quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A madrugada! 22/10/08




Estou terrivelmente de mau humor hoje. Tudo me irrita, tudo me perturba, me tira do sério, me deixa de cara amarrada e com olhar de fúria. Procuro esconder isso como se esconde um segredo de estado, mas por dentro estou a ponto de explodir.

Não, explodo internamente a cada minuto.

Mas aí paro e penso: existe algum motivo para isso?

Não! Nenhum!

É lógico que a combinação pós cesárea, hormônios em ebulição, bebê de 3 semanas e 4 dias, criança de 2 anos e 3 meses e 14 dias, marido em fase terminal de pós-graduação, cachorro lindo e fofo, mas também recém nascido e recém chegado em casa, progamas da tv a cabo que nessa época são mais repetidos que filme que passa de madrugada na tv aberta, mesmas notícias no jornal e televisão, problemas com empregada, que também está de aviso prévio e não temos perspectiva de outra, babá que tem também filho bebê que está em fase de tratamento de saúde, não sair de casa, não querer sair de casa ( para fazer o que? e se saímos e levamos as crianças, horas e horas para tudo ficar pronto), etc, etc, etc.

Não tenho grandes obrigações no dia-a-dia, temos empregada, temos babá para a Ana Luisa, tenho meu pai e tenho uma cadeirinha que vibra que ajuda um tanto quando estou cansada de segurar a bebê e ela dorme. Mas me sinto extremamente cansada.

Minha bebê é calma, só chora para mamar, trocar e quando fica entediada. (sim, ela já fica entediada) Mas a situação é que ela acorda a cada duas ou três horas e sou eu basicamente quem cuida dela, sozinha. E ela quer colo, tadinha. Principalmente de madrugada. Dorme bem durante o dia (ou eu acho que sim por estar mais disposta), mas a noite tem dificuldade para pegar no sono. E eu dou colo, acalanto, dou carinho, mas não aguento mais de dor nas costas, não aguento colocá-la no bercinho e ela acordar ou não aguento mais deitar e quando penso que vou poder descansar um pouco ou dormir um pouco, ela acorda assustada querendo ficar perto de mim, querendo se sentir protegida, ou precisando ser trocada de novo (ela não fica sem reclamar um minuto sujinha) ou querendo mamar de novo ou simplesmente porque não tinha dormido profundamente mesmo.

É lógico que às vezes o Ni segura, troca, faz um carinho (mas agora com o serviço e o quase fim da monografia e apresentação chegando ele está meio fantasma no seu papel de marido e pai). A babá ainda dá banho e a Ana Luisa adora querer pegá-la no colo. Mas fora isso, sou eu! Sempre eu!

É compreensível que seja eu, eu sei que tem que ser eu, eu gosto que seja eu, mas é eu demais na minha opinião. Sei que tudo isso passa, mas é desgastante.

Vivo perguntando para o Ni se quando a Ana Luisa era bebê era assim também e ele diz que sim. Pergunto de novo porque não acredito e ele reafirma que sim.

Como pude me esquecer disso tudo? Como pude querer outro bebê depois disso tudo e em tão pouco tempo?

É lógico que sei a resposta: porque simplesmente os bons momentos superam em milhões de vezes esses ditos "mal" momentos. Acho que a gente simplesmente se esquece depois (senão ninguém teria muitos filhos).

Mas confesso que o pior de tudo são as madrugadas. Elas são cruéis, são frias, são solitárias, são inimigas. Digo sem constrangimento, nem vergonha: eu amo menos de madrugada, eu amo menos quando estou com sono e exausta.

Essa não sou eu, incorporo um ser que se pudesse esconderia até de mim mesma. Só escrevo aqui como forma de desabafo e para que se alguém mais ler isso aqui e se identificar, não se sinta sozinha nesse sentimento e não se sinta envergonhada por sentir isso.

O sono e a exaustão nos tira do prumo, nos deixa à margem da sociedade dita normal do mundo, nos deixa em contato com um eu que não é domesticado e que chega a ser selvagem.

Eu que sempre amei a madrugada sinto medo dela agora!

E vivo meus dias nessa ambiguidade:

Sou um ser que ama muito e que se sente a pessoa mais feliz do mundo do final da manhã até o anoitecer.

Mas a noite e conforme a noite vai podendo se transformar em madrugada ou só o pensamento disso, acabo virando outra pessoa.

Uma pessoa que está dentro de mim, mas não sou eu!

E ficamos assim, esperando o tempo passar!


PS: A falta que sinto da minha mãe e tudo que gostaria de estar vivendo com ela e compartilhando com ela não ajudam muito nessa jornada.
Dia 19 de outubro fez dois meses que ela faleceu!

Engraçado como o ser humano é: quanto mais colo precisa, mais se afasta ou procura afastar, mais mal humor sente, mais amargo fica o coração, mais duro se torna, mais agressivo se torna e tudo por bobeira, por situações que não trariam o menor problema em outra época ou circunstância. E tudo em silêncio, fingindo não sentir nada disso, não demonstrando aos outros nada do que sente.

Essa saudade e a falta de sono estão acabando comigo às vezes! Principalmente de madrugada. E principalmente esses esses últimos dias, sem ninguém para conversar e me abrir.
Mas ainda bem que quando criança minha mãe me deu o livro Poliana para ler.

2 comentários:

Andreia Vieira disse...

Olá...lendo esse post me identifiquei tanto, por conta de algumas coisas que venho passando... li alguns posts e gostaria de parabenizá-la pois escreves muito bem... tenho um filho de 13 anos e um fofinho de oito meses... me emocionei muito tb pois estou num momento meio delicado (me sentindo meio triste, sem muito ânimo e não sei se é por conta do cansaço ou o quê...)

Lisiê Piccolotto Aguiar disse...

Luuu
mas uma vez parece que fui em quem escreveu..hahahaha.sem tirar nem por...
menina, eu também saio de mim de madrugada, ninguém merece...aqui em casa está igualzinho, nem parece que de dia tem bb em casa, mas de noite, tá dificil fazer a Clara dormir, qualquer coisa ela acorda, dai quer mamar, troca fralda, embala, nina, canta, coloca no berço, qdo vejo já passou 2 horas ela quer mamar de novo...aff...acordo só o pó !
mas não se sinta sozinha, lembre-se que bem pertinho de vc, aqui no jardim mônaco tem alguém na mesma situação...hahahahaha.
também acho que com a Marina foi mais fácil, que passou mais rápido, sei-lá...já nem to pensando direito...rsrsrsrs.