quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Uma causa que vale a pena! 19/11/08




19 de novembro

Dia mundial pela prevenção da violência doméstica contra crianças e adolescentes.

A palavra violência soa exagerada quando falamos em violência doméstica.
Imediatamente vêm à nossa mente aqueles casos de pais, parentes e responsáveis que agem de forma quase selvagem com suas crianças. Nos lembramos de espancamentos, de pessoas que puxam cabelo, chutam, queimam, e outras atrocidades que nos deixam de boca aberta e com vontade de fechar os olhos para não nos chocarmos mais.
Mas isso é algo para o qual não podemos fechar os olhos. Não mais!
Esse tipo de violência, infelizmente, existe sim, mas há também outro tipo de violência que acontece de forma mais sutil e é apoiada em nosso país. Estou falando das palmadas, chineladas, beliscões e gritos em nome da disciplina e da educação. Mesmo que de leve, todas essas formas de agressão doem sim. Doem no corpo e doem na alma.


Normalmente o povo brasileiro nem sequer pensa que agir assim possa estar equivocado. Este tipo de atitude está enraizado em nossa cultura e imaginamos que se não agirmos assim não estaremos educando e disciplinando nossos filhos.
Criança não nasce sabendo, não tem o mesmo nível de conhecimento e raciocínio que nós adultos adquirimos ao longo dos anos de nossas vidas. Esquecemos disso e exigimos certo padrão de comportamento que não é possível em algumas faixas etárias, exigimos a compreensão dos nãos (necessários ou impostos) imediatamente e se não somos atendidos, por uma razão ou outra, batemos ou gritamos para mostrar que aquilo está errado.


Mas bater e gritar é sempre errado. Ensinamos que não podemos gritar, que não se pode bater nos amiguinhos, que não se pode bater na mamãe, no papai ou nos irmãozinhos, que não se pode bater nas pessoas em geral.
Ensinamos que não podemos bater até em animais, mas batemos para ensinar que não pode.
Isso é totalmente incoerente e confunde a criança. Criança que não pode fazer inúmeras coisas e que não pode bater nunca, mas que aprende isso apanhando.


Os pais batem porque acham que é a única maneira de disciplinar seus filhos. Os pais batem principalmente quando estão nervosos por outros motivos, ou estão cansados, ou porque têm outros problemas que os incomodam.
Os pais mostram e falam o que deve (ou não deve) ser feito pelas crianças e essas fazem o contrário. Aí então, os pais se sentem ofendidos, cansados, irritados e batem para exigir respeito.
Mas se esquecem que medo e respeito são duas coisas diferentes. Se esquecem que tudo na vida de uma criança só vai ser aprendido com o tempo e depois de muita repetição nossa do que deve ou não deve ser feito. Se esquecem que há outras formas de disciplinar. Forma que os ensinará o que gostaríamos que aprendessem e o mais importante, os ensinará a respeitar o outro, seja quem for!


Não devemos esquecer: disciplinar, educar, impor limites são atos necessários sim! Sempre que a situação exigir! Mas não precisa ser através da palmada.
Palmada não educa, machuca!


Então o que fazer quando aquela situação complicada acontecer?

  • Bem, antes que aconteça, devemos sempre entender a fase pela qual a criança está passando. Devemos ler, conversar e procurar entender cada faixa etária.
    Algumas pessoas vão dizer que essa atitude de infinita compreensão (“psicologia barata”, como dizem alguns) é que leva às crianças a não terem limites na vida. Vão buscar exemplos de permissividade que não cabe aqui em nossa reflexão porque somos a favor sim de limites e disciplina, mas dentro do que é possível a cada faixa etária e à situação. Não esperamos que não se faça nada, que as crianças façam tudo que querem, na hora que querem. O que esperamos é que toda essa disciplina seja feita com muita racionalidade, amor e firmeza. Sem palmadas, sem gritos! Por isso, é importante aprender como são e como pensam para sabermos lidar com as crianças de todas as faixas etárias, até adolescentes e jovens.
    Fazendo isso, fica mais fácil agir.

Devemos também:

  • Escolher nossas batalhas. Muitos pais falam não o tempo todo para tudo. Por que? Para que? Criança tem que ter espaço e tempo para viver, para experimentar, para exercitar sua criatividade e extravasar sua infinita energia. Sem muitos "nãos" na vida, fica mais fácil processar os "nãos" necessários.

  • Respeitar nossos filhos. Podem ser pequenos, mas têm vontades, desejos, ansiedades, medos e angústias. Devem ser ouvidos. Como têm também o poder de atenção menor que o nosso, devem fazer atividades apropriadas e em horários apropriados para as crianças. Crianças em restaurante próprios para adultos, em shopping centers, em supermercados e afins é quase certeza de choro e birras. Respeite o relógio biológico de seu filho também. Muitas birras se devem a cansaço, sono e irritação. E criança não nasce sabendo dormir, devemos respeitar isso e ensinar.

  • Ser firme nas decisões. Diga não, explique o porquê e mantenha sua decisão. Assim como todos em sua casa. Mas cuidado com o que promete que vai fazer porque se não cumprir, começa a perder a confiança e o respeito do seu filho. Pense muitas vezes antes de fazer ameaças. Há pais que ficam gritando o tempo todo: "Vou te bater se você não parar de fazer isso!" Alguns batem, outros não, mas a vida em família se torna uma eterna guerra.

  • Mostrar a criança que ela é amada e compreendida. Demonstre claramente que é a atitude dela naquele momento que não é adequada, mas que ela é amada, compreendida. Compreensão é importante, pois a criança percebe que alguém se importa com seus desejos. Diga a ela que entende o que ela está sentindo, que entende que fazer certas coisas (ou não fazer) é difícil, mas que é o correto a fazer. Elogie seus pontos e suas atitudes positivas sempre.

  • Ensinar a corrigir o erro. Devemos ensinar a fazer o certo, mostrar como devemos agir e fazer. E isso leva tempo! Devemos ensinar a pedir desculpas e aceitar os pedidos de desculpas de nossos filhos, não achando que estão tentando nos manipular. Devemos mostrar que errar é humano, mas que devemos procurar agir corretamente. E se erramos, devemos pedir desculpas também.

  • Focar no positivo. Toda criança faz coisas que merecem elogios. E devem ser ressaltados. Quem não gosta de ser elogiado e de ser reconhecido por isso? Mas cuidado para não criar em seu filho a necessidade de perfeição. Eles devem saber que todos temos defeitos e qualidades, que ao longo da vida vamos errar e acertar, mas que devemos pensar antes de agir para não nos magoarmos ou magoarmos outras pessoas. Não devemos também super valorizar suas birras. Devemos tentar demonstrar solidariedade, mas não dar atenção somente quando a criança age assim. Caso contrário, ela usará dessa artimanha para ter sua atenção. O positivo deve ser valorizado mais que o negativo.

  • Usar a critatividade. Devemos ser criativos e interagir com nossos filhos focando sua atenção em algo produtivo e interessante para a criança e desviando a atenção do que não deve ser feito naquele momento.

  • Dar atenção. Há pais que dão de tudo materialmente, mas que sempre têm algo a fazer na hora que poderia ser o momento de brincar e estar com seus filhos. Devemos brincar com nossos filhos, sair com eles, deixar de lado o computador, a tv, as preocupações e nos entregarmos de corpo e alma àqueles momentos que estamos com eles.

  • Dar carinho. Dar beijos, abraços e dizer que amamos sempre e muito!

  • Ser exemplo para tudo! Ensinar e não fazer o que ensinamos é uma cilada. De nada adiantará ensinarmos a agir de certa forma se não agirmos assim em nosso dia-a-dia. Além de ensinar todas as regras exigidas para o bom convívio em sociedade e em nosso lar, não devemos gritar, ameaçar, humilhar ou bater. Não devemos fazer com nossos filhos o que não gostaríamos que fizessem conosco. Daí vem o raciocínio lógico, se temos que respeitar o outro, se não devemos gritar ou bater, porque muitos agem assim com seus filhos?
  • Ter paciência! Muita paciência!

Seja como for, é necessário dizer que não existe perfeição. Haverá momentos em que nossos filhos nos tirarão do sério. Que sentiremos vontade de dar umas palmadas ou uns gritos. Pois sempre haverá algo com o que se rebelar, em cada fase de suas vida. Já fomos assim, nosso filhos são e serão assim e também o filho de nossos filhos. Para esses momentos, alguns lembretes:

  • Não é uma luta fácil! Somos humanos. Erramos também. É normal se sentir entediado, cansado e irritado com nossos filhos às vezes. Não se culpe por isso! Não existe perfeição o tempo todo.

  • Lembre-se que seu filho é apenas uma criança. Não o trate como amigo ou um um mini-adulto. Não super valorize esses momentos que nos testam. Tudo é apenas uma fase.

  • Conte até o número que se acalmar.

  • Saia de perto por um momento.

  • Peça para alguém cuidar por você enquanto toma banho, dorme ou vai passear. (Se não tiver alguém para isso, arrume amigos com filhos e reveze encontros com apenas um dos pais presentes) Precisamos de momentos assim para funcionarmos bem.

  • Explique a seu filho que certas situações te deixam triste ou irritada e que você está se sentindo assim nesse momento. Explique que é normal sentir isso, mas que não podemos gritar ou bater por causa disso (mesmo que a gente sinta vontade).

  • Se estiver com algum problema, desabafe com alguém, compartilhe seus sentimentos. Caso contrário, temos a tendência em explodir mais frequentemente.

  • Tente se lembrar de todos aqueles inúmeros momentos em que nossos filhos nos dão alegrias. Porque o amanhã nos fará sentir saudade de todas as fases que passamos com eles e com certeza o que lembraremos serão esses momentos lindos que eles nos dão. Vale tentar se lembrar de tudo, mas em especial, tente se lembrar do sorriso que nos dão e na alegria que sentem quando nos vêem depois de algumas horas sem nos ver, como de manhã quando acordam, por exemplo.

  • E como nunca é demais, devemos ter paciência. Muita paciência, carinho, firmeza de atos e palavras, amor e alegria! E lembrar que palmada não educa, machuca!

Viva nossas crianças!

Viva nossa oportunidade de reflexão e mudança para melhor!

Viva a luta por uma sociedade mais justa e solidária!

Abraços com carinho, Luciana!



BLOGAGEM COLETIVA PR (membros da comunidade do orkut Pediatria Radical que tivessem blogs, deveriam se unir nesse dia criando textos que explicassem o tema) Aderi porque é uma causa que vale a pena!

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1651309&tid=5260666537609893728&na=1&nst=1

Site sobre o tema e blogs participantes:

LEI SECA CONTRA A PALMADA:

http://www.leisecacontrapalmada.com.br/

5 comentários:

ModeradorasPR disse...

>
Luciana,

realmente é uma causa que vale a pena

parabéns!

Andrea e Gigio disse...

Adorei Lu. ,muito bom, estou também na luta contra a palmada.

Marta disse...

Coisa linda de post Luciana!Estamos arrebentando hoje. Muito feliz com essa campanha e com essa blogagem!

Bettina disse...

Adorei Lu!

Renata disse...

Nossa teacher.. sempre entro no seu blog pq adoro seus posts!! Mas este em especial, tive q comentar! Muito bom mesmo!!! Imprimi e vou mostrar para minhas irmãs... mto bom mesmoo, parabénss!!! Suas mocinhas com ctz serão grandes mulheres no futuro, iguais a vc!!!
Beijosss