quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O tempo! 11/12/08




Dizem que tudo é relativo e é mesmo.
O tempo então nem se fala.
Enquanto para uns passa arrastado, para outros passa voando.
Ou dependendo da situação, a vida corre veloz ou parecer desmanchar embaixo de sol quente.
Essa sensação depende das pessoas e de cada personalidade, mas mais do que tudo, depende do momento que se vive. E aí, não há personalidade que consiga fazer esse mesmo tempo não passar lentamente ou não fugir por entre os dedos.
Faz quase um mês que escrevi por aqui.
Quando paro para pensar, parece que faz um ano que me sentei e deixer correr livre meus pensamentos. Mas ao mesmo tempo, parece que foi ontem.
Não vir aqui não é por escolha minha. Eu amo escrever, mas estou sem tempo e além disso, eu ando tentando evitar conversar comigo mesma. Tenho muitas coisas para contar das meninas, da minha experiência como mãe, afinal a vida não pára, elas estão lindas, cheias de vida e aprontando cada uma, mas estou triste esses dias e sei que vou ficar ainda mais com a proximidade do Natal, Ano Novo e aniversário de minha mãe.
Nunca senti isso na minha vida nessa época do ano, sempre amei MUITO essa época, mas o primeiro Natal, Ano Novo e aniversário de minha mãe sem poder estar perto dela, dói, dói muito. E deixa uma vazio quase insuportável.
Como a gente gostava dessa época! Como a gente fazia planos e se sentia feliz! Aprendi a amar tudo isso com ela. Aumentei essa intensidade por conta própria. Afinal sei que sou exagerada com o que gosto, mas a base de tudo foi ela. Sementinha que ela plantou em terreno fértil.
Eu amo o Natal. Amo mesmo.
Amo o que representa e amo a época de ficar com a família, decorar, comprar presentes, pensar na ceia, na sobremesa, na roupa, nos cartões. Amo tudo!

Minha mãe também amava. Tenho inúmeras lembranças dessa época com ela, com nossa família. Lembro da gente saindo, decidindo os presentes, meu pai reclamando que não precisava gastar tanto, de nós indo ao mercado, etc, etc, etc.
Lembro do dia da véspera também, a gente sempre com algo em vermelho, recebendo os parentes, lendo a Bíblia antes de comer, orando, esperando a meia noite para abrir os presentes, rindo das situações, da bagunça de papel no chão...tantas coisas! E isso me aperta o coração!

Não vejo a hora de chegar dia 24 de novembro (ou o fds antes) para decorar a casa. Tenho e a cada ano compro muitos enfeites novos, isso me enche de alegria e quero passar isso para minhas meninas. Fazer a nossa tradição, continuar a minha de menina, mas agora sem minha mãe.

Vou enfeitar, vou decorar, vou fazer cartão de natal, mas não queria passar o Natal por aqui. Queria ir para longe, em algum lugar que não fosse tão presente a sua ausência, mas não sei se será possível por causa da bebê pequena (ela vai estar com quase três meses).
Queria fugir para poder guardar só as boas lembranças, sabe? Se ficar aqui esse ano pode ser que fica a tristeza de lembrança e não quero isso. Será que dá para entender?

Bem, eu ainda choro em silêncio, choro sozinha e choro sem lágrimas sempre. Esses dias estava lá fora andando para tentar fazer a Ana Julia dormir e uma vizinha estava andando com a filha e na hora de subirem a rua, se abraçaram e andaram assim. Me deu um aperto no peito tão grande que comecei a chorar. Saudade! Muita saudade!

Sei que o cansaço de não dormir mais a noite, de ficar cuidando da Ana Julia o dia inteiro, de não conseguir fazer minhas coisas pessoais e da escola como antes e sem interrupção, de ficar "com medo" só de ver a Ana Luisa chegando perto da irmãzinha toda feliz e exagerad e disfarçar isso para ela não pegar birra da irmã (quem já viu sabe o medo que dá qdo ela chega perto querendo pegar, abraçar, assustar a bb, "ver" os olhos, o nariz, a boca, etc,) ... bem sei que tudo isso me deixa mais cansada, esgotada, irritada e bem mais sensível que o normal. Fora os hormônios que ainda devem estar doidos dentro de mim.

Mas tbém sinto saudades dela! E nessa hora me sinto ainda aquela menina, a filha!

Mas sei que essa angustia vai passar. Todo dia escuto uma música chamada "Sobre o tempo" do Pato Fu que fala sobre isso.
Tento preencher esse vazio com minhas outras razões de viver, mas cada um tem seu espaço e esse vazio da falta de minha mãe ainda me deixa totalmente sem chão. Sou alegre por um lado sim, sou feliz sim, tenho várias razões para isso. Mas estou triste também. E essa dualidade anda me incomodando.
Por essa razão e a correria da vida, vou ficar longe daqui por um tempo. Mas quando voltar sei que ainda vou estar sentindo falta de minha mãe, mas estarei mais forte para seguir adiante.
Até 2009!
A canção:


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