai, primeiro banho de piscina de nossa pequenina Ana Julia e o olhar de carinho de meu marido para mim e para nossas lindinhas. Se eu pudesse, eu congelaria esse momento e ficaria ali por muito e muito tempo. Esse foi o momento perfeito do meu dia!

Mas o sol estava querendo ir embora e a noite tinha que ter bolo para comemorar. Nos aprontamos em quinze minutos (eu e meu marido) e conseguimos a proeza de arrumar as duas em 45 minutos (quem tem dois filhos, ou melhor, duas meninas e uma delas tem 2 anos e 7 meses, sabe que isso é uma proeza) e fomos a um restaurante comemorar com pizza, carpaccio e aquele bolo tão esperado pela Ana Luisa.

Chegou a hora, era hora de agradecer a Deus por minha vida e compartilhar essa alegria com familiares e amigos que estavam por lá. Ana Luisa era a mais feliz, cantando e gritando os parabéns. E eu ali, como em um filme em câmera lenta, vendo tudo e todos, sem escutar nenhum som. Só me lembro da hora da velinha, eu e minha companheirinha desesperada para assoprar e naquele segundo do desejo, sem perceber desejo minha mãe perto de mim fisicamente. Ao mesmo tempo percebo que isso não é mais possível e me lembro das minhas meninas e minha família e desejo saúde para todos e que nossa esperança nunca deixe de nos acompanhar!

Foi um dia bonito! Real, prosaico, e com final feliz e cheio de esperança!

Abraços!

Ah, algo que escrevi que resume tudo isso:



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A vida continua, e grande! Estou de volta! 20/02/09


Na vida de qualquer adulto, três meses sem ver ou sem saber notícia não faz tanta diferença assim. A não ser em casos raros de transformação radical, é lógico. Mas quando se fala em três meses na vida de uma criança, a verdade é que muita coisa pode mudar.

A Ana Julia está uma mocinha de quatro meses, quase cinco e muito diferente daquele bebezinho de alguns meses atrás. Está cada dia mais fofa, literalmente até!

A Ana Luisa está com dois anos e sete meses e cada dia mais irritadamente e lindamente independente. Uma verdadeira mocinha de grandes opiniões do alto dos seus dois anos.

As duas se amam de uma forma admirável.

A Ana Julia quando vê a irmã mais velha, abre um sorriso enorme. Já ri das gracinhas dela e já a reconhece de uma forma vísivel no seu olhar e corpo. Ama a irmã e estar perto dela!

A Ana Luisa pergunta da irmã o tempo todo. Se compramos algo para ela, lá vem a pergunta: "E da Ana Jula, mamãe, cadê?" Se vamos em algum lugar, pergunta: "A Ana Jula vai tamém, mamãe?" Quando acorda: A Ana Jula mamãe, codô tamém?" E assim passamos o dia!

É lógico que esse amor todo, tem aquele lado inevitável: morremos de medo de ver a Ana Luisa chegar perto da irmãzinha (e é lógico que não demostramos nada).
Ela quer abraçar, apertar, beijar, pegar no colo, colocá-la nos seus brinquedos, brincar de casinha com ela, colocar presilha, dar de comer, beber e qualquer outra coisa que seria natural de entender e apreciar se a irmãzinha fosse mais velha, mas que agora ainda nos deixa receosos pelo fato de que pode machucar a pequenina, mas isso é pouco perto da alegria imensa de vê-las já começando a interagir!

É, a vida nos traz certas tristezas e nos deixa cheia de lágrimas às vezes (ainda sinto muito a falta de minha mãe). Mas essa mesma vida traz ao mesmo tempo muitas alegrias. Alegrias que podem encher nossos olhos de lágrimas também, mas de puro e imenso prazer. Porque só quem é mãe, sabe o que significa ver suas crianças se dando bem! E isso é o que mais gostaria de ver agora e no futuro!