sábado, 11 de outubro de 2008

Vida louca! 11/10/08_Duas semanas da Ana Julia!

Toda vez que escrevo alguma coisa, mesmo que haja mil coisas em minha mente, há sempre algo mais em evidência que meu coração gostaria de compartilhar.
Mas há tantas coisas em minha mente nesses dias que fica até difícil entender e perceber do que meu coração está mais cheio.
Escrever é uma maneira de compartilhar ou perpetuar um momento ou simplesmente colocar para fora como forma de organizar pensamentos e ações. Pelo menos sempre foi assim para mim. E acho que é isso que gostaria hoje: colocar para fora para poder caber mais coisas dentro de mim. Porque elas não param de chegar e se instalar!
Estou aqui mas pensando e olhando a Ana Julia dormir aqui bem pertinho de mim. Ela completa hoje duas semanas de vida. Parece que faz séculos que ela nasceu. Quanta coisa já aconteceu, quantos momentos vividos, quanta ação, quanto amor, quanto cansaço, quanto carinho, quantas noites mal-dormidas, quantas alegrias vividas. E é assim mesmo, tudo misturado, sentimentos aparentemente antagônicos, mas que convivem perfeitamente quando se é mãe ou pai.
E tem também a Ana Luisa. Ela saiu agora com meu pai e minha prima. Tinham ido à feira e depois iam na casa do irmão do meu pai. É gostoso esses momentos em família, é bom para ele e para ela. Mas nesse momento de paz que sinto por minha filhinha ter o privilégio de conviver com seu vovô, lembro de minha mãe e sinto um imenso vazio. Sei que posso parecer repetitiva em falar sempre de minha mãe, mas a cada dia que passa a saudade de tudo que ainda podíamos ter vivido se instala dentro de mim. Sinto saudades! Mas sei que a vida continua aqui fora!
E continua nesse momente meio estranha, meio diferente. A Ana Luisa não está agora em casa, a Ana Julia está dormindo e o Ni foi praticar esportes. E o silêncio instalado, soa até estranho.
Uma casa com duas crianças pequenas é sempre tumultuada.
Um bebê requer atenção extremada 24 horas: trocar, alimentar, cuidar o sono, acalentar, ninar, dar banho e repetir tudo de novo sem direito a descanso.
Uma criança de dois anos é linda, interessante, curiosa, viva, enfim um alegria só, mas é também obstinada, teimosa, impulsiva e desafiadora. Ana Luisa é um amor de menina, mas essa fase dos dois anos (ou "terrible two") é um desafio de paciência a todos os pais. Além disso, seu amor louco pela irmãzinha nos deixa de cabelo em pé. Quer pegar, tocar, acordar, trocar, apertar a bochecha, pés, abrir os olhos e pegar no colo. E como fica brava se por acaso dizemos que naquele momento não é possível. Às vezes ficamos sem saber como agir para não despertar ciúmes. Cuidamos até de nossas palavras, mas às vezes somos duros e dizemos não firme e às vezes fazemos suas vontades. Estamos buscando o equilíbrio.
Fora as duas e todos os afins que existem, há outros assuntos que ocupam minha mente: telefonemas que não consigo atender ou fazer, contas imensas desse mês, assuntos outros já pendentes mesmo antes do nascimento, a babá que não pôde vir esses últimos dias, meu corpo que está há milhares de anos luz de estar da forma que gostaria (tema suficiente para outra postagem), assuntos do serviço, vontade de ficar à toa às vezes, vontade de ficar sozinha às vezes, e é lógico outros assuntos que são apenas meus, de minha mente e coração.
Mas pouco a pouco as coisas vão se ajeitando. Já estou sabendo lidar melhor com as confusões e caos do dia-a-dia louco de se estar cesariada, ter um bebê pequenininho, uma criança de dois anos e ser uma pessoas com sonhos, vontades e neuroses como outra qualquer.
Eu só precisaria dormir um pouco para tudo voltar ao normal. Mas enquanto isso for artigo de luxo em nossas vidas, me contento com a expressão de paz no rosto da Ana Julia dormindo aqui pertinho de mim e na alegria e vontade de viver inexplicável da Ana Luisa.
Só não entende a força disso quem nunca teve uma criança para chamar de sua (de verdade ou emprestada da vida) ou já teve há tanto tempo que não se deixa mais fragilizar-se por coisas tão pequenas, mas tão poderosas.
Um beijo grande e um ótimo dia a todos nós!

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