sexta-feira, 23 de maio de 2008

A descoberta! 15/02/08_8 semanas


Desde novembro, não estávamos mais tomando as precauções necessárias para não engravidar. Queríamos um outro bebê, mas como sempre dizem que quando queremos, pode ser que acabe demorando um pouco mais do que o normal, estávamos imaginando que seria um pouco mais para a frente. E no fundo, com um pouco de receio de que pudesse não ser tão fácil!

A data da minha última menstruação foi dia 21/12/07. Em janeiro, quando ela não veio, fiz um teste de farmácia e o resultado foi negativo. Não sei se não fiz direito ou se ainda era muito cedo, mas acreditei nesse resultado. Fiquei triste, não posso dizer o contrário, principalmente porque acreditava nesse tipo de teste. A nossa lindinha Ana Luisa foi descoberta assim primeiramente. Então, tinha certeza absoluta que era só um atraso normal.

Já tinha voltado a trabalhar e a vida estava muito corrida. Não tinha tido férias porque minha mãe havia ficado internada desde meados de dezembro até a segunda semana de janeiro. Então estava naturalmente cansada.

Mas aí, foi ficando pior esse cansaço. Era algo que não havia sentido antes, nem na primeira gravidez. Escovar os dentes de manhã foi ficando mais difícil, mas nada que se comparasse aos enjôos da primeira gravidez. O olfato estava mais aguçado, mas muito menos do que na primeira gravidez também.

Mas o cansaço, o raciocínio mais lento, o sono, a moleza estavam me dominando. Eu imaginava que era por causa da falta de férias e dos cuidados com a Ana Luisa que está em uma fase muito ativa durante o dia e em uma fase de lutar muito contra o sono a noite. Fora que quando estou por perto, quer ficar grudada comigo, quer me levar para todos os lugares com ela, quer vir no colo, quer brincar o tempo todo, o que é natural para alguém da sua idade.

Tinha até começado a ficar preocupada achando que poderia estar com algum problema mais sério. O jeito muito diferente que estava me sentindo, o atraso da menstruação e o resultado negativo do teste de farmácia, me fizeram acreditar que deveria ir ao médico fazer um check-up.

Marquei consulta e meu médico só poderia me atender no final da outra semana. Então na semana seguinte, resolvemos fazer o exame de sangue antes. O resultado iria sair na sexta-feira, dia 15/02/08, na hora do almoço. Meu médico era nesse mesmo dia às 4 da tarde.

Na hora do almoço, o Ni, meu marido, chegou com o resultado. Abriu na minha frente, mas não falou nada. Imagina como fiquei. Ligou para alguns amigos, um médico e uma enfermeira, e perguntou: " O exame tal, se estiver escrito tal coisa, significa o que? ... Ah, é? ... Então, dê parabéns ao mais novo papai da cidade?" :)

E assim foi como descobrimos! Já na oitava semana!

Nessa hora ficamos muito felizes, mas com aquela pergunta no ar: "Será? Será mesmo?"

Fiquei em casa aquela tarde já que ia ao médico e as aulas de sexta-feira ainda não haviam começado. Não conseguia me concentrar, não conseguia fazer nada. Só pensava nisso!

Quando fui ao médico, ele me disse que depois de me examinar e pelos meus sintomas, ele teria me dito que estava grávida mesmo sem um resultado de exame! :)

Fiquei feliz, muito feliz!

Mas algumas horas mais tarde, ao olhar o rostinho lindo e inocente de minha menininha, fiquei pensando como ela iria se sentir no início, imaginando se iria ficar muito enciumada, se iria se sentir deixada de lado, essas coisas assim. No dia 08/08/07, escrevi isso que explica um pouco os meus sentimentos. Aqui está um trecho:

" Às vezes me pergunto se poderia amar outro alguém tanto quanto amo minha filha. Me pergunto como isso seria possível já que esse amor que sinto é algo imensurável, é algo que transborda. Será que caberia no peito todo esse amor multiplicado?
...

Amor multiplicado! Alegria multiplicada! Não vejo a hora de ser mãe de novo!"

Mas confesso que me senti como se estivesse traindo esse amor que sinto por minha filhinha. Sei que é bobagem, mas foi como me senti. Como poderia querer sentir algo que para mim parece único? Como é possível dividir amor, carinho e atenção em partes iguais? Como vai caber em meu peito, se esse único amor que tenho agora já ultrapassa qualquer limite do imaginável?

Acho que por ser filha única, é mais difícil ainda entender essa dimensão de saber dividir e compartilhar amor. É tudo novidade para mim!

Mas que não imagino a capacidade de multiplicar isso que sinto e conseguir sobreviver tranquilamente, isso eu ainda não entendo. Se esse amor que sinto por ela é algo que às vezes me impedi até de respirar direito, como farei sentindo isso em dobro? Mas não vejo a hora de descobrir!

Fico pensando se daremos conta de duas crianças pequenas, se conseguiremos manter a sanidade na hora do caos de choros, birras, ciúmes, sono interrompido, fome, necessidades básicas, e tudo mais e me assusto de verdade! Mas não vejo a hora de passar por isso!

Não vejo a hora de ouvir o coraçãozinho do nosso bebê, ver seu ultrassom, ver minha barriga crescer, sentí-lo mexer, ver nosso bebê nascer, ver a Ana Luisa querer segurá-lo, vê-lo crescer, ver a Ana Luisa sendo a irmãzinha mais velha, vê-los brincando juntos, nos enlouquecendo juntos! E quem sabe até passar por tudo isso mais uma vez com um terceiro filho!

Isso tudo é vida!

Amor, Medo, Alegria, Insegurança, Paz, Caos, Tranquilidade e União!

Tudo isso é vida! Vida em abundância!

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